São Bento 25

São Bento 25


Vida de São Bento segundo São Gregório Magno



CAPÍTULO XIII. O IRMÃO DO MONGE VALENTINIANO, QUE COMERA EM VIAGEM.

O monge Valentiniano, já mencionado no início, tinha um irmão, homem leigo mas piedoso, o qual, para receber a bênção do homem de Deus e visitar o irmão, costumava anualmente ir, em jejum, da sua casa ao mosteiro. Certa vez, quando estava em viagem para ali, associou-se-lhe outro viajante, que levava alimentos para a jornada. Quando a hora ia adiantada, este disse-lhe:

"Vamos, irmão, comer alguma coisa

para não nos cansarmos no caminho".

Aquele, porém, respondeu-lhe:

"Longe de mim, irmão; não farei isto,

pois sempre tive o costume de comparecer em jejum

ante o venerável Pai Bento".

Ouvindo esta resposta, o companheiro calou-se por algum tempo. Depois, porém, de terem caminhado mais um pouco, insistiu novamente em que comessem. Aquele que decidira chegar em jejum, recusou. O que convidara, então, tornou a calar-se, e consentiu em prosseguir um pouco mais com ele, sem comer.


Quando caminhavam mais adiante e a hora tardia chegou a fatigá-los de tanto andar, deram com um prado e uma fonte, e tudo mais que podia parecer agradável para restaurar o corpo. Disse, então, o companheiro de viagem:

"Aqui temos água, temos relva e temos um lugar ameno,

onde podemos recobrar forças e descansar um pouco,

a fim de terminar em boas condições a nossa marcha".

Com os ouvidos afagados por essas palavras e os olhos seduzidos pelo lugar, o irmão de Valentiniano deixou-se persuadir pelo terceiro convite; consentiu finalmente e comeu.


À tardinha chegou ao mosteiro. Levado à presença do venerável Pai Bento, pediu-lhe que o abençoasse. Mas no mesmo instante o santo homem exprobrou-lhe o que fizera em viagem, dizendo:

"Como é, irmão, que o maligno inimigo,

que te falou pela boca do companheiro,

não conseguiu induzir-te nem da primeira vez,

nem da segunda,

mas da terceira convenceu-te

e alcançou sobre ti a vitória que planejava?"

Reconhecendo então, a culpa do seu fraco espírito, o visitante prosternou-se aos pés do santo, e tanto mais chorava e se envergonhava, quanto via que, apesar da distância, a sua falta fora cometida ante os olhos do Pai Bento.


PEDRO: Bem vejo que no coração desse santo homem habitava o espírito de Eliseu, que esteve presente ao discípulo distante (4 Reis 5,26).



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