Reificação e reconhecimento: reflexões para pesquisa em educação

Reificação e reconhecimento: reflexões para pesquisa em educação

Jeferson Luis da Silva


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Este texto busca esclarecer o conceito de reconhecimento prévio do outro em Axel Honneth. Salienta a importância de se considerar uma postura não-epistêmica nos processos de tomada de decisão nas relações sociais, bem como, alguns riscos ao não se reconhecer o saber da alteridade, reificação.

Sem o acolhimento prévio do outro, onde sua produção de sentido é entendida como legítima no reconhecimento da vivência em sua plenitude, é possível que a pesquisa em educação caia em um tipo de reificação, coisificação do outro. Nesse sentido, reconhecer a alteridade do outro nas pesquisas educacionais é condição de possibilidade qualitativa.  Saiba mais aqui!


Fragmentos:

1 - [...] as pessoas perdem sua capacidade de implicar-se com interesse pelos outros, para consigo mesmo e para com o mundo circundante [...] se transformam em observadores passivos que não fazem mais que contemplar com indiferença não só o seu entorno social e físico, mas também a si mesmo. A própria vida interior se torna um entidade coisificada, ou melhor, deixa de haver vida interior propriamente dita. 

2 - [...] O mundo das relações pessoais e as próprias qualidades individuais são apreendidos com indiferença e de um modo neutro em relação aos afetos, isto é, como se tivesse as qualidades de coisa. Essa postura reificante frente a outras pessoas decorre da perda do reconhecimento prévio: ou porque participa de uma práxis social em que a mera observação do outro se converteu em um fim em si mesmo, ou porque permite que seus atos sejam governados por um sistema de convicções (racismo, machismo, fundamentalismo, etc.) que acaba negando o reconhecimento original.

3 - [...] em Honneth a reificação se caracteriza pelo comportamento que entende as circunstâncias de forma atrofiada ou distorcida, em vista do esquecimento de uma práxis mais original na qual o homem adotaria uma relação de implicação com respeito a si mesmo, aos outros e aos objetos em geral.

4 - [...] a ligação da filosofia da práxis com o elemento existencial o faz perceber novas configurações para tais discussões. Afinal, se precisamos tomar parte do outro existencialmente, vivenciar a sua diferença em plenitude, e não apenas participar de sua ação ou da sua práxis, isso quebra pela base com vários procedimentos adotados nas pesquisas educacionais. 

5 - O pesquisador nesse patamar de compreensão, não apenas dá voz e vez aos investigados, ou se coloca na sua posição ou na sua situação para daí compreendê-lo melhor e extrair um conhecimento confiável, mas há uma consideração de seu lugar como digno e legítimo de produção do sentido. Assumir a postura de reconhecimento do outro implica, enfim, o reconhecimento de sua alteridade por intermédio de sua vivência em plenitude.