São Bento 121

São Bento 121


A MEDALHA DE SÃO BENTO

Por Dom João Baptista Barbosa Neto, OSB


HISTÓRIA DA MEDALHA DE SÃO BENTO


A famosa Medalha de São Bento, hoje tão difundida, traz uma oração com palavras que o santo costumava pronunciar. Conforme sua biografia, ele sempre fazia o Sinal da Cruz ao acordar, ao dormir, ao alimentar-se, ao iniciar um trabalho... Esse gesto o mantinha em sintonia com Deus. Afinal, foi pela Cruz que fomos salvos.


Não se sabe ao certo quando se começou a usar a Medalha de São Bento. Alguns estudiosos defendem que desde o século XII. Era chamada inicialmente de CRUZ DE SÃO BENTO. O termo medalha é posterior. Isso porque o que importa aqui é o Sinal da Cruz.


Até se chegar à medalha de São Bento ou à oração nela contida, há um percurso desde os primórdios do cristianismo quanto ao Sinal da Cruz, à sua bênção ou ao objeto e sua adesão como símbolo de fé.


Há diferentes formas de Cruz: grega, latina, bizantina, celta, maltesa, copta, ancorada, de Jerusalém, de Santiago, de Santo André... Enfim, é a identidade do cristão, a partir das diferentes culturas em que ele está inserido.


Na história da arte cristã, a representação da Cruz é bem antiga, apesar de não muito frequente, principalmente com o Cristo. Eram bem mais comuns as representações do Bom Pastor, do peixe ou do cordeiro.


A mais antiga representação da Cruz é um grafite gravado em gesso, da época de Nero, encontrada no Paedagogium Imperial, sobre o monte Palatino. Ela traz a inscrição em grego: Alexamenos ora ao [seu] deus. Trata-se de um grafite pejorativo contra os cristãos. Nele, há um homem (Alexamenos) de pé, com um dos braços levantado, posição comum que sugere adoração, diante do seu “deus” crucificado, com corpo humano e cabeça de burro. Alexamenos era cristão, e o seu “amigo” pagão ridicularizava sua fé.3


Nos séculos II e III, passou a ser frequente a representação da Cruz, de maneira disfarçada, nas catacumbas. Apenas no século IV é que a Cruz ganha espaço e representação de destaque.


No ano de 312, o imperador romano Constantino [272?-337], ao defender seu direito ao império contra Maxêncio [278--312], que não o reconheceu ao cargo, empreendeu uma batalha contra este. Na noite anterior à batalha contra as forças de Maxêncio, Constantino tivera um sonho no qual aparecia uma Cruz, e nesta estava grafada a seguinte frase: In hoc signo vinces (sob este sinal vencerás). Por causa desse ocorrido, antes de a batalha começar, Constantino ordenou aos seus soldados que pintassem o símbolo cristão, o lábaro, em seus escudos, e, de certa forma, isso acabou lhe dando a vitória.


No ano seguinte, houve a assinatura do Édito de Milão, pelo qual o imperador permitiu o livre culto dos cristãos e deu fim à perseguição religiosa contra eles. O imperador converteu-se ao cristianismo, deu-se início a construção de igrejas em diversos lugares, dentre as quais as antigas basílicas. A Cruz começou a ser ricamente representadas nessas igrejas e em objetos de cultos, além das joias dos nobres.


A mãe de Constantino, Helena [250?-330], havia se convertido ao cristianismo antes dele e influenciou o filho quanto à religião. Ela tinha grande interesse pelos primórdios do cristianismo e seu empenho para restaurar objetos que a ele fazia alusão foi deveras grande. Foi uma espécie de arqueóloga da antiguidade, pois, em 326, encontrou a SANTA CRUZ na qual o Cristo fora crucificado e, nesse local, foi construída a Igreja do Santo Sepulcro. No dia 14 de setembro de 335, nove anos após o achado, na dedicação da Igreja do Santo Sepulcro, a Santa Cruz foi exposta, como sinal da redenção da humanidade. Isso também explica o fato de a iconografia representar Santa Helena segurando uma grande Cruz.


Da Cruz que Helena havia encontrado, muitos fragmentos foram arrancados e postos em relicários, que se espalharam por muitos lugares da Europa. Estes são comumente conhecidos como Santo Lenho.


