Pescoço de Frango

Pescoço de Frango

TANTO

Essa história se passou numa pequena cidade do interior do Paraná.

Pequena cidade mesmo, uns 5 mil habitantes, quase todos trabalhando o dia todo nas cidades maiores que ficavam nas proximidades.

De noite, quando o povo chegava do trabalho, muitas vezes não queria cozinhar.

Mas, como eu disse, cidade pequena, praticamente não tinha restaurante.

O problema foi mais ou menos resolvido por conta de uma senhora, exímia cozinheira.

Ela passou a fornecer marmitas personalizadas e bonitas, com comida caseira de primeira qualidade.

E, para viabilizar o empreendimento, ela criou um grupo de WhatsApp com os clientes.

Ela fazia poucos pratos por dia, dois, no máximo três, e postava logo de manhã.

Quem pedisse até 16 horas recebia comida quentinha e gostosinha em casa.

E tudo ia bem, muito bem.

Ela postava as opções, o povo escolhia e pronto. E, com o tempo, as pessoas começaram a interagir no grupo.

Postavam fotos das comidas, teciam comentários à cozinheira, se tornaram grandes amigos e, o grupo, uma grande família.

Até que, bela dia, a senhorinha ofereceu carne assada de panela e peito de frango empanado.

As pessoas fizeram suas encomendas e os pratos foram entregues. Em sequência, as rotineiras fotos das comidas, das pessoas reunidas, todos felizes, até que o grupo aquietou.

Ou quase…

Eram já 22 horas quando apareceu a notificação.

Um dos políticos da cidade havia mandado uma foto. Ele quase nunca interagia no grupo, não postava nada, apesar de ser cliente regular.

Na foto, ele segurava um pescoço de frango. 

Automaticamente começou uma revolta no grupo.

- Poxa, dona fulana, teve canja?
- Eras, dona fulana, teve cozido de frango?
- Só vi as opções de carne e peito, queria frango guisado.

Até que um participante mais atento falou:

- Olhem bem… isso não é pescoço de frango não…


Bem… avisados, os demais participantes não demoraram a perceber que

na verdade

a mão que aparecia na foto não segurava um pescoço de frango, mas, sim, um pinto…

Era um NUDE!


Pois é!!!

O safado do vereador, casado, tava se assanhando pra outra dama e mandou uma foto dele segurando seu membro ereto - provavelmente o penes mais feio que esse mundo já viu, eis que igual a um pescoço de frango!!! 


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Repentinamente o grupo acordou!

Uns, tirando sarro do homem, outros, indignados com a falta de respeito, e uns outros tentando avisá-lo da mancada.

Porém, o pinto de pescoço de frango não visualizava as mensagens e a foto permanecia lá, e a única adm do grupo não sabia apagar! 

Até que uma boa alma resolveu ligar pro vereador, já quase 23 horas e alertar o homem!

Pobre vereador! Entrou em desespero!

Era homem casado, honrado, pai, homem de bem e de família. Primeiro, negou que fosse sua piroca. Depois, que tivesse postado. Por fim, foi apagar e apagou somente para ele!

O caos aumentou!

A pequena cidade ficou em polvorosa com aquela foto do pinto pescoço de frango publicada no maior e mais tradicional grupo de WhatsApp da região.

Resolveu-se então criar uma comitiva para ir na casa do vereador para mostrar como se apagava a fotos.

E foram!

Chegando lá, obviamente, todos segurando o riso, também não conseguiram apagar a imagem.

Do outro lado, a velhinha que vendia comida já estava passando mal com a balbúrdia no seu grupo de venda de comidas, querendo matar o pescoço de frango.

Sem solução, a comitiva foi acrescida do vereador (que seguia negando que sua piroca fosse aquela coisa feia)

e DA ESPOSA (que não negava, nem confirmava, o pescoço de frango).

Contudo, tão braba que estava, meio que confirmava.

Partiram todos pra casa de um jovem da cidade.

O moleque fazia um desses cursos de computador e, por isso, certamente entendia de WhatsApp.

E ele realmente resolveu. Foi na casa da velhinha, se colocou como administrador e apagou a foto.

Problema resolvido, mas a cidade jamais esqueceu essa noite.

A velhinha, amargurada, acabou com o grupo e parou de vender comida. Que fossem mandar foto de pinto, ainda mais pinto feio, longe dela.

E o vereador… bem…

O vereador segue casado. A mulher aceitou não separar pelos bons costumes, pelos filhos.

Mas há quem jure que ela segura o riso a cada vez que o marido sai à rua e encontra o povo, que divertidamente o cumprimenta:

- Bom dia seu PESCOÇO DE FRANGO!

fim

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