O racismo de Marx e Engels
OpenAI e FreeWilly
Este artigo é apenas a transcrição do vídeo "O racismo de Marx e Engels" do canal João Eigen
Este artigo é o primeiro de uma pequena série feita sobre o marxismo e a questão da raça. Historicamente, muitas pessoas afirmam que o marxismo foi apenas uma metodologia, uma ideologia baseada em classes sociais, historicamente definida como luta de classes, e que não tem nada a ver, portanto, com questões de raça, racionalidade ou diferenças entre raças. Bem, vamos ver se isso é verdade.
Neste primeiro artigo, vou apresentar as visões pessoais de Marx e Engels em relação às diferentes raças e as opiniões que eles expressaram em seu jornal, A Gazeta Renana, nos anos de 1840 e 1850, quando discutiam as raças e as diferentes nacionalidades na geopolítica da época. Deve-se ter em mente que, neste artigo, vou censurar algumas palavras que são obviamente muito pejorativas. Por exemplo, aquela palavra clássica, a palavra "n1gg3r" (6 letras), que significa algo muito pejorativo com pessoas negras e que Marx utilizava muito. Então, eu vou censurá-la, vou apenas falar "n" ou a palavra "n".
O bom lugar para começarmos é a opinião de Marx sobre Ferdinand Lassalle, que foi um teórico socialista de origem judaica, que foi um grande teórico da primeira internacional, com Marx. Ele foi colega de Marx e ajudou a difundir os escritos iniciais do marxismo. E eis o que Marx falava de Ferdinand Lassalle pelas suas costas para o seu amigo Engels, eis o que ele disse:
O "n" judeu Lassalle, que felizmente está partindo no final desta semana, perdeu outros 5 mil talers em uma especulação mal calculada. Agora está bastante claro para mim a forma de sua cabeça e a maneira como seu cabelo cresce, e também testemunha que ele é descendente dos negros que acompanharam a fuga de Moisés do Egito, a menos que sua mãe ou avó paterna tenha cruzado com um "n". Agora, essa mistura de judaísmo e germanidade por um lado e estoque negroide básico por outro deve inevitavelmente dar origem a um produto peculiar. O camarada também importuna como um "n".
-Karl Marx & Friedrich Engels. Collected Works, Vol.41, 1860-1864. International Publishers, 1985. p. 388-390.
É interessante notar que o próprio Marx tem origem judaica, porque o pai de Marx era judeu, mas depois se converteu ao cristianismo. E o próprio Marx nunca foi um judeu de fé. Ele utiliza o judaísmo de Lassalle como uma ofensa pessoal, algo muito depreciativo, ao mesmo tempo que pega características anatômicas de afrodescendentes, segundo ele, como algo igualmente pejorativo e junta tudo isso num grande ad hominem a um colega que estava ajudando a popularizar seus próprios escritos.
Também é interessante notar uma coisa. Estou aqui traduzindo a palavra "n" para o inglês, porque Marx, mesmo em alemão, língua na qual se comunicavam em suas cartas e afins, não utilizava um equivalente alemão para esse termo. Eles utilizavam a palavra "n" em inglês explicitamente em suas conversas privadas. Provavelmente, estou aqui especulando, porque eles achavam que a tonalidade, culturalmente, era um termo muito mais pesado e pejorativo do que seu equivalente alemão. Então, eu acho que eles utilizavam a palavra "n" em inglês de propósito, mesmo em conversas privadas, que a princípio não eram para ninguém mais saber, porque era especialmente pejorativo.
Outro exemplo em que Marx fez julgamentos raciais estranhos foi quando ele foi contratado para escrever entradas para a letra B na Enciclopédia Americana de Charles Dana. Quando Marx escreveu sobre o libertador sul-americano Simón Bolívar, Charles Dana ficou preocupado com o tom do texto e pediu que Marx mostrasse suas referências. Marx ficou chateado e reclamou com Engels em uma carta privada, na qual escreveu:
Além disso, o longo artigo sobre Bolívar provocou objeções de Dana, porque, segundo ele, foi escrito em um estilo partidário e ele me pediu para citar minhas autoridades. Isso eu posso, claro, fazer, embora seja uma demanda singular. Quanto ao estilo partidário, é verdade que me afastei um pouco do tom de uma enciclopédia. Ver o mais covarde, o mais miserável e o mais mesquinho dos canalhas descrito como Napoleão primeiro era demais. Bolívar é um verdadeiro Souloque.
