Transtornos tecnológicos e o pulso firme dos pais

Transtornos tecnológicos e o pulso firme dos pais

Jeferson Luis da Silva


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O transtorno tecnológico gera um padrão contínuo e inadequado de comportamento, comprometendo a rotina de vida do indivíduo e os relacionamentos sociais. O "vício tecnológico" tem sido identificado em todas as idades, atuando como um gatilho para ansiedade, depressão e outros transtornos mentais.


O King's College, de Londres, acompanhou mais de 120.000 crianças e adolescentes entre 6 e 19 anos de idade, em diversos países, por vários anos. Foram detectados nesse período efeitos negativos relacionados ao uso de aparelhos eletrônicos de comunicação. Foi observado má qualidade do sono, obesidade e depressão infantil entre outros problemas, motivados pelo uso desregrado de celulares, tablets e computadores em geral. Diversos textos foram elaborados, incluindo um sobre o risco de problemas do sono em crianças onde foi alertado que: "O transtorno do sono na infância é conhecido por ter efeitos adversos na saúde, incluindo dieta pobre, obesidade, comportamento sedativo, redução da função imune e crescimento atrofiado, bem como vínculos com problemas de saúde mental." (King's).


A preocupação do efeito do uso tecnológico excessivo em crianças tem crescido nos últimos anos. Em 2017 o Sistema de Aposentadoria dos Professores do Estado da Califórnia, junto com a empresa Jana Partners, enviaram um pedindo à fabricante Apple para que considere o desenvolvimento de um software intuitivo que permita aos pais realmente limitar o uso do telefone. O pedido foi motivado pela constatação do crescente vício em telefone entre os jovens nos EUA. É crescente o número de pais relatando aos professores que seus filhos não conseguem se afastar dos celulares.


Parece existir um dilema sério em relação as prestadoras de serviços e fabricantes de tecnologias de comunicação. Trabalhar para frear o uso tecnológico, auxiliando na conscientização dos problemas causados pelo uso excessivo pode acarretar significativa perda de lucros. Devido a esse dilema, o ônus dos riscos tecnológicos fica exclusivamente para os pais administrarem junto aos seus filhos.


Existe um consenso cada vez maior em todo o mundo, que as potenciais consequências em longo prazo das novas tecnologias de comunicação precisam ser pensadas atentamente, se nada for feito, uma geração doente, emocionalmente comprometida e viciada em tecnologia é o que podemos esperar para o futuro.


Basicamente, em termos de sociedade, a questão é se conseguiremos adquirir consciência quanto ao uso tecnológico ou se viraremos reféns de uma nova forma de vício generalizada. Você está conseguindo educar seus filhos sobre tecnologia?