소등. Sussurros.
Kang Dan; bloco B.No começo, Kang Dan achou que aquilo era parte da festa.
Talvez algum outro aluno tão idiota quanto ele mexendo em um disjuntor, tentando pregar uma peça ou assustar algum otário que tivesse bebido mais do que devia. Ele até mesmo decidiu abrir um sorriso, empurrando de leve o ombro de um dos seus amigos.
— Credo. O que aconteceu...? — alguém comentou, a voz feminina e familiar.
Por um segundo, Dan ainda riu, aquele riso automático de quem espera a revelação de um truque; o anúncio de uma pegadinha, um “gotcha!”. O silêncio que se seguiu foi o que denunciou a ausência de algo comum.
O ar mudou,
o riso morreu na garganta,
tão pesado e carregado que era como se a sala inteira tivesse encolhido alguns centímetros ao redor de todos aqueles alunos.
Dan franziu o rosto por alguns segundos, a mão passeando pela nuca suada em uma clara tentativa de encontrar calmaria. Aquilo… era só escuro, claro que era. Só poderia ser. Ele já tinha ficado em lugares sem luz antes. Piscina fechada, vestiário à noite, corredor vazio. Por que isso seria diferente?
Tudo estava sobre controle.
Ele ainda puxou o celular, a tela acendendo como um soco de luz em ambos os olhos. O símbolo de wi-fi parecia normal, até mesmo o sinal estranhamente... cheio.
— Ué… Se fosse só falta de energia... — e então congelou, imóvel.
Já fazia um tempo que não sentia os dedos formigarem,
as pálpebras pesarem e aquela maldita sensação,
aquele mesmo sentimento de gelo no peito.
“Pecado.”
Sem reação ou movimento.
Sem gritos ou descontrole.
Só um sussurro,
sem... vida.
— …cês ouviram isso?
Ninguém respondeu imediatamente. Bem, talvez tenham respondido, mas o som pareceu longe demais, quase como se tivesse afundado em um tanque de água repentinamente; desorientado. Dan virou a cabeça devagar, o coração batendo mais alto que qualquer bate-estaca que tinha tocado naquela “sessão de estudos”.
A luz do celular tremeluzia contra a mão,
nem sequer notando a força que fazia para o segurar.
Não era nada, certo? Apenas pessoas desorientadas no escuro, algumas sombras... Só respiração e talvez um sussurro de alguém, novamente, tentando pregar um peç—
“Ajuda.”
Dessa vez, foi mais perto. Muito mais perto.
Perto o suficiente para que Dan puxasse o ar com força, como se tivesse repentinamente esquecido de respirar; o corpo reagindo antes que a mente pudesse raciocinar — um passo para trás, quase esbarrando em alguém.
— T-Tommy, cara... Cadê o Tomm... — aquilo escapou, procurando o conforto do melhor amigo.
Outra vez,
outro lembrete.
“Eles sabem.”
Agora já não tinha dúvida,
tinha alguma coisa… errada naquilo.
Não que fosse um cético fácil — mas conseguiu sentir toda e qualquer dúvida se esvaindo juntamente com a cor do próprio rosto.
E então, riu.
Um riso curto, seco, completamente fora de lugar.
Haha.. hahaha... hahHAhAHaH.
Nem fodendo.
Dan virou o corpo tão rápido quanto pode, a luz do celular varrendo o chão, as paredes, qualquer coisa que parecesse uma saída; ignorando a forma como as outras pessoas na sala pareciam se organizar para fazer o mesmo.
Ele precisava sair dali.
Talvez tenha sido estúpido sair sem avisar ninguém.
A realidade é que realmente não pensou. Saiu apressado, tentando manter o controle de maneira que tudo simplesmente desaparecesse; aqueles mesmos passos ligeiros, desviando de pessoas no meio do caminho, de algumas mesas, de coisas que ele nem sequer enxergava direito.
O som atrás dele parecia distante, abafado pelo som da própria respiração.
Precisava se acalmar um pouco,
precisava achar uma saída daquele lugar.
Tinha avisado Jihoon sobre o próprio paradeiro, tentando não soar desesperado ou até mesmo perdido demais em cada uma das mensagens. Seus amigos sempre comentavam que as histórias de assombrações e coisas desse tipo eram besteira... certo?
Talvez fosse realmente só a cabeça dele.
Talvez só tivesse escutado outra pessoa na festa.
Ou talvez...
— Dan! — a voz veio como um puxão; o corpo virando rápido, quase deixando o smartphone cair no chão.
Tommy.
E logo atrás dele, Jihoon, com aquela cara de quem já estava entendendo o que tinha acontecido por conta das mensagens recebidas.
Longos foram os segundos em que Dan encarou ambos os amigos, quase como se conferisse se aqueles dois eram de verdade e não uma projeção da própria mente. Tinha que admitir que não estava mais no clima para pegadinhas.
Se é que aquilo realmente foi uma peg—
— Será que dá pra gente ir embora, caras? — ele perguntou, a voz mais baixa do que o comum. — Tipo, agora.
Apesar das perguntas e preocupação por parte dos amigos, não tinha vontade alguma de estender uma conversa naquele lugar. Tinha certeza que acreditariam que era só mais um surto de um amigo que tinha fama de borrar as próprias calças por conta de situações estúpidas como aquelas; mas talvez, se conseguisse explicar exatamente o que tinha ouvido, talvez...
Luzes.
O som do sino cortou o ar no mesmo instante.
Uma badalada.
Duas badaladas.
Três badaladas.
— Caralho, vai, vai, vai—
Um puxão na camiseta, o barulho dos calçados contra o chão e aquela mesma sensação de gelo contra o peito conforme disparavam em direção ao dormitório.
Dan não esperaria para ver se existiria uma quarta.