POV: 3 vitórias

POV: 3 vitórias

Ryu Taerim

22h00

Entro no Eclipse cuspindo fumaça do cigarro, já com a camisa meio aberta e o couro do casaco cheirando a uísque barato. Lá em cima, o som é um soco no peito, pista lotada, minas rindo alto, caras metidos comprando garrafa só pra parecerem grandes. Mas quem manda nessa porra não é o andar de cima.

Sungho já tá me esperando encostado na parede, braço cruzado. Garoto novo, mas com olhar de pitbull. Levanto a mão num aceno e ele só levanta o queixo.

— Três lutas hoje. — falo, jogando um papel na mão dele.

— Três? Tá querendo me matar? — ele solta um riso seco.

— Eu sei que você aguenta, a grana vai valer a pena.

Ele balança a cabeça, aquele sorriso torto de sempre. O tipo de sorriso que diz vai dar merda, mas eu topo.

00h00

Descemos. O cheiro é de suor velho, sangue seco e cigarro. O playground não tem nada de glamour, é cimento sujo e grade enferrujada. Mas aqui corre dinheiro de verdade. Aqui todo mundo aposta, todo mundo sangra, todo mundo perde alguma coisa.

As apostas começam rápido, gente berrando, dinheiro voando, mina gritando de tesão vendo homem se arrebentar. E eu sou o maestro dessa orquestra podre.

01h30 – Primeira vitória

Sungho estoura o queixo do adversário com um soco tão limpo que eu quase aplaudo. O cara cai duro, boca aberta, sem entender nada. A multidão fica histérica. Eu só sorrio, organizo o dinheiro e começo a planejar a próxima rodada.

02h00 – Intervalo

Enquanto ele toma água e cospe sangue, eu subo pro andar de cima. Encosto no balcão, peço um whiskey duplo. Umas três mulheres colam, rindo, mão no meu braço, esfregando os seios em mim e perguntando se eu não quero sumir com elas. Dou atenção, rio, deixo elas sonharem. Mas não passo disso. Minju tá na minha cabeça, e isso é foda.

03h00 – Segunda vitória

Volto e Sungho já tá esquentando. O segundo cara dura mais, mas o garoto é uma máquina. Derruba o grandalhão com chute no estômago e finaliza com soco na cara até o sangue espirrar. A multidão grita, e eu conto cada nota que vai pro meu bolso e para o dele.

04h15 – Terceira vitória

Essa foi suja. Porrada seca, barulho de osso rachando. Sungho termina ensanguentado, mas de pé, enquanto o adversário sai carregado. Playground é isso: espetáculo de violência. Eu odeio me sujar, mas não dá pra negar que essa merda é viciante.

05h00

Chamo Sungho pros fundos. Ele chega ainda pingando sangue, o olhar queimando. Eu abro a maleta, começo a contar a grana.

— Três vitórias limpas. — Entrego o dinheiro das e depois jogo um maço extra. — Bônus que foi prometido.

Ele pega, mas não tira os olhos de mim.

— Só quero te lembrar, hyung… Minju não é dessas mina que você fica flertando no bar. Eu não tenho nada a perder e...

— Eu sei, porra. — Interrompo ele mais uma vez cansado já desse esporro que não acaba. Fecho a maleta, encaro ele de volta. — Ela não é brinquedo, e eu não sou idiota.

— Mas você é um filho da puta. — ele cospe, meio rindo, meio sério.

Dou um riso soprado, passo a mão no cabelo. Respirando fundo pra ele não ter lutar pela quarta vez e nós dois sairmos daqui direto pro cemitério.

— Pode ser. Mas quando se trata dela, eu não vou foder com nada. Não vou decepcionar você nem ela.

Ele aperta o dinheiro na mão, ainda desconfiado, mas não insiste.

Saio dali com cheiro de sangue impregnado na roupa, o barulho das apostas ainda ecoando na cabeça. No fundo, tudo que eu queria era simples: poder deitar de novo ao lado da Minju, sentir o peso leve dela contra o meu peito e acreditar, nem que fosse por algumas horas, que o mundo pode ser mais calmo do que essa merda toda

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