A partir de então, com o Santo Lenho, nas solenidades e festas, e principalmente durante pestes e catástrofes sofridas por algum lugar, eram oferecidas bênçãos.


A exposição do Santo Lenho foi se propagando em muitos lugares, tanto que já se celebrava no Oriente, no século V, em 14 de setembro uma festa da Cruz, como recordação do encontro da Cruz de Cristo por Santa Helena. No Ocidente, há registro dessa festa no século VII. As igrejas que possuíam uma relíquia maior da Cruz encontrada por Santa Helena expunham-na para veneração dos fiéis. Esse ato ficou conhecido como Exaltação da Santa Cruz.


Também os sacerdotes davam a bênção pelo Sinal da Cruz, não necessariamente com o lenho da Santa Cruz ou com qualquer objeto em forma de Cruz, mas com um gesto no qual faziam o Sinal da Cruz com os dedos, no ar ou na testa de alguma pessoa.


Uma simples Cruz de madeira era um dos objetos que os primitivos monges, os Padres do Deserto, possuíam. Algumas vezes, seguravam-na nas mãos e meditavam as passagens do sofrimento do Homem-Deus; outras, dependuravam-na na parede e contemplavam esse sinal. Era a Cruz, para eles, um nobre troféu.


Herdeiro desse costume, séculos depois, São Bento repetia esses gestos, e, também com uma Cruz de madeira ou de metal nas mãos, afugentava toda ação do demônio.


Diz-se que a representação do santo segurando a Cruz é bem antiga, datando do século XI, pelo menos, tendo aparecido com tais características a São Leão IX, Papa, e ele gostava de narrar a história sempre que tinha oportunidade. Essa aparição ocorreu quando Leão era ainda jovem, após ter sido atacado por um enorme sapo enquanto dormia. Parece esta ter sido também a aparição de um demônio na forma do horroroso anfíbio. Acontece que o jovem sofreu muitíssimo, quase chegando à morte, devido à inflamação decorrente do veneno do bicho. No leito, quando parecia não haver mais jeito, enquanto ele estava sozinho, apareceu-lhe um homem de idade avançada, vestido de monge, tendo um cajado com ponteira de Cruz. Ele se aproximou e, com a Cruz que trazia, tocou a testa e as inflamações do corpo do doente, fazendo o veneno sair por uma abertura na orelha. Aconteceu, assim, sua cura. Isso demonstra o poder da Cruz, a relação de São Bento com esse sinal e a devoção que se formou ao seu redor.


Dom Prosper Guéranger (1805-1875), venerável abade da Abadia de São Pedro de Solesmes, na França, em ensaio sobre a Medalha de São Bento4, afirma que havia no mosteiro de Metten, na Baviera, representações da Cruz que impediam o efeito do feitiço de algumas mulheres que praticavam bruxaria e perturbavam os habitantes do lugar. Aliás, esse relato sobre o poder da Cruz de impedir tais feitiços é das próprias feiticeiras, como consta no processo de encarceramento por elas sofrido. E elas não se referiam apenas às cruzes do mosteiro de Metten, mas a toda e qualquer Cruz que estivesse em posse de alguma pessoa, ou em algum lugar. Realmente, havia muitas cruzes na abadia, já com os caracteres da oração da Medalha de São Bento, como conhecemos hoje. Esses fatos ocorreram em 1647.


Sobre a representação daquelas cruzes com os caracteres, até então não se sabia seu verdadeiro significado. Apenas quando se encontrou na biblioteca da abadia um rico evangeliário, esse significado foi descoberto. O livro foi confeccionado em 1415 e trazia desenhos a bico de pena, de autoria anônima. Um deles trazia a figura de São Bento segurando um cajado com uma ponteira em forma de Cruz, e a oração como a conhecemos hoje. Concluiu-se que aqueles caracteres eram as iniciais de cada palavra que forma a oração. Desde então, começou-se a cunhar a medalha, propagando-a em muitos lugares.


A Medalha de São Bento foi aprovada oficialmente pela Santa Sé em 1742, por decreto do Papa Bento XIV (1675-1758), tendo sido concedida inicialmente ao abade do Mosteiro de Santa Margarida de Praga, Dom Bennon Löbl, e a seus monges a autorização para abençoar, exorcizar e distribuir as Medalhas. Na ocasião, foi também autorizada a fórmula da bênção da Medalha.


