Transe: uma Explicação Científica - Parte I

Transe: uma Explicação Científica - Parte I

Samej Spenser
“A maioria das pessoas percorre o mundo em transe, destituídos de poder. Nosso trabalho é transformar isso em um transe de capacitação.”
— Milton H. Erickson, (1901-1980)


Geralmente é difícil falar sobre o tema do “transe”, pois a palavra tornou-se tão lugar-comum que não existe mais nenhuma definição precisa. Em debates sobre hipnose, é comum ouvirmos pessoas discorrendo sobre transe como se realmente soubessem algo a respeito do que estão falando. No entanto, se lhes perguntarem: “O que significa isso? O que é um transe?”, torna-se obviamente evidente que elas não têm a menor ideia sobre o assunto.

Da mesma forma que muitos outros termos, a palavra “transe” é usada para encobrir a nossa ignorância, para dar um nome a algo tão vago que, de outra forma, permaneceria indefinível para nós. Os jornais costumam publicar artigos sobre alguém que cometeu um assassinato ou outro crime qualquer enquanto estava “em transe” [1]. Isso aparentemente significa um obscurecimento mental ou um estado irracional. Todas as vezes que a palavra “transe” é mencionada na televisão, o é sem qualquer significado específico.

O conceito de “transe” muitas vezes é encontrado em livros e artigos referentes a experiências religiosas e psicodélicas, a fenômenos psíquicos, a misticismo e, naturalmente, a hipnotismo. Aparentemente, é uma palavra que as pessoas usam para descrever uma condição que elas acham difícil compreender: dando-lhe um nome, elas se sentem mais inteligentes. Entretanto, só no campo da hipnose é que a palavra “transe” tem algum significado científico real. Hipnotizadores sérios têm estudado muito para compreender a condição chamada “transe”. Como a própria palavra “hipnotismo”, a palavra “transe” também apresenta uma conotação tão negativa para muitas pessoas que tem sido certo esforço entre os hipnotizadores para se livrar dela completamente. Na literatura mais séria sobre a hipnose dos últimos vinte anos, parece haver uma tendência no sentido de abandonar o uso da palavra “transe”. Em seu lugar costuma-se usar “estado hipnótico” ou “hipnose”. De maneira semelhante, a palavra “hipnotismo” é cada vez menos encontrada em publicações científicas, aparentemente como uma tentativa de evitar as conotações negativas de muitas palavras terminadas em “ismo”. Atualmente, a palavra “hipnose” é amplamente empregada para denotar o processo de hipnotização, o objeto do hipnotismo e o estado de hipnose em si, que era anteriormente chamado de “transe”. Entretanto, creio que “transe” é um conceito significativo e um termo legítimo quando compreendido da maneira que irei explicar.


O significado de transe

O termo “transe” vem da palavra transe do inglês medieval e do francês antigo, que significava grande ansiedade e medo, de transir, perecer, e do latim transire, morrer [2]. É fácil ver de onde as conotações mórbidas e negativas se originaram. O termo em si mesmo está relacionado com a própria morte ou com a ansiedade mórbida e o medo paralisante que precedem a morte. Não admira que o “transe” tenha sido tão temido! (Alguns acreditam que o termo latino significava “transição”, mas essa é uma maneira moderna de pensar sobre a morte. Por milhares de anos, a morte provinha de ferimentos sofridos em acidentes ou batalhas, ou de doenças incuráveis. Poucos dos nossos ancestrais morreram em paz; a morte era sempre horrivelmente cruel e frequentemente agonizante. Assim, a princípio, a palavra “transe” tinha qualidades semelhantes à morte.)

O uso atual da palavra “transe” recai em várias categorias que se tornaram mais precisamente definidas através do uso comum. Hoje, quando se usa essa palavra, a maioria das pessoas pensa nela nos seguintes contextos:

1. Um estado semelhante ao sono, no qual se pode permanecer consciente, embora se perca o movimento voluntário;

2. Um estado de atordoamento; torpor, letargia;

3. Uma situação de grande abstração mental, especialmente a provocada pelo fervor religioso ou pelo misticismo; em anos recentes, um estado induzido por meios químicos, tis como drogas psicodélicas;

4. Uma situação na qual um médium espírita supostamente perde a consciência e fica sob o controle de alguma força externa, para a hipotética transmissão de uma comunicação dos mortos.

