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Kwon Minho, development 01.

tw: menção a drogas (heroína) e a morte, comportamento depressivo, abstinência.


Mãos tremendo. Coração acelerado. Respiração curta e aquele gosto infernal de ferro na boca. Minho conhecia muito bem todos aqueles sintomas, mais do que gostava de admitir. Mesmo depois de um ano, frequentemente sentia seu corpo implorando para sentir a substância correndo nas suas veias novamente. Era sempre assim, cada vez que se sentia um pouquinho mais pressionado emocionalmente, quando as coisas ficavam difíceis de carregar sozinho ou simplesmente quando estava triste demais para lidar com a própria vida.

Estava quase desesperado, trancado no apartamento o dia inteiro. Sentia que se pisasse na rua naquele estado, não demoraria para estar andando pelas vielas tão conhecidas e, infelizmente, nada esquecidas pela sua memória. Já tinha feito, ou tentado, de tudo para ocupar a mente: tinha o hábito de comprar por aí instrumentos velhos e acabados, apenas para reformar e revender, mas o barulho da madeira sendo lixada, que normalmente era tão apreciado por si, parecia arranhar os seus ouvidos. Tentou tocar baixo, mas suas mãos tremulas não conseguiam acertar o ritmo, o deixando ainda mais irritado e frustrado do que já estava. Ficar na internet estava impossível, principalmente quando a mãe não parava de mandar mensagens, fazendo planos e mais planos para um aniversário que ele definitivamente não queria comemorar em família.

Dos dez aos vinte e um, a data foi completamente ignorada, seus pais pareciam não querer comemorar a vida de um filho quando a outra tinha perdido a sua. Entendia que os mais velhos queriam recuperar a relação familiar, mas odiava como eles pareciam ignorar o seu desconforto, como pareciam ignorar que a criança carente e amorosa tinha sido esquecida no tempo. Entendia tanto eles que sentia raiva de si mesmo por não conseguir colaborar, por não conseguir entrar no clima e apenas aproveitar, por toda vez que essa aproximação era tentada por eles, entrar em curto-circuito.

Estava trancado no quarto a algumas horas, Booba, sua fiel companheira, o encarava confusa, parecia entediada de observá-lo suando frio e rangendo os dentes enquanto olhava para o teto. Já tinha lavado o rosto incontáveis vezes, até mesmo algumas abdominais foram feitas para tentar acalmar a agitação, mas nada funcionava. Sua mente estava cheia de tudo e nada ao mesmo tempo: pensamentos insistentes que o alertavam de que ele sabia muito bem o que poderia fazer para se ajudar, seguido pela culpa, e então, a raiva. Sempre a raiva.

Passava da meia-noite quando se levantou. Cambaleou até o banheiro, tirando a camiseta. Parou diante do espelho. Por um instante, jurou ver as marcas: vermelhas, recentes. Piscou... O reflexo não dizia nada. Ele também não. Apertou os olhos, balançou a cabeça tentando expulsar a imagem. Quis chorar, mas nada saiu. Nenhum som, nenhuma lágrima. Tirou o resto da roupa e entrou no chuveiro. A água fria o atingiu como um golpe. O corpo reclamou, arrepiado, estava frio, mas dentro do apartamento o ar-condicionado estava configurado numa temperatura amena. Minho se abraçou, tremendo. Ao mesmo tempo, sentia sua cabeça focar no ardor incomodo na pele e não na euforia, na paz que ansiava tanto em sentir novamente.


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