A partir de então, a Medalha passou a ser difundida com grande força, primeiramente na Alemanha e, depois, em outros países, como a França. Curiosamente, o antigo hábito das Filhas da Caridade, companhia fundada por São Vicente de Paulo (1581-1660), trazia um rosário com a Medalha de São Bento dependurado na cintura. Provavelmente, esse elemento foi inserido pelo próprio São Vicente, que, reconhecendo o poder da Medalha, ofereceu-a às suas filhas, pela intercessão de São Bento.5


Na Basílica do Mosteiro de São Bento, no centro de São Paulo, há no maravilhoso teto, decorado com imagens que contam a história da vida do santo fundador dos beneditinos, diversas Medalhas de São Bento, em diferentes tamanhos, que embelezam ainda mais essa magnífica igreja.


Também em diversos mosteiros beneditinos pelo Brasil pode-se encontrar a Medalha de São Bento em local privilegiado, seja na fachada ou internamente.


A MEDALHA DO JUBILEU


Há diversos modelos da Medalha de São Bento, como comprova o famoso álbum Numismatique Bénédictine, de autoria do arquivista e sigilógrafo A. J. Corbierre, publicado em 1904. Este traz uma variante incrível, na qual se pode admirar, através das pranchas apresentadas, medalhas, selos e sinetes de diversos tamanhos, nos formatos redondo e oval. Traz também cruzes, nas quais todos os caracteres da oração de São Bento encontram-se em suas hastes.


Muitas dessas medalhas omitem a figura de São Bento, ou, quando a representam, fazem-no inadequadamente, isto é, sem seus atributos devidos ou com hábito religioso que não lhe é próprio. Essas inadequações foram superadas após a aprovação do modelo pelo Papa Bento XIV, determinando-se exatamente os elementos que constituíam a verdadeira Medalha de São Bento. Dentre os elementos, além da Cruz com os caracteres que formam a oração que já conhecemos, está a efígie de São Bento, no seu reverso.


Esses elementos estão de modo rigoroso e preciso na Medalha do Jubileu, que, devido à ortodoxia iconográfica, é o seu modelo mais difundido. Chama-se assim porque, em 1880, foi cunhada uma nova medalha para as celebrações do jubileu de 1400 anos do nascimento de São Bento. Essa medalha foi encomendada aos monges artistas beuronenses, na época, tão em evidência.


A nova medalha foi distribuída pela Abadia de Monte Cassino, local onde se encontram as relíquias de São Bento. Mas há de se dizer que existem outros modelos. No entanto, para que a Medalha de São Bento seja considerada verdadeira, é obrigatório que ela contenha em uma das faces a efígie de São Bento e, na outra, a Cruz com as letras iniciais, em latim, das palavras que formam a oração, como a apresentada aqui. Caso não contenha esses elementos, ela pode ser considerada falsa.


A SIMBOLOGIA PRESENTE NA MEDALHA DE SÃO BENTO


A medalha é repleta de símbolos, tanto na frente quanto no verso. O verso da medalha é onde está a Cruz. Na frente da Medalha, encontra-se a efígie de São Bento, de pé, com o capuz do hábito na cabeça, e sobre esta, uma auréola radiante. Ele segura com a mão direita uma Cruz, e com a esquerda, a Regra que escreveu, aberta. Ao lado do santo, podem-se ver elementos que remetem a milagres que ele operou pelo Sinal da Cruz, como a taça com o vinho envenenado e o corvo com o pão, também envenenado, no bico. No entorno da medalha, lê-se: Eius in obitu nostro praesentia muniamur (sejamos protegidos pela sua presença na hora da nossa morte). E, aos pés de São Bento, encontra-se a data em que a Medalha do Jubileu foi cunhada, assim como o local, Monte Cassino.


No verso, encontra-se a oração exorcista de São Bento, com iniciais em latim, e as seguintes inscrições:

CSPB - Crux Sancti Patris Benedicti

(Cruz do Santo Pai Bento)


CSSML - Crux Sacra Sit Mihi Lux

(A Cruz Sagrada seja a minha luz)


NDSMD - Non Draco Sit Mihi Dux

(Não seja o dragão o meu guia)


VRS - Vade Retro Satana

(Retira-te, Satanás!)