Como veremos, as três primeiras definições podem ser facilmente relacionadas a hipnose em seus vários estágios. A quarta definição, ao que me parece, refere-se obviamente ao mesmo estado das outras três, exceto por conter inferências desnecessárias. Poderíamos muito bem perguntar: “Qual dessas definições pode ou deve ser considerada hipnótica?”.

Primeiro, devemos distinguir transe de “coma”, que é uma prolongada inconsciência provocada por uma condição patológica. Um transe não é nem inconsciência nem sono. Se fosse uma das duas coisas, não precisaríamos, de maneira nenhuma, da palavra “transe”. Uma das maiores barreiras que as pessoas opõem ao experimentar a hipnose é a sua suposição (e algumas vezes insistência!) de que ela é um estado de inconsciência ou sono! Parece que elas não podem entender a simples ideia de que, se a hipnose equivalesse ao sono, ou à inconsciência, não haveria, portanto, hipnose ou hipnotizadores! À pessoa que diz: “Acho que não fui hipnotizado: ouvi tudo o que você disse”, geralmente respondo: “Quando você acorda cada manhã, você sente que foi hipnotizado?. Então, por que não? Afinal, se você insiste em que deve estar literalmente adormecido ou ‘apagado’ e inconsciente para que se sinta hipnotizado, então por que você acha que não está hipnotizado nessas ocasiões em que você está realmente adormecido ou inconsciente?”.

Espero que tenham compreendido o meu ponto de vista pois ele é fundamental para que possam entender a hipnose. Depois de explicar o exposto acima às pessoas que parecem não acreditar na hipnose que acabaram de experimentar, algumas vezes tais pessoas dizem, sem muita segurança: “Bem, mas com certeza não senti que estava em transe”. Elas não têm ideia de como responder se você lhes perguntar: “Como é sentir-se em transe?”.

Vejam como a palavra “transe” é pobre para descrever o estado hipnótico. Além disso, se vocês pensam que um transe é um “estado semelhante à morte”, não estarão particularmente predispostos a experimentá-lo. Mesmo depois de experimentar o verdadeiro transe hipnótico, vocês viverão um período difícil para acreditar nele, se esperavam “morrer” ou “perecer”, pois certamente tal coisa não aconteceu!


Alteração neurológica

Um transe é um estado de percepção alterada provocado por uma alteração do sistema nervoso. É mais um estado de consciência do que de inconsciência. É um estado de “perda de consciência” que pode ser subjetivamente experimentado de várias maneiras. É uma alteração temporária do sistema nervoso que é sentida como percepção e atenção alteradas. Constitui o resultado de certos fatores causais definidos. A técnica para causar essa alteração neurológica é chamada de “indução hipnótica” e a condição dela resultante é chamada de “transe hipnótico”.

Um estado de alteração neurológico pode ser produzido de várias maneiras. Há doenças que causam mudanças metabólicas, que alteram temporariamente o sistema nervoso até o ponto de a pessoa sentir a percepção e a consciência alteradas. Existem numerosas drogas e agentes químicos que (através de sua presença, ausência ou combinação) podem produzir alterações neurológicas que provocam estados alterados de consciência. Portanto, podemos distinguir três tipos básicos de transe, que só se diferenciam pelo modo como são causados. Os mecanismos neurológicos que provocam os transes são semelhantes e, no final, os resultados são iguais. Deve-se dizer que qualquer espécie de situação de transe sobre as quais estamos falando pode ser produzida por outra pessoa (heteroinduzida) ou pela própria pessoa (autoinduzida).

As três espécies básicas são:

1. Transe por doença;

2. Transe por droga;

3. Transe por sugestão:

a) Induzido verbalmente;

b) Induzido não-verbalmente.

(Podemos ter uma outra classificação chamada o “Transe Ambiental” provocado pelos estímulos repetidos, tais como o barulho de uma máquina, o movimento de um limpador de para-brisas — “hipnose das estradas” —, o tique-taque de relógios, a monotonia, etc. Entretanto, considero isso uma forma de sugestão não-verbal.)

