São Bento 6
CARTA ENCÍCLICA
FULGENS RADIATUR
DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII
(Continuação)
8. E como a fama da sua vida andasse já na boca dos povos vizinhos e se fosse divulgando de dia em dia, não só os monges das redondezas acorriam a alistar-se sob a sua direção, mas os habitantes das redondezas vinham, às turmas, escutá-lo, admirar-lhe as egrégias virtudes e, enfim, presenciar os prodígios que freqüentemente operava mediante a graça do Senhor. Começou, então, aquela vívida luz, que irradiava da sombria gruta de Subiaco, a difundir-se e brilhar por lugares distantes. "De maneira que, já os nobres e religiosos da cidade de Roma afluíam à gruta, a suplicar ao santo que lhes educasse os filhos na escola do Senhor".(9)
9. Compreendeu, então, Bento perfeitamente que eram chegados os tempos, predefinidos nos planos da Providência, de se lançar na fundação duma nova família religiosa e de a modelar, com esmero, nos moldes da perfeição evangélica. Não lhe faltaram, logo de princípio, felizes esperanças. Muitos foram "os que reuniu em sua volta ao serviço de Deus Onipotente, ... a ponto de, com a ajuda de nosso Senhor Jesus Cristo, aí construir doze mosteiros, distribuindo doze monges e um padre espiritual por cada um e retendo consigo os que julgou conveniente preparar ainda melhor".(10)
10. Contudo, enquanto a iniciativa procedia com venturosos prenúncios de futuro, toda se coroando já de copioso fruto e desabrochando em promessas de mais e melhor, Bento sentiu, com profunda tristeza, cair-lhe sobre a tenra e promissora seara o furacão da procela, que a inveja e cupidez humana tinham levantado. Não se guiava Bento do conselho dos homens, mas de Deus e, receando viesse a redundar em dano dos seus o rancor e ciladas que só contra si maquinavam, agregando aos mosteiros, que já havia fundado, novo contingente de irmãos e provendo-os de superiores, foi demandar com alguns religiosos outras paragens.(11) Confiado em Deus e em seu auxílio certo e oportuno, encaminhou-se, pois, para as bandas do sul e chegou ao local "que se chama Cassino, nas abas dum monte do mesmo nome, onde outrora se erguera um templo consagrado, pelos costumes e ignorância dos gentios, ao oráculo de Apolo. Tinha esse, em roda, um bosque dedicado ao demônio, onde, ainda ao tempo do Santo, acorria a dementada multidão dos infiéis com sacrílegos sacrifícios. Chegando aí o homem de Deus, derribou o ídolo, demoliu o altar, pôs fogo ao bosque, e consagrou o templo à honra de S. Martinho e o altar do deus a s. João Batista. Depois, voltou-se à pregação e levava à verdadeira fé as populações que viviam em roda".(12)
(Continua...)
Fonte: https://www.vatican.va/content/pius-xii/pt/encyclicals/documents/hf_p-xii_enc_21031947_fulgens-radiatur.html