São Bento 53
CARTA ENCÍCLICA
FULGENS RADIATUR
DO SUMO PONTÍFICE
PAPA PIO XII
(Continuação)
III. ENSINAMENTOS "DA REGRA BENEDITINA"
PARA O MUNDO CONTEMPORÂNEO
24. Julgamos, pois, particularmente oportuno que todos, nesta ocorrência centenária, recordem e refletidamente considerem o objeto desta nossa carta, a fim de mais facilmente se prepararem para celebrar e exaltar estes gloriosos fastos da Igreja e abraçar, também, de vontade generosa e eficaz, os ensinamentos que eles encerram.
25. Porque, nem só os velhos tempos tiveram motivos de esperar do santo patriarca e da sua ordem os inumeráveis benefícios da sua ação. Os contemporâneos têm a aprender dele muitas e importantes lições. Em primeiro lugar, os seus próprios filhos, numerosíssimos, aprendam a caminhar corajosamente - o que de resto não duvidamos - na trilha luminosa de seus passos e a assimilar, na prática da vida cotidiana, os princípios de santidade e de virtude que lhes legou. Assim, hão de não só corresponder, por certo com mais rendimento e vontade, ao chamamento divino que seguiram por uma quase espécie de instinto celeste, quando lhes amanheceu na alma a graça da vocação religiosa, mas também, de consciência serena e com tranqüilidade, poderão trabalhar mais eficazmente para a comum utilidade da família cristã.
26. Além disso, qualquer classe social, que se debruce, estudiosa e atentamente, sobre a vida e Regra do santo patriarca, não poderá deixar de lhe sentir o poderoso impulso renovador e de espontaneamente reconhecer que o nosso tempo, oprimido com tantas ruínas e ameaçado de tantos perigos, poderá haurir nessa fonte o preservativo necessário. Antes de mais, recorde-se e maduramente se considere que os princípios augustos da religião, as normas da moral e as bases da sociedade estariam mais seguros e mais firmes; e que, debilitados ou subvertidos estes, tudo o que se prende com a ordem, com a paz, com o progresso dos cidadãos e dos povos, se há de ir, quase necessariamente, desmoronando. Já um espírito pagão, mas culto e inteligente, notou esta verdade, tão belamente demonstrada pela história da Ordem Beneditina: "Vós, pontífices - dizia ele - defendeis mais fortemente a cidade com a religião do que com as muralhas". (40) E ainda: "Se abolirem (a religião e a moral), seguir-se-á a insegurança da vida e a desordem; se vier a extinguir-se a piedade para com os deuses, ignoro se a fé, a sociedade humana e a mais excelente de todas as virtudes, a justiça, poderão ainda subsistir".(41)
27. Portanto, é absolutamente fundamental prestar culto ao Nume supremo e obedecer, pública e particularmente, às suas leis santíssimas. Sem elas, poder algum humano terá jamais freios para coibir e domar o conflito das paixões públicas. Pertence exclusivamente à religião o privilégio de dar estabilidade e firmeza aos princípios do honesto e do justo.