Quando dizemos transe por doença, queremos nos referir àqueles estados de perda de consciência que são resultados de algumas situações patológicas tais como infecção, febre, desequilíbrio hormonal ou químico, etc. Quando uma enfermidade (ou uma reação do corpo a uma enfermidade) altera a percepção consciente de uma pessoa, isso é, então, um estado de transe. Muitas pessoas poderiam querer chamá-lo um estado “semelhante ao transe”, mas isso seria apenas um jogo de palavras, pois um estado semelhante ao transe é, pura e simplesmente, um estado de transe. Mais uma vez, neste ponto devemos distinguir o transe do coma. O transe por doença, da mesma forma que o coma, é causado por algum fator patológico. Entretanto, o coma é um estado de inconsciência, e um transe nunca é um estado inconsciente. Apenas quando a doença provoca uma alteração temporária da percepção e da atenção conscientes é que podemos chamá-lo de “transe por doença”. Os estados de verdadeira inconsciência jamais podem ser considerados transes.

O transe por drogas pode ser analisado da mesma maneira para fins de definição. Deve ser considerado mais um estado de perda de consciência do que um estado de inconsciência. Isso elimina de consideração os estados de “nocaute” ou de “apagamento” que algumas pessoas confundem com hipnose. Uma droga que produz inconsciência total não provoca um transe por droga a menos que seja controlada para que possa parar de agir um pouco antes da inconsciência. Eis por que a “narco-hipnose” é um método um tanto delicado, enganador, e, quase sempre, desapontador. É muito difícil controlar os agentes químicos, na proporção exata, de acordo com o peso da pessoa e com a sua resistência à droga, a fim de conseguir manter um estado de perda de consciência. Drogas que comumente produzem inconsciência, mesmo quando usadas com restrição, produzem, na melhor das hipóteses, um estado de semiconsciência. O problema é que o estado semiconsciente é o mais próximo de estar “morto para o mundo”. Podem ver, portanto, como é difícil provocar o desejado estado controlável de perda de consciência que podemos chamar de transe. Devem saber que o que os médicos chamam de “drogas hipnóticas” produzem sono, pois hypno é a palavra grega que significa sono. Essas drogas não provocam o que entendemos por um transe hipnótico.

As que mais se aproximam disso são as drogas comumente designadas “psicodélicas” ou substâncias alucinógenas que “alargam” a mente. O estado experimentado torna possível um prolongado período de mais ou menos contínua alucinação de uma espécie ou outra. Esse, decididamente, é um estado de alteração neurológica que resulta em percepção e atenção alteradas e, portanto, classificado como um transe por droga. Para mim, o transe por droga e o transe por doença são tão semelhantes em riscos e em resultados imprevisíveis que é uma tolice submeter-se espontaneamente a tais experiências sem um motivo extremamente necessário.

O transe por sugestão (que pode ser heteroinduzido ou autoinduzido) produz um seguro estado de perda de consciência através de procedimentos científicos. É um estado capaz de grande versatilidade, dependendo da habilidade e dos objetivos dos que nele estão envolvidos. O transe por sugestão é chamado “hipnótico” por um acidente histórico (Braid pensou que o nome indicaria um aperfeiçoamento do “mesmerismo”), mas, talvez, as discussões posteriores tenham ajudado a colocar o transe hipnótico num contexto de outros estados mentais do tipo, que são causados por fatores diferentes.

Observando a relação entre o fenômeno causado pela estimulação elétrica do cérebro (particularmente no hipotálamo e em outras zonas diencefálicas) e o produzido pela hipnose, Kretchmer afirmou em 1954: “As atividades psicológica e somática que, de acordo com os experimentos, podem ser obtidas através do hipnotismo são mais ou menos as mesmas que podem ser obtidas pela estimulação orgânica do cérebro, como foi revelado pelos experimentos de Hess e pelas correspondentes observações clínica no ser humano.” (Citado por P. Gloor em Autonomic Functions of the Diencephalon. A Summary of the experimental works of Professor W. R. Hess, in Arch. Neurol. Psychiatry, nº 71, p. 773, 1954.)

Espero que agora vocês possam ver que a natureza e o fenômeno do transe (produzido por qualquer que seja o meio) podem ser adequada e cientificamente explicados em bases neurológicas. Não precisamos, portanto, apelar para vagos conceitos sobrenaturais para descrever ou discutir um fenômeno natural tal como o transe.


