To.JI-O Nights — Carpe Diem.
@Tokyo Dome, Tokyo.Setlist:
1 — Love? (Acoustic) (3:32)
2 — We don't care no more (Acoustic) (3:23)
3 — Fall (Acoustic) (2:45)
4 — i don't miss you (4:05)
A antecipação era tátil — desde a palpitação no peito de JI-O, até o silêncio quase ominoso da plateia. Além de ser o fechamento do fim de semana, o show também marca a primeira aparição pública de JI-O desde as polêmicas do ano passado. Sabendo que estava em escrutínio por todos: mídia, fãs, netizens, investidores, até mesmo da empresa, o mínimo que deveria fazer era o melhor.
Apesar da estética das noites de Tóquio estar presente na montagem do palco, diferente das outras apresentações. JI-O solicitou à produção para que atenuassem os tons de neon e fizesse da iluminação o menos agressiva possível. E assim que o relógio bateu as 21h, fez seu caminho — andando em passos igualmente temerosos e lentos até a frente do palco, onde apenas dois microfones, o pedal de loop e seu violão lhe esperavam, anúncio claro de que a apresentação será inteiramente acústica e solo por parte do artista.
Pulando os cumprimentos, vestiu a alça do instrumento e começou uma batida calma com a mão contra a madeira, lentamente incorporando as cordas e harmonias com o auxílio do pedal, ao longo dos segundos revelando sua primeira faixa: Love?. Essa abertura é quase como um pedido de desculpa para seus fãs de longa data; a versão, mais lenta, de seu debut e primeiro sucesso, passa suavemente no ouvida da plateia, que nem se atreve em cantar junto, apenas aplaude a apresentação e o artista por sua volta.
"Tóquio! Obrigado por estarem aqui e por acreditarem em mim. Essa noite não é só para JI-O, mas de mim para todos vocês que aguardaram meu retorno." — Quando as luzes se aumentaram, o holofote sobre si, JI-O falou, as palavras em japonês que passou o dia todo ensaiando. "Que a Carpe Diem seja uma aventura inesquecível para todos nós." — agora em coreano e um sorriso tímido, mas ligeiramente mais confiante que seu semblante, mostrou o polegar para o público, puxando deles mais aplausos e gritos, ajeitou a postura ao que começou a preparar as batidas para a próxima música.
We don't care no more, B-side de seu álbum completo, mantendo a linha mid-tempo e mais íntima do show, que nem parece que é conduzido num dos maiores e mais renomados estádios da Ásia inteira. Após manter a batida linear da música no pedal de loop, JI-O se permite andar mais pelo palco, sorrindo e acenando para fãs nas grades, até mesmo se aproximando de uma das câmeras que o transmite para os telões, segurando ao lado da lente e cantando a ponte da música enquanto mantém contato visual, virando-se ao seguir a batida que preparou ali, finalizando a faixa com a conclusão da música e encerrando a primeira metade do show.
Num ato inesperado, tornou ao centro do palco onde começou a apresentação, pegando seu violão e um dos tripés, apenas, caminhando até a frente, onde se sentou no chão e abaixou o microfone até sua altura, apoiando o violão sobre as pernas cruzadas e anunciando para o público. "Quero que cantem comigo, por favor." — Pede, começando a tocar a música, que é originalmente no piano, de memória, as notas de Fall tomando conta do estádio, junto à voz de seus fãs, que praticamente guiam o artista pela faixa.
Tentando segurar o choro, JI-O, ao final da música, observou aquele mar de pessoas; sabe que boa parte não está ali para o ver, mas há semanas atrás, jamais pensou que poderia viver, ou ver, isso de novo. A reação, transmitida pelo telão, traz mais uma onda de aplausos para o artista, que se levanta, sabendo bem do seu compromisso com o tempo e arrastou o equipamento consigo de novo.
"Essa música não é para vocês, prometo. Mas cantem comigo também, é importante para mim. E se você se identifica... Bota pra fora." — Brinca, ainda lutando contra o próprio nó na garganta. Esse fechamento é crucial para JI-O, uma vez que é sua primeira vez apresentando essa faixa ao vivo, e jamais sonhou que seria justo no Tokyo Dome de todos os lugares. As cordas começam, sem se preocupar com o loop, apenas se entregando ali ao que se esforça para entregar seu melhor com algo que deveria ser fácil para si. Com o segundo pré-refrão e refrão sendo cantados em japonês, algo que quebrou a cabeça nos últimos dias tentando fazer, proclamando o idioma estrangeiro de memória, quase como um agradecimento ao público e pela oportunidade. A expressão, nitidamente emotiva, escaneava toda a extensão dos que estavam ali, só se fechando em olhos fechados para conter a emoção do último refrão, mais visceral que o restante da música.
Soltando o violão com um suspiro e ombros se relaxando, JI-O sorriu novamente, ligeiramente abobado, ligeiramente emocionado, curvando-se em uma reverência para o público e agradecendo uma última vez no microfone, a voz nitidamente embargada, antes de se virar e, assim, encerrar a inauguração da tour.