NSMV - Nunquam Suade Mihi Vana

(Nunca me aconselhes coisas vãs)


SMQL - Sunt Mala Quae Libas

(É mau o que me ofereces)


IVB - Ipse Venena Bibas

(Bebes tu mesmo do teu veneno!)


Crux Sacra Sit Mihi Lux! Non Draco Sit Mihi Dux! Vade Retro Satana! Non Suade Mihi Vana! Sunt Mala Quae Libas! Ipse Venena Bibas! A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que me ofereces, bebes tu mesmo do teu veneno!


Por fim, logo acima da oração, há o lema mais antigo da Ordem de São Bento: PAX, Paz em latim.


Todo aquele que usa a Medalha de São Bento já está fazendo essa poderosíssima oração. Deve-se, com ela, não apenas ter o respeito devido, mas a confiança do que ela representa.


REQUISITOS PARA O USO DA MEDALHA DE SÃO BENTO


O Catecismo da Igreja Católica ensina que a superstição é um desvio do sentimento religioso, pois afeta o verdadeiro culto prestado a Deus. E o que é superstição? Segundo o ensinamento da Igreja, é atribuir a qualquer objeto, mesmo religioso, a eficácia exclusiva à materialidade, sem levar em conta as disposições interiores necessárias.6


Sendo assim, a Medalha de São Bento não é um amuleto ou objeto da sorte. Seu uso deve ser consciente, e a oração nela contida deve ser recitada constantemente. Ela é um sacramental, isto é, um sinal visível de algo invisível, e é aprovada pela Igreja. Por isso, há requisitos para o seu uso: participar da missa dominical e dos demais Sacramentos; orar diariamente; cumprir os deveres da justiça; fazer caridade. Todas essas práticas resumem os Mandamentos da Lei de Deus e os Mandamentos da Igreja.


BÊNÇÃO E EXORCISMO DA MEDALHA DE SÃO BENTO


Como todo e qualquer sacramental, a Medalha de São Bento deve ser abençoada antes de seu uso. Não se deve comprá-la e já usá-la. É preciso, além de abençoá-la, exorcizá-la. Há uma bênção e um exorcismo específicos, próprios para a Medalha de São Bento, que devem ser realizados pelo sacerdote.


Nos mosteiros beneditinos, é muito comum, após a missa dominical, abençoarem-se as Medalhas diante do altar de São Bento, aspergindo-as com água benta. A mesma bênção é oferecida na celebração do dia desse santo, em 11 de julho.


Dessa maneira, o fiel que desejar obter a bênção de sua Medalha deve procurar um sacerdote, a fim de que ele a abençoe seguindo a fórmula própria...


TESTEMUNHOS DO PODER DA MEDALHA DE SÃO BENTO


O grande poder do uso da Medalha de São Bento é ratificado por numerosos testemunhos. A partir deles, pode-se notar que houve uma inteira confiança na redenção de Cristo pela Cruz. Outro dado importante é a vida em concordância com a mensagem cristã ensinada pela Igreja. Os testemunhos são de graças variadas, desde a obtenção de curas até livramentos e progressos.


Vejamos alguns desses testemunhos:


Monjas do Mosteiro de São João, em Campos do Jordão (SP)7

Em 1964, algumas monjas beneditinas provenientes do Mosteiro de Nossa Senhora da Glória, em Uberaba (MG), empreenderam o projeto de fundar um mosteiro na cidade de Campos de Jordão (SP). Era um verdadeiro desafio.
A população recebeu as religiosas com muita alegria, e a elas ofereceu uma casa, onde pudessem viver o monaquismo inicial. Ora, era uma casa comum para uma família, não para uma comunidade religiosa com 17 monjas.8 Apesar disso, as irmãs aceitaram-na, confiando na providência divina de que, em breve, conseguiriam um lugar apropriado. Elas tiveram de reformar o imóvel pessoalmente e, nele, sofreram muitas privações e até passaram frio. Para sobreviver, faziam e comercializavam artesanato e lecionavam línguas.
Ao saberem que havia uma chácara à venda no bairro Vila Abernéssia, as monjas, mesmo não tendo dinheiro suficiente, foram conhecer o lugar. Na ocasião, uma das religiosas jogou no terreno uma Medalha de São Bento, pedindo pelo Sinal da Cruz que naquele local pudesse ser construído um mosteiro para elas.
Pouco tempo depois, uma das monjas, ao comentar sobre o assunto com uma irmã, recebeu desta a promessa de ajuda financeira para a compra da chácara, que foi efetuada em 1967. No ano seguinte, as irmãs foram viver no local. Passaram a morar na edificação que havia e foram, ao longo dos anos, construindo o mosteiro.
O mosteiro revelou-se um verdadeiro celeiro de vocações e, em 1973, tornou-se priorado independente. No ano de 1981, foi elevado à categoria de abadia, sendo sua primeira abadessa Madre Dolores Souto Maior. Esta governou o mosteiro até 2001, quando renunciou.
No mesmo ano, foi eleita uma nova abadessa, Madre Myriam de Castro, superiora até os dias atuais. Essa jovem abadessa, dando seguimento ao espírito empreendedor das suas antecessoras, com muita luta, construiu uma nova abadia, mais adequada para as religiosas e à vivência comunitária, assim como à acolhida dos milhares de visitantes que acorrem ao local.
Pode-se ver, bem no alto da fachada da atual construção com traços medievais, uma grande Medalha de São Bento em granito, como que a sinalizar o poder da CRUZ de Cristo sobre aquele lugar.
A pequena Medalha de São Bento jogada naquele solo por uma irmã, mais de 50 anos antes, serviu como uma verdadeira semente, que, ao germinar, cresceu e, hoje, mostra-se como uma árvore frondosa em que os pássaros vêm descansar.


Contra o alcoolismo

Conta-se que, ainda no século XIX, uma mulher sofria muito com a embriaguez do marido. Formavam uma família de poucas posses, e o pouco dinheiro que tinham era pego pelo homem da casa para gastar em bebidas, de modo que todos viviam na miséria.
Embora ele fosse uma boa pessoa, estava sob o domínio do demônio do alcoolismo. A esposa, uma cristã piedosa, ao contar sua história a uma amiga, recebeu desta uma Medalha de São Bento e foi instruída por ela a colocá-la sobre a tampa da garrafa de vinho que sempre fica sobre a mesa para as refeições do marido e, ainda, a colocar ao lado uma garrafa com água.
Com muita fé e confiança, fez a esposa sofredora como a havia instruído sua amiga.
Seu marido, ao beber do vinho, como era seu costume, exclamou fortemente: que vinho horroroso. Prefiro água! Apesar disso, prometera ir à taverna, para compensar a frustração que acabara de sofrer. Ele frequentava todas as noites o lugar e sempre voltava embriagado de lá.
À noite, como prometera, foi à taverna, mas quinze minutos depois já estava de volta. Disse à esposa que o vinho da taverna estava ainda pior. Daquele dia em diante, nunca mais voltou a beber.9


Testemunho do Pe. Gabriele Amorth

Gabriele Amorth (1925-2016) foi um renomado padre exorcista (paulino) que, ao longo da vida, trabalhou incansavelmente para desmascarar o trabalho diabólico. Presenciou muitos casos e curas, expulsando, pelo poder da Cruz, os demônios que destruíam a vida de muitas pessoas.
Ele contava que os sacramentais, como cruzes, escapulários e medalhas, tiveram papel importante na expulsão dos seres malignos, e que quem os possuía obtinha a graça da cura espiritual. Dizia ele:
Constatei em várias ocasiões a eficácia das medalhas que as pessoas usam com fé. Bastaria falar da Medalha Milagrosa difundida depois da aparição da Virgem a Santa Catarina Labouré (1806-1876), em Paris, 1830. Um dos episódios de possessão diabólica mais conhecidos que nos transmitiu este fato, relatado em várias obras devido à documentação histórica exata, é o que se refere aos irmãos Burner, de Illfurt (Alsácia), que foram libertos graças a uma série de exorcismos, em 1869.
Um dia, entre as numerosas catástrofes ocasionadas pelo demônio, virou-se a carroça que transportava o exorcista, acompanhado por um monsenhor e uma religiosa.
Contudo, o demônio não conseguiu levar o seu projeto até o fim, porque, no momento da partida, tinha sido dada ao cocheiro, para proteção, uma Medalha de São Bento, que ele tinha guardado no bolso com grande devoção.10