-Karl Marx & Friedrich Engels. Collected Works, Vol.40, 1856-1859. International Publishers, 1983. p. 266.
Marx estava se referindo a Faustin-Élie Souloque, um escravo que se libertou e se tornou imperador no Haiti. Marx estava tentando dizer que Bolívar era tão baixo e mesquinho que não poderia ser comparado a alguém grande como Napoleão Bonaparte. Ele insinuou que Bolívar estava no mesmo nível de Souloque, um imperador negro. É possível que Marx estivesse tentando insultar Bolívar com essa comparação pejorativa.
Há outra instância na vida pessoal de Marx em que existe um racismo realmente tenebroso, em relação a Paul Lafargue, que foi o cunhado de Marx e marido da segunda filha de Marx, Laura Marx. Paul Lafargue era de origem franco-cubana e um pouco judia. Pode-se imaginar que Marx não ficou muito contente quando Laura decidiu casar com ele. Mas depois ele descobriu que Paul Lafargue era médico e filho de um sujeito muito rico que possuía muitas plantações na América Central. Então Marx voltou atrás e disse que seria uma boa ideia Laura se casar com Paul Lafargue. Embora Paul Lafargue fosse realmente um admirador e um faz-tudo de Marx, ele admirava o próprio sogro e também emprestava dinheiro para ele, porque todos sabemos que Marx estava ferrado e precisava de dinheiro, mas mesmo depois de Paul Lafargue ter se mostrado um genro muito prestativo, útil e bom para sua filha, Marx não deixou de fazer algumas opiniões racistas sobre o próprio genro. Eis o que ele falou:
Os pais de Laura, de hábitos essencialmente burgueses, ficaram desconcertados com o comportamento exuberante de Paul Lafargue, de pele morena e cabelos ondulados, nascido em Santiago de Cuba. De pai parcialmente francês, sua avó paterna era mulata de Santo Domingo refugiada em Cuba durante a Revolução Francesa. Seu avô paterno era francês, e por parte de mãe, seu avô era judeu de origem francesa. Sua avó materna era uma indiana caribenha. Marx passou a se referir a Lafarge como um "n", "um negrillo" ou "nosso crioulo"
-Saul K. Padover. Karl Marx. An Intimate biography, McGraw-Hill Book Company, 1978.p.487.
Realmente duvidoso que esses epítetos sejam afetuosos, como diz o autor. Mas Marx também fez questão de apontar para seus amigos a natureza interracial da relação de sua filha com Paul Lafargue. Eis o que ele disse:
Quanto ao próprio Lafarge: "Quando apresentou o Cuno a ele". Comentou em uma tentativa de humor: "Cuno, disseram-me que você está indo para a América, então você pode fazer lá o que uma de minhas filhas tem feito para resolver a questão da cor, casando-se com um 'n', pois Lafarge é descendente de negros ou 'of color'"
-Saul K. Padover em Karl Marx: An Intimate biography, McGraw-Hill Book Company, 1978.p.423.
Engels, como também era próximo da família e do Marx, conhecia Lafarge pessoalmente, passou vários anos em sua companhia, escreveu cartas, etc. Também tem uma opinião muito difícil de mastigar e engolir hoje em dia, quando Paul Lafargue decidiu se candidatar a um cargo político na França. Especialmente porque o cargo que ela queria, como tipo de vereador, representava um distrito que tinha muitas plantações e um zoológico.
Eis o que Engels disse sobre essa situação:
Em maio de 1887, Lafargue concorreu ao Conselho Municipal de Paris pelo V. Arrondissement, que incluía o Jardin des Plantes e o Zoológico. No dia 26 de abril, Engels parabenizou-o por ser o candidato das plantas e dos animais: "Sendo, em sua qualidade de negro, um grau mais próximo do reino animal do que o resto de nós, ele é sem dúvida o representante mais adequado daquele distrito. Esperemos que os animais tenham o melhor disso nesta luta contra as feras."
