Tempestades.

Tempestades.

Allen

Quando eu tinha doze anos e Akira tinha sete, nós entramos naquela fase gostosa de querer viver aventuras, descobrir mais sobre o mundo que na verdade, ainda era o nosso bairro. Depois das aulas sempre tínhamos algum parque para brincar, uma trilha para fazer, um novo jogo para jogar e quase tudo era novidade. Tudo parecia leve e divertido, porque naqueles tempos não existiam preocupações maiores do que os meus deveres de matemática ou o medo dele em ir ao banheiro de noite e sozinho.


Mas a verdade é que eu sempre iria segurar a mão dele e caminhar pelo escuro até que chegássemos ao banheiro.


E sinceramente, ele continuava me achando o garoto mais legal de todo o mundo mesmo com as minhas notas baixas em tudo o que envolvia ciências exatas.


Posso me lembrar perfeitamente daquela tarde onde nos aventuramos em visitar um antigo templo budista que estava parcialmente abandonado. Tinha feito sol o dia inteiro, por isso não estávamos preparados para o momento em que o céu nublou, as gotas frias e pesadas de água caíam sem piedade enquanto corríamos para nos abrigar dentro daquele templo enquanto os trovões e relâmpagos começavam a se presentear naquela situação e Akira deixava o pânico estampar o seu olhar sempre tão doce.


Não tive outra escolha senão escondê-lo embaixo de uma mesa, usando a toalha que cobria esta para cobrir aquele garoto assustado e todo encolhido. Eu precisava impedir que ele continuasse vendo os relâmpagos, precisava distrair aquele que tanto amava e hoje, diante uma tempestade parecida com aquela, pude cuidá-lo quando ele se escondia no meu abraço, me agarrando daquele jeitinho medroso de sempre mas não menos adorável.


Eu só quero te lembrar que estarei aqui nos dias bons e principalmente nos dias tempestuosos. Eu te amo e você é o meu bem mais precioso nessa e em todas as nossas próximas vidas.

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