The Generations Issue #01: Danny Wolf

The Generations Issue #01: Danny Wolf

W Magazine
Capa 1 da WMAG de Outubro, edição 2.

Danny Wolf pode estar vivendo um dos casos mais fascinantes de estrelato ou redenção, mesmo no começo de sua promissora carreira. O cantor americano, que lançou um álbum praticamente sem ajuda de ninguém, viralizou na internet - essa, que batizou uma turnê de teatros completamente esgotadas - tem pinta de veterano (e não, ele não é aquela pessoa como todos acreditavam ser), mas o ar sonhador e esperançoso que todo iniciante vibrante carrega inebria e encanta, marcando-o como a mais proeminente estrela de sua geração no momento. Conversamos com Wolf em Nova York, um dia antes de partir para Londres e assistir ao SCAD, para a capa da The Generations Issue.


Danny, é um prazer enorme receber você na edição tripla da W Magazine desse mês. Como você está se sentindo hoje?


DW: Eu é que agradeço o convite! É literalmente a primeira vez que sou entrevistado por uma revista, então o nervosismo fica lá em cima. Mas vamos lá. Foco, força e fé. [risos]


Na data dessa entrevista, um dia antes da realização do SCAD, você foi o líder de indicações com 14 nomeações, incluindo categorias principais. Como você se sentiu vendo seu nome incluído em quase todos os prêmios possíveis?


DW: A ficha só começou a cair depois da sexta indicação anunciada. Acho que era Best Alternative Artist. Eu achei que iria parar por ali, porque já era o maior número de nomeações que eu tinha em qualquer premiação dessa indústria. A Serina, que tá me ajudando na transição pra Innersound, foi gritando meu nome nas oito indicações que vieram depois. Todos nós da gravadora assistimos tudo numa chamada via Zoom, e foi surreal. Eu não sabia o que fazer, não sabia o que dizer, acho que fiquei em silêncio por tempo demais porque nunca passou pela minha cabeça que isso fosse acontecer. Todas as outras premiações meio que deram três ou quatro indicações pra mim, o que já era ótimo se considerar como comecei a carreira, mas quando o Scad veio e me notou em tantas categorias, ao lado de tanta gente imensamente talentosa… me senti grato. Meio que validou todo o meu esforço em escrever minha vida em canções.


Seu primeiro álbum, "I Wrote This Instead Of”, foi um lançamento que passou despercebido por muitos artistas, gravadoras e pelo público no momento em que saiu, mas atualmente é um projeto que tem gerado uma atenção enorme. É estranho pra você essa reação "tardia" ao seu disco?


DW: Não deixa de ser estranho, mas é compreensível por conta de tudo o que aconteceu envolvendo o meu nome na época em que o álbum estava em divulgação absoluta. Por um momento, eu até achei mesmo que a era iria se encerrar tão solitária quanto começou. Acho que as coisas começaram a mudar depois que lancei “all you have” como single, vi mais pessoas chegando, vindo aos meus shows da The Internet Tour, compartilhando meu trabalho na internet, e a mesma coisa aconteceu depois que “favorite” virou single. Até hoje ainda recebo comentários de pessoas que viram o “i wrote this instead of” recentemente e adoraram as composições, o que é muito legal, porque você só faz um álbum debut uma vez em sua vida e você não quer fazer feio. Se as pessoas já gostaram do que tive a oferecer logo na estreia, a expectativa de gostarem ainda mais dos álbuns futuros fica mais alta. Eu amo meu debut com todas as forças.


Há um toque de R&B, música alternativa, e claro, canções muito confessionais e impactantes em toda a sua duração. Por que você decidiu embarcar nestes gêneros no seu primeiro álbum? Segurança, influências fortes, ou apenas uma decisão de impulso?


DW: “i wrote this instead of” precisou ser um disco R&B porque os temas que tratei nas letras casam perfeitamente com a estética, com a cultura, com a sonoridade do rhythm and blues, que consiste em batidas graves, um fundo minimalista e um foco maior na sua voz para que você conduza o mood da música. O mood das canções do meu debut era mais intimista, falava de relações carnais, familiares e internas, também. Era o som perfeito para o que eu queria falar. Isso vai mudar em trabalhos futuros.


Desde a sua chegada, erroneamente seu nome foi envolvido em problemas com uma ex-artista que se passou por você em veículos e gravadoras. Como você enxerga o impacto dessa irresponsabilidade no comecinho de sua carreira, que agora parece estar nos trilhos certos?


DW: Eu até hoje não sei medir a dimensão do quanto essa confusão me prejudicou no começo da carreira. Foi até mesmo algo que eu falei no meu documentário “i filmed this instead of”, quando falei que comecei a carreira querendo ser independente para entender a indústria por conta própria antes de subir ao sucesso… e talvez isso tenha gerado a desconfiança de algumas pessoas quanto à minha identidade. Houve uma época, quase no fim do ano 8 e até quando eu já estava em turnê, que eu pensava em desistir de fazer música porque não sabia por quanto tempo mais eu sofreria esse ostracismo da indústria. Era sufocante saber que haviam pessoas dispostas a me apoiar, mas que tinham medo de fazer isso publicamente. Sou muito grato ao fato de que tudo se resolveu, grato a Naomi e PRAYØR por terem sido uma luz nessa resolução e espero que as pessoas olhem para mim agora e me vejam por quem eu realmente sou, pela minha verdadeira identidade e pelo que posso oferecer de bom aos amantes de música pelo mundo.


Dentre os novatos do ano 9, você é certamente um dos melhores compositores e tem gerado mais e mais atenção de artistas importantes. Você sente que isso traz uma responsabilidade maior pros seus futuros trabalhos, talvez uma cobrança?