-Saul K. Padover em Karl Marx: Uma Biografia Íntima, McGraw-Hill Book Company, 1978, p.502.
Como você pode ter percebido, são opiniões muito críticas e pesadas que, para as nossas sensibilidades modernas, são realmente ultrajantes. Mas pode-se objetar que Marx e Engels, como todo mundo, eram pessoas de sua época, e naquela época esse tipo de racismo era muito mais comum, difundido e aceito. E por Marx e Engels terem sido alemães europeus naquela época, era comum que eles também tivessem esse tipo de opinião. E você está certo, eu não estou querendo fazer nenhum tipo de julgamento de valor anacrônico aqui, mas é minha obrigação ter mostrado que mesmo na vida privada Marx e Engels, embora tenham tido um racismo muito comum naquela época, também tinham esses tipos de opiniões. Agora entramos em uma seara muito mais séria, que é a vida pública e os escritos públicos que Marx escreveu sobre as questões da nacionalidade e da geopolítica dos povos e das raças de sua época. Isso é muito mais importante porque, principalmente Engels, mas endossado muitas vezes por Marx, tinham muitas vezes opiniões que até mesmo hoje em dia seriam ultrajantes e até mesmo um tipo de genocídio étnico.
Friedrich Engels expressou suas opiniões sobre as raças eslavas da seguinte forma:
Repetimos: além dos poloneses, dos russos e, no máximo, dos eslavos turcos, nenhum povo eslavo tem futuro, pela simples razão de que todos os outros eslavos carecem das condições históricas, geográficas, políticas e industriais primárias para independência e viabilidade. Povos que nunca tiveram uma história própria, que desde o momento em que alcançaram o primeiro e mais elementar estágio de civilização apenas por meio de um jugo estrangeiro, não são viáveis e nunca poderão alcançar qualquer tipo de independência.
-Karl Marx & Friedrich Engels. Collected Works, Vol.38, 1844-1851. International Publishers, 1982. p. 367.
É importante ressaltar que isso se refere à teleologia histórica do materialismo histórico defendido por Marx e Engels. Em outras palavras, a história é dividida em estágios de desenvolvimento histórico, começando com a sociedade feudal, depois a sociedade capitalista, e eventualmente levando à transformação em sociedade socialista e comunista. Esses estágios históricos são inevitáveis e seguem uma ordem definida por Marx e Engels. Na época em que eles escreveram sobre isso, perceberam que povos que ainda não haviam saído do estágio feudal, não haviam adentrado o mundo industrial e não tinham nem mesmo o direito de existir como povos independentes, devendo apenas desaparecer do mapa ou serem incorporados por povos industriais como a Alemanha. Engels defendia até mesmo o imperialismo germânico contra a Polônia, acreditando que a Polônia deveria ser absorvida pela Alemanha, pois, segundo os termos civilizacionais deles, os poloneses como nação não tinham nem mesmo o direito de existir como uma unidade nacional independente.
Engels escreveu em tom amargo, em 23 de maio de 1851, que "os poloneses como nação estão acabados"; "eles não conseguiram nada, exceto estupidez corajosa e briguenta. A Rússia, por outro lado, é realmente progressista em relação ao Oriente, uma influência civilizadora no Mar Negro e no Mar Cáspio e na Ásia central". A conclusão de Engels foi "tirar o máximo possível da Polônia ocidental", presumivelmente plantando-a com colonos alemães e "ocupando suas fortalezas, especialmente Posen, com alemães sob pretexto de defesa"; quanto ao resto, "deixe-os fazer uma bagunça para jogá-los no fogo, para comer o país deles."
-Karl Marx & Friedrich Engels. Collected Works, Vol.38, 1844-1851. International Publishers, 1982. p. 361-364.
Dado que isso aconteceu com a Polônia nos anos de 1939 e 1945, o que Engels escreveu parece até profético.
