ÍDOLO by Bronx
DallasÍDOLO não é um disco sobre a fama. É sobre o que a gente coloca acima de nós mesmos: amor, ego, ambição, música e prazer. Para um projeto longo, de 18 faixas, o Bronx entrega um conceito surpreendentemente firme. Ele mostra que idolatrar não é só admirar algo, é deixar que esse algo controle as suas decisões. Cada música aqui funciona como um altar diferente.
A faixa-título, “ÍDOLO”, abre o trabalho mostrando o culto mútuo entre o artista e o público: o fã cria o deus, e o artista vira refém da aprovação dele. Logo depois, “BERGHAIN” transforma a pista de dança em templo, onde os graves viram o sermão da noite. O medo de perder a criatividade é tratado como um namoro tóxico em “NIGHTBLINDNESS”, uma das composições mais afiadas do álbum. Já a obsessão por ser visto e brilhar a qualquer custo ganha força em “KHIA ASYLUM” e “RODEO DRIVE”, que usa a participação de Vie para ilustrar como o sonho do sucesso pode virar um pesadelo.
O miolo do álbum, com “HIRAETH”, “TU'BURNI”, “JOHATSU” e “PILLARS”, deixa a marra de lado para falar de dependência emocional e insegurança. “JOHATSU” é disparada a mais vulnerável, retratando a vontade de sumir do mapa, enquanto “PILLARS” traz um alívio quando o artista finalmente decide confiar em alguém. Essa calmaria acaba no interlúdio “PONYBOY”, onde o Bronx assume o controle com um som mais agressivo e focado no trap. O grande destaque dessa fase é “HAMELIN”, que usa a famosa história do flautista para criticar a inveja e a perda de identidade na internet.
Na reta final, o disco amadurece de vez. “AYAHUASCA” foca no desejo obsessivo e “CHEST” surpreende ao trazer a espiritualidade de forma direta, limpando o clima de futilidade. A polêmica “I HATE MODELS” representa o ápice do prazer e do deboche; é exagerada e vulgar, mas cumpre o papel de mostrar a hora do excesso. O grande trunfo do projeto, porém, é o encerramento com “UGLY SON”. Se o álbum parasse no choque, seria apenas bom, mas essa última faixa desmonta toda a pose. Depois de quase duas horas cultuando status e sentimentos, ele encontra algo que não precisa de pedestal: o valor do tempo, da juventude e dos amigos, olhando para trás sem querer provar nada para ninguém.
Por ser um projeto muito longo, o disco tem seus pequenos problemas: algumas músicas repetem ideias já faladas e o excesso de referências às vezes abafa a emoção direta. Mesmo assim, o conceito é muito bem amarrado do início ao fim, e a transição entre os momentos de sensibilidade e arrogância funciona perfeitamente.
Se os trabalhos anteriores do Bronx mostravam o personagem vivendo a vida, ÍDOLO tenta entender o motivo desse personagem existir. É um álbum ambicioso, bem pensado e que no fim deixa uma lição simples: todo mundo adora alguma coisa, seja uma pessoa, um sonho ou os próprios traumas.
Melhores Faixas: UGLY SON, HAMELIN, ÍDOLO, JOHATSU, BERGHAIN, PILLARS.
Nota Final: 94/100 ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️