DW: Melhores compositores? Talvez seja um exagero. [riso nervoso] Mas demorou um pouco para toda a atenção positiva se tornar uma autocobrança em mim. Passei muito tempo apenas aproveitando o carinho que recebi dos mais diversos colegas na indústria, agradecendo o apoio deles, e sabendo que teria de recompensar toda essa atenção em algum momento. Quando voltei ao estúdio para gravar meu segundo álbum, a autocobrança caiu toda de uma vez. Foi difícil escrever por um tempo, porque eu queria dar meu melhor. Até que teve uma vez em que eu conversei com Zaylee, que era minha colega quando eu era parte da Waves Records, e admiti que queria reintroduzir meu nome na indústria antes de tudo, e ela concordou que era o melhor a se fazer. Foi quando tirei toda essa pressão dos meus ombros e decidi apenas usar essa nova era para apresentar quem é Danny Wolf, mais uma vez, a quem não me conhecia antes.


Seu último single, “Sinner's Lament”, tem uma composição interessante e uma faceta melancólica e confessional, numa linha similar ao seu primeiro disco. Como surgiu a ideia para a canção, quando e como você a compôs e por que decidiu a escolher como o primeiro gostinho dessa nova fase de sua carreira?


DW: “Sinner’s Lament” era basicamente a única música escrita para o álbum naquele momento que era mais acessível ao grande público, que não precisava de outras faixas do álbum para ser entendida. Quis introduzir minha nova era dessa forma para que o público entendesse que esse será um disco sobre um coração partido, sobre aquela neblina que te cega quando você se apaixona perdidamente por alguém que nem vai notar sua presença ali. Essa canção representa esse sentimento para mim. Eu a escrevi depois de um período que passei no Brasil, de férias, e acabei vivendo esse sentimento exatamente da forma como a canção descreve. Usando uma vibe meio latina, mas não ao ponto de classificar “Sinner’s Lament” como latin music, escrevi essa confissão à minha própria maneira. Acredito que há músicas melhores no álbum, mas quero que meus fãs descubram isso depois.


Novamente sobre os artistas contemporâneos, além de seu nome, óbvio, quem você enxerga como os grandes destaques?


DW: Mesmo com pouco tempo na indústria, já tive a honra de trabalhar com nomes recém-chegados no mercado que tenho certeza que irão muito longe com suas obras. Conheci pessoas como Tammy, cujo álbum “reprise” é um dos mais conceituais que já vi em muito tempo e foi brilhantemente escrito e produzido dentro de sua concepção.


Também admiro as estratégias de divulgação que o Tempestade usou para “Sociedade Hiperbólica” e todo o hype que MONI está gerando pro debut dela, algo que estou muito ansioso para ouvir. E sou muito fã e amigo do Yujin, com quem trabalhei em sessões para o primeiro disco dele, que deve chegar muito em breve. Vejo um grande futuro nele. Admiro pessoas como Donatello, Sofia Grady e Petter, que não está mais entre nós. (O que é uma pena. Eu gostava dele.)


Dos veteranos, quem são suas maiores inspirações? Algum nome, ou um projeto em específico?


DW: Sei que sou um artista alternativo agora, mas sou fissurado na estética trazida pelos álbuns pop de Colen e Penelope. Elas estão ajudando a redefinir o cenário pop na indústria para mim, o que é muito legal de se ver. Lembro que um dos primeiros artistas por quem me interessei quando cheguei no ano 8 foi, coincidentemente, o PRAYØR. “Atlas/Atlantis” ainda é uma das minhas canções favoritas da vida. E recentemente ouvi o EP novo do Noan Ray e me deixei ser conquistado pela lírica confessional dele. Precisamos de autorias assim na música.


Agora você faz parte da Innersound, uma das maiores gravadoras da indústria nesse momento. Como é estar entre tantos novatos como você, mas também ao redor de uma gama vasta de ícones de todos os gêneros, numa staff completamente feminina?


DW: Estar numa gravadora com administração totalmente feminina casa completamente com o que eu gostaria de ver mais na indústria, que é uma presença mais forte de mulheres autoras de suas próprias histórias e trabalhando com outros nomes, também. Dois dos meus próximos trabalhos estão justamente nas mãos de duas artistas femininas, o que foi uma mera coincidência, mas acabou sendo muito bom de ver outras perspectivas acerca do que planejei para essa nova era. A Innersound já é uma grande família para mim, me afeiçoei a todos os membros e à variedade de coisas que eles trazem ao meio.


Quais são as suas maiores aspirações enquanto artista? Longevidade, versatilidade, qualidade, quantidade?


DW: Penso muito na versatilidade. Quero que cada álbum meu tenha sua própria estética, sua própria sonoridade, que nada se pareça com o que veio antes em minha carreira. Meu segundo álbum traz liricismo e sonoridade diferentes do “i wrote this instead of”, e espero que meu terceiro, quarto e quinto álbuns também sejam diferentes um do outro. Sei que terei um público fiel nessa jornada, e sei que eles não vão querer a mesma coisa sempre, então quero trabalhar em mostrar diferentes facetas de quem sou por meio da minha música. Sobre longevidade, qualidade e quantidade, são coisas que acho que todo artista quer, não é? Manter-se com seu próprio trabalho sabendo que será recompensado até o fim da carreira… seria incrível ser um desses artistas.


Se essa fosse a sua última entrevista, o que você gostaria de deixar registrado ao público e seus fãs como a frase de ultimato para definir você e sua carreira num todo?


DW: “Nunca se repita. Sempre se supere. Nunca desista. Sempre se reinvente.”

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