As Três Leis da Sugestão

As Três Leis da Sugestão

Samej Spenser
Émile Coué, (1857-1926), farmacêutico e psicólogo francês em visita aos EUA em Janeiro de 1917.


As leis da sugestão estão longe de serem complicadas. Na realidade, elas são simples. Por muitos anos, as pessoas afluíram à clínica gratuita de Coué [1] no nordeste da França, onde ocorreram numerosas curas notáveis. Embora ele seja lembrado apenas por esta pequena frase: “A cada dia, de qualquer modo, eu estou ficando cada vez melhor”, [2] isso é, obviamente, uma ultra-simplificação da sua grande obra. Trata-se basicamente de um equívoco causado pela imprensa americana quando ele veio aos EUA. A imprensa tornou público o seu sistema, simplificando-o ao máximo, tornando-o mal-compreendido. A despeito disso, (em minha opinião, pelo menos, que é compartilhada por muitos hipnotizadores famosos), o fato é que Coué foi um gênio. Ele foi um homem que ocupou uma posição elevada na história das terapêuticas de sugestão.

Charles Baudouin foi discípulo de Coué e sistematizou tudo isso. Coué não era escritor ou filósofo; afinal, a sua mente não seguia essas linhas. Assim coube a Baudouin sistematizar os pensamentos de Coué. As leis da sugestão são de Coué, mas são agora conhecidas na forma que Baudouin lhes deu. Ele disse haver três leis da sugestão e essas leis explicam tudo o que ocorre por intermédio da sugestão. Eis as três leis:

  1. A Lei da Atenção Concentrada: A lei dispõe que quando uma pessoa concentra a sua atenção numa ideia, esta se concretiza por si mesma.
  2. A Lei do Esforço Contrário: Essa diz que quando uma pessoa pensa que não pode fazer algo e então tenta, quanto mais pensa menos capaz fica de fazê-lo.
  3. A Lei do Sentimento Dominante: Essa estabelece que uma sugestão ligada a uma emoção supera qualquer outra sugestão que, no momento, exista na mente. O sentimento dominante (emoção) em conexão com aquela sugestão faz com que ela tenha uma influência mais forte sobre a mente.

Coué disse: “Entenda dessa maneira, a sugestão nada mais é do que hipnotismo, como eu o concebo, e eu o definiria com estas simples palavras: a influência da imaginação sobre a existência física e moral da humanidade.” [2]

Devidamente compreendido, o hipnotismo não tem nada a ver com a “força de vontade”. A força de vontade (ou “a força do não-querer”, de acordo com as circunstâncias) é uma função da mente consciente, enquanto a mente subconsciente é basicamente influenciada pela imaginação. Em qualquer batalha entre a imaginação e a força de vontade, a imaginação invariavelmente vence, a despeito dos protestos da maioria das pessoas.

Com vistas nisso, Coué fez as seguintes observações baseadas na sua experiência pessoal diária durante um período de vinte anos de prática:

  1. Quando a vontade e a imaginação são antagônicas, a imaginação sempre vence, sem exceção!
  2. No conflito entre a vontade e a imaginação, a força da imaginação está na razão direta do quadrado da vontade.
  3. Quando a vontade e a imaginação estão em harmonia, uma não se soma à outra, mas uma é multiplicada pela outra.
  4. A imaginação pode ser dirigida.

 

Shrout, Richard N.“Hipnose Científica Moderna” — 1985, Ed. Pensamento, pp. 87-89.


[1]: Émile Coué (Troyes, França, 26 de fevereiro de 1857 – Nancy, França, 2 de julho de 1926) foi um notável psicólogo e farmacêutico que criou um método de psicoterapia baseado na autossugestão. | Wikipédia.

[2]: Itálico por Samej Spenser.