São Bento 51

São Bento 51


CARTA ENCÍCLICA

FULGENS RADIATUR

DO SUMO PONTÍFICE

PAPA PIO XII


(Continuação)


II. BENEMERÊNCIAS DE S. BENTO 

E DA SUA ORDEM PARA A IGREJA E A CIVILIZAÇÃO 

20. Depois de passar o santo Patriarca desta vida, com trânsito feliz, a Ordem, que fundara, enformada e conduzida pelo exemplo sempre vivo de suas virtudes e encorajada pela sua intercessão paternal, longe de decair e esmorecer, expandiu-se, largamente, nos anos subseqüentes.

21. Qual tenha sido a ação poderosamente reconstrutiva dos monges, na idade média, quais os serviços por eles prestados nos séculos seguintes, todo historiador imparcial, que explore serenamente os fatos, o há de reconhecer. Efetivamente, os beneditinos, além de terem sido como salientamos já - quase os únicos que nessa época tenebrosa, ignorante e dissolvente, se deram ao trabalho de nos conservarem intactos os amarelecidos códices da literatura antiga, transcrevendo-os e comentando-os pacientemente, foram também eles, sobretudo, que pelo exercício das artes, das ciências e do magistério proporcionaram à cultura e ao ensino impulso notável. Assim como se pode dizer que a Igreja católica deve o brilhante desenvolvimento e firmeza dos seus três primeiros séculos ao sagrado sangue dos mártires e que foi devido à ciência e energia dos santos padres, que, no seguinte, conservou intacta do contágio demolidor das heresias a pureza imaculada de seus dogmas, podemos igualmente afirmar que, ao desmoronar-se o império romano e surgirem as invasões dos bárbaros, foi providencial a aparição da ordem beneditina e de seus florentíssimos mosteiros, destinados a indenizar a Igreja das perdas sofridas, pacificando pela pregação do evangelho os novos povos, harmonizando-os fraternalmente entre si num esforço reconstrutivo, enformando-os, enfim, daquele conjunto de virtudes que derivam dos preceitos do Salvador. À marcha das legiões romanas, que rolavam pelas vias consulares a fim de subjugarem ao império de Roma os povos distantes, sucedeu, com efeito, o exército pacífico dos monges, desprovidos de "forças materiais, mas armados do poder que vem de Deus" (2 Cor 10, 4), enviados pelo sumos pontífice a dilatar o reinado de Jesus Cristo até aos confins da terra, não com a espada, o pavor do saque, da carnificina, mas com a cruz e o arado, com o amor e a verdade.


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