Duas espécies de transes

As conotações mórbidas e negativas originalmente dadas à palavra “transe”, na verdade, têm alguma base, de acordo com estudos neurológicos do estado de transe. Dependendo da espécie de estímulo empregado, são possíveis duas espécies distintas de transe hipnótico. Anatol Milechnin (em seu livro Hypnosis, 1967) chamou-os de “trofotrópicos” e “ergotrópicos”. É mais simples considerá-los como transes positivos e negativos.

Por transes negativos entendemos aqueles causados pelo estímulo das emoções negativas, ou emoções de um tipo perturbador, tal como o medo, etc. Transes positivos são resultantes da estimulação de emoções positivas, ou emoções do tipo estabilizador. O transe positivo é sempre benéfico para o sistema nervoso, mas o transe negativo pode ser tanto perturbador como prejudicial. O transe positivo é sempre caracterizado pelo relaxamento e por uma sensação de paz e tranquilidade, enquanto o transe negativo pode ser caracterizado por tensão, rigidez e sensação de frustração.

Há que se lembrar que os transes descritos na época de Mesmer eram, algumas vezes, até mesmo assustadores. Os transes mesméricos eram, quase sempre, caracterizados por comportamento convulsivo, catalepsia e outros fenômenos mais propriamente do tipo perturbador. Embora Mesmer acreditasse que esse elemento convulsivo ou “crise” fosse uma parte essencial do tratamento, isso seria como um psiquiatra ou psicólogo moderno que pensasse que todos os pacientes devessem passar por uma ab-reação [3] ou catarse [4].

Até mesmo na época de Freud, os transes apresentados eram geralmente, do tipo negativo. Freud estudou resumidamente a hipnose com Charcot no asilo Salpêtrière, onde os transes eram induzidos em pacientes histéricos pela exposição de flashes de pólvora de fotógrafo ou pelos sons estridentes de um gongo. A maioria dos transes de Charcot hoje em dia poderiam ser descritos como catalépticos e seu fator distintivo era o seu aspecto negativo [5]. Não admira que Charcot considerasse o hipnotismo como um sintoma patológico da histeria! Muitas descrições de transes na literatura antiga sobre a hipnose chocam o leitor de hoje, que as considera muito bizarras. Hoje, o transe negativo é quase sempre induzido deliberadamente.

Vocês devem se lembrar também de que Bernheim foi o primeiro a mudar a natureza do transe de negativa para positiva usando o método de indução que estimulava as emoções estabilizadoras. Ele conseguiu isso através de um tipo de indução suave, acalentadora, que alguns escritores chamaram de “hipnotismo materno”, como oposição ao tipo rigoroso, autoritário, da estimulação negativa que chamavam de “hipnotismo paterno”, de acordo com o estereotipado rigor do pai europeu.

O hipnotismo apresentado em palcos geralmente usa as técnicas autoritárias destinadas a “chocar” o paciente levando-o a um transe imediato. Desde que haja a estimulação de emoções negativas, ocorrerá um transe negativo. O transe negativo do hipnotizador de palcos (basicamente semelhante aos transes espontâneos causados por experiências traumáticas) tornou-se o estereótipo ou o protótipo do transe hipnótico para o cidadão comum. É lamentável que o público, em sua maioria, desconheça o transe positivo, pois isso perpetua o medo da hipnose.


Os sistemas nervosos simpático e parassimpático

O transe negativo é causado pela estimulação das emoções perturbadoras; isso, na verdade, é uma espécie de reação ao “choque” do sistema nervoso simpático. O sistema nervoso simpático provoca reações no corpo que estão relacionadas com “lutar ou fugir”. Em outras palavras, ele prepara o corpo para lidar com as emergências. Essas reações são percebidas por nós como sensações de excitamento e estimulação das emoções relacionadas com o medo.

As mudanças físicas que podem ocorrer com essa espécie de estimulação do sistema nervoso simpático são as seguintes:

1. Aceleração do batimento cardíaco, com o aumento da sístole [6].

2. Contração das artérias menores, particularmente na área visceral e na pele, dirigindo o sangue para os músculos e os centros nervosos; possível aumento da pressão sanguínea.