No entanto, pode ser que o fato de que eles deveriam ser extintos não esteja diretamente relacionado às características raciais específicas, mas Engels afirma que o nível civilizacional não foi alcançado por motivos específicos, e, portanto, uma raça específica não alcançou um estágio civilizacional que Engels julga ser necessário para que a história continue sua marcha. Portanto, a extinção de uma nacionalidade implica a extinção de uma raça ou que uma raça não conseguiu atingir um certo estágio civilizacional.
A seguinte passagem mostra claramente que a variável raça foi incluída nos cálculos de Engels ao julgar a nacionalidade:
Há também um artigo assinado por Marx, mas provavelmente escrito por Engels, condenando à extinção os: "crioulos franceses e espanhóis recentemente conquistados nas Américas pela raça anglo-saxônica, bem como condenando aquelas nacionalidades moribundas, os boêmios, caríntios, dálmatas etc.", que precisam "aceitar o veredicto contundente de mil anos de história: que tal retrocesso é impossível". Eles deveriam aceitar "o poder físico e intelectual da nação alemã para subjugar, absorver e assimilar seus antigos vizinhos orientais"
-Karl Marx e Friedrich Engels. Collected Works. vol 11, 1851-1853, International Publishers em 1979. p. 70-71.
Em outra instância muito famosa, na qual Marx e Engels defendem a extinção e o imperialismo com base em seu julgamento teológico da história dos avanços civilizacionais, é quando Bakunin, o anarquista, fala que a anexação da Califórnia pelos Estados Unidos foi uma guerra de anexação imperialista e injusta. Engels rebate com o seguinte texto e opinião, que é um pouco extenso, mas esclarecerá muito bem a mentalidade de Marx e Engels em relação ao imperialismo da sua época, especialmente o imperialismo yankee:
Bakunin acusou os americanos de uma "guerra de conquista" que, embora desferida um duro golpe em sua teoria baseada na "justiça e na humanidade", foi travada exclusivamente no interesse da civilização? Ou será lamentável que a esplêndida Califórnia tenha sido tirada dos preguiçosos mexicanos que nada poderiam fazer com ela? Uma população densa em um comércio extenso nos locais mais adequados na Costa do Oceano Pacífico, criando grandes cidades, abrindo comunicações por navio a vapor, construindo uma ferrovia de Nova York a São Francisco, pela primeira vez realmente abrindo o Oceano Pacífico à civilização e, pela terceira vez na história, dando um novo rumo ao comércio mundial? A "independência" de alguns californianos e texanos espanhóis pode sofrer por causa disso em alguns lugares, a "justiça" e outros princípios morais podem ser violados; mas o que isso importa em comparação com tais fatos de importância histórica mundial? Salientamos, aliás, que esta teoria da União Fraterna Universal dos Povos, que apela indiscriminadamente à união fraterna independentemente da situação histórica do estágio de desenvolvimento social de cada povo, já foi combatida pelos editores da Neue Rheinische Zeitung muito antes da Revolução. E de fato, em oposição aos seus melhores amigos, os Democratas ingleses e franceses.
-Karl Marx e Friedrich Engels. Collected Works. vol 8, 1848-1849, International Publishers em 1977, 365-366.
E quem foi o editor da revista citada por Engels? Ninguém menos que Karl Marx. Engels contribuiu com diversos artigos para a publicação nos anos 1840 e 1850. Ao ironizar a opinião e o julgamento moral de Bakunin acerca da anexação da Califórnia pelos Estados Unidos, Engels deixa claro que a universalidade da moralidade e o sentimento dos mexicanos pouco importam. Para ele, o avanço da industrialização, do capitalismo e, consequentemente, do comunismo rumo ao grande objetivo histórico é que importam. Os sentimentos morais dos mexicanos preguiçosos são para Engels inúteis e descartáveis. O que importa, na verdade, é o avanço da história em direção ao derradeiro comunismo.
Poderíamos pensar que essa é a opinião de um jovem revolucionário impaciente, querendo atingir seus objetivos evolucionários. É uma certa raiva da juventude, por assim dizer. Mas não de acordo com Franz Mahim, que também foi