Cura de uma religiosa

Em 1861, em Chambéry, na França, em uma casa chamada de São Bento, sofria uma Irmã, já havia três meses, de dores nas pernas após receber um golpe de ar. Ela omitia sua dor e não tomava nenhum remédio para curá-la. Contudo, não mais as suportando, resolveu fazer uma novena em honra de São Bento, utilizando uma Medalha que possuía. Durante a oração da novena, ela encostava a Medalha ora em uma perna, ora em outra, pedindo o auxílio de São Bento. Aos poucos, passou a sentir um alívio, mas ainda sofria. Então, a irmã resolveu fazer mais uma novena, agindo da mesma forma que na vez anterior, obtendo, assim, a graça da cura definitiva. Essa mesma religiosa recebeu outra graça, também pelo auxílio de São Bento e de sua poderosíssima Medalha.
Sofrendo de uma inflamação no olho, ela mergulhou a Medalha de São Bento que possuía em uma bacia com água. Após rezar com fé a oração da Medalha, a religiosa lavou o olho com essa água, recuperando a saúde.11


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Reconhecendo o poder da CRUZ, presente na Medalha de São Bento, muitos fiéis relatam terem sido protegidos após o uso da medalha e da récita da oração nela contida. Esses relatos são de vários períodos da História, e ainda hoje presenciamos milagres em muitos lugares.


Sabendo disso, podemos renovar a nossa confiança na mensagem salvífica da Cruz do Senhor. É por ela que somos salvos, que nos hão de reconhecer, que o mal saberá que nossa adesão a Cristo se faz visível e, por isso, afastar-se-á, pois onde há luz, as trevas se escondem.


Assim, é sempre bom ter a Medalha de São Bento dependurada no pescoço, como chaveiro do automóvel ou da residência, ou de um estabelecimento comercial, como adesivo na lataria do carro, na porta de casa, estampada na camiseta... Devemos trazer e exibir sem vergonha alguma que temos um sinal poderoso.


São Bento tem muito a nos ensinar. Ele, muitas vezes vítima de Satanás, soube com o Sinal da Cruz derrotá-lo. Não houve veneno que matasse o santo; não houve tentação que o tirasse do bem; não houve perturbação. Com oração, paciência e confiança, pela pedagogia da Cruz, diz-nos São Bento: coragem! Cristo venceu o mundo.


Papa Bento XVI - homilia na celebração do Ofício de Vésperas, na Abadia de Monte Cassino, em 24 de maio de 2009:


Os monges souberam ensinar com a Palavra e com o exemplo a arte da paz, atuando de modo concreto os três “vínculos” que Bento indica como necessários para conservar a unidade do Espírito entre os homens: a Cruz, que é a própria lei de Cristo; o livro, isto é, a cultura; e o arado, que indica o trabalho, o senhorio sobre a matéria e sobre o tempo. Graças à atividade dos mosteiros, desempenhada no tríplice compromisso quotidiano da oração, do estudo e do trabalho, povos inteiros do continente europeu conheceram um autêntico resgate e um benéfico desenvolvimento moral, espiritual e cultural, educando-se no sentido da continuidade com o passado, na ação concreta pelo bem comum, na abertura a Deus e à dimensão transcendente.




NOTAS
3 PASTRO, Cláudio. A arte no Cristianismo: fundamentos, linguagem, espaço. São Paulo: Paulus, 2010, p. 212.
4 GUÉRANGER, Próspero. A Medalha de São Bento. São Paulo: Artpress, 1995, p. 37.
5 COLOMBAS, García M.; SANSEGUNDO, Leon M.; CUNILL, Odilon M. San Benito: su vida y su Regla. Madrid: BAC, 1954, p. 716.
6 CIC § 2111.
7 Relato parcialmente contado pela saudosa monja, Irmã Rosa de Mello Bulhões (1924-2012).
8 Essa casa, anos depois, tornou-se o Museu de Xilogravura.
9 GUÉRANGER, Próspero. A Medalha de São Bento. São Paulo: Artpress, 1995, p. 69.
10 AQUINO, Felipe. São Bento: Pai da Europa. Lorena: Cléofas, 2017, pp. 89-90.
11 GUÉRANGER, Próspero. A Medalha de São Bento. São Paulo: Artpress, 1995, p. 61.


Fonte: Trecho do livro "A poderosíssima Medalha de São Bento"

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