3. Dilatação dos brônquios, com respiração mais profunda e mais rápida; prolongamento da fase de inspiração, em relação ao ciclo total de respiração, e um aumento na aeração pulmonar.

4. Aumento da transpiração, com o correspondente aumento na condutibilidade elétrica da pele.

5. Dilatação das pupilas com tendência a uma abertura maior das pálpebras.

6. Diminuição da secreção salivar.

7. Contração das fibras musculares da pele.

8. Retardamento dos movimentos peristálticos gastrintestinais.

9. Contração da bexiga.

10. Aumento de açúcar no sangue, por causa de uma maior eliminação de glicogênios no fígado.

11. Aumento de células vermelhas no sangue, devido à contração do baço, com um certo aumento de células brancas, predominantemente de mielócitos, e um relativo decréscimo de linfócitos.

12. Predominância de cálcio sobre o potássio e uma tendência à acidose.

13. Mudanças nos coloides sanguíneos.

14. Certo aumento nas secreções de adrenalina e da tireoide.

É fácil perceber que essas são reações associadas ao medo e a outras emoções negativas. Essa espécie de estímulo leva a transes do tipo negativo. Esse era o tipo predominante de transe hipnótico até a época de Bernheim.


Hipnose animal

O interessante, porém pouco conhecido fenômeno da “hipnose animal” coloca-se na categoria de transe negativo porque é causado pela estimulação das “emoções” negativas do animal. A hipnose animal foi extensivamente descrita por pesquisadores como Schwartz e Bickford, em 1956, e por Volgyesi, em 1963. (Se estiverem interessados no assunto, posso recomendar-lhes o ótimo livro Hypnosis of Men and Animals, de Volgyesi.)

A “hipnose” obtida com animais é mais bem compreendida como imobilização cataléptica obtida pela colocação súbita de um animal numa posição anormal. Este é o método que se costuma usar em experimentos de laboratório.

Teoricamente, transes do tipo positivo podem ser induzidos em animais superiores (o livro de Volgyesi traz fotografias disso), mas existem muitas variáveis a serem controladas. Milechnin e Solovey registraram, em 1967, alguns sucessos na indução de transes positivos em cães grandes que eram seus animais de estimação.


Transe positivo parassimpático

As mudanças físicas que podem ocorrer com a estimulação do sistema nervoso parassimpático são as seguintes:

1. Diminuição dos batimentos cardíacos.

2. Dilatação vascular, particularmente na área visceral.

3. Aumento do tono dos músculos bronquiais.

4. Aumento das secreções salivar e lacrimal.

5. Contração da pupila.

6. Estimulação da atividade digestiva.

7. Aumento do tono e dos movimentos do trato urinário.

8. Aumento do glicogênio depositado no fígado e nos músculos.

9. Tendência a um decréscimo de células brancas no sangue, com um aumento de eosinófilos e linfócitos.

10. Tendência à alcalose.

11. Um certo aumento de insulina e de secreções na paratireoide e no timo.

É fácil observar que há algumas reações opostas ou complementares àquelas que ocorrem no sistema simpático. O sistema nervoso parassimpático ocupa-se das funções restauradoras e da armazenagem de recursos que possam ser necessários para lidar com situações difíceis.


Fonte: Trechos retirados do livro “Hipnose Científica Moderna”, de Richard N. Shrout, Ed. Pensamento, pp. 43-52, 1985.

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Confira também…

Transe: uma Explicação Científica - Parte II

Transe: uma Explicação Científica - Parte III

Notas

[1] O site HypeScience publicou (14 de Janeiro de 2017) um artigo bem interessante, onde relata (com vídeos e fotos) 10 crimes (supostamente) cometidos com a ajuda da hipnose. Confira: 10 crimes cometidos com a ajuda intrigante da hipnose. Site visitado em 2017/01/22. [Nota de Samej Spenser].


[2]: O dicionário Michaelis traz os seguintes dados sobre o termo “transe”:

TRAN·SE: sm

1. Momento de grande aflição.

2. Alteração da consciência caracterizada pela ausência da percepção do meio ambiente, por meio da perda das sensações físicas, mudança de comportamento, que podem ser causadas por estímulos sensoriais ou psicológicos, ingestão de drogas etc.

3. Estado de exaltação que faz um indivíduo perder as forças sensoriais, ser transportado para fora de si e, supostamente, sintonizar entidades, divindades ou algo exterior a ele.

4. Estado de profunda abstração no qual alguns artistas mergulham ao produzirem suas obras.

EXPRESSÕES

Transe hipnótico: alteração da consciência induzida por hipnose.

Transe histérico, MED, PSICOL: alteração da consciência causada por crise nervosa que envolve manifestações corporais, sem comprometimento das funções orgânicas.

Transe místico: estado de êxtase místico.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

VAR: trance.

ETIMOLOGIA

der regr de transir, via fr. [N. de SS].


[3]: AB-RE·A·ÇÃO: sf PSIC Descarga emocional, geralmente intensa, pela qual uma pessoa se liberta da carga que acompanha a recordação de algo traumático.

INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES

PL: ab-reações.

ETIMOLOGIA

voc comp de ab+reação. [N. de SS].


[4]: CA·TAR·SE: sf

1. FILOS De modo geral, na filosofia grega da Antiguidade, corresponde a um processo de libertação ou purgação, da alma e do corpo, de tudo aquilo que é estranho à essência ou à natureza de um indivíduo e que, por isso, o perturba ou corrompe.

2. FILOS Na concepção platônica, representa a libertação da alma em relação ao corpo e aos prazeres; isto é, já em vida, a alma se retira das atividades físicas e renuncia aos desejos e paixões, aguardando a separação total que se realiza com a morte.

3. FILOS No aristotelismo, fenômeno estético de efeito purificador, espécie de libertação ou serenidade, que a poesia e, em especial, o teatro e a música provocam no homem, proporcionando a descarga de conflitos de ordem emocional ou afetiva.

4. POR EXT, TEAT Efeito benéfico de purificação do espírito do espectador por meio da purgação dos sentimentos de terror ou piedade proporcionado pela contemplação do espetáculo trágico.

5. REL Ritual de purificação a que os iniciados nos mistérios de Elêusis deveriam se submeter para se transformarem em sacerdotes, na Grécia antiga.

6. MED Purgação intestinal; evacuação.

7. PSICOL Descarga emocional pela qual um indivíduo se liberta do conteúdo afetivo ou de emoções reprimidas quanto a um acontecimento passado; ab-reação: “Dessas cenas em movimento, filtra alguns instantâneos. Contorções, risos, arquejos, dança. Flagrantes de catarse digitalizados […]” (AAn).

8. PSICOL Efeito salutar e liberador observado em pacientes submetidos a tratamentos psicoterapêuticos (hipnose, psicodrama, recordação etc.) baseados no método catártico.

9. PSIC Procedimento de chamada à consciência de uma lembrança, até então parcial ou totalmente recalcada no inconsciente, e que apresenta forte carga afetiva e emocional, liberando o paciente do estado patológico associado a esse bloqueio.

ETIMOLOGIA

gr kátharsis. [N. de SS].


[5]: Vale mencionar aqui que Jean-Martin Charcot NUNCA hipnotizou ninguém, segundo a Dra. Galina Solovey, no livro “A Hipnose de Hoje”, 6ª Edição, Gráfica Editora Berthier Ltda., Passo Fundo - RS, (com tradução de Paulo Paixão), p. 31, 1957, citando o Professor Guillain:

“Charcot, pelo contrário, não tinha prática alguma com o hipnotismo. Segundo a biografia do Professor Guillain (26), ‘… ele nunca hipnotizou pessoalmente um paciente, nunca supervisionou uma sessão e, por conseguinte, não estava numa posição para avaliar o procedimento.’”
(26): GUILLAIN, G., “J. M. Charcot, 1825-1893, sa vie, son oeuvre”. Paris: Masson & Cie., 1955. [N. de SS].


[6]: SÍS·TO·LE: sf

1. MED Movimento de contração do coração que faz com que o sangue seja ejetado para a aorta e para a artéria pulmonar.

2. FON, GRAM Mudança fonética que consiste no recuo do acento tônico de uma palavra para a sílaba anterior: benção e bênção.

ETIMOLOGIA

gr systolē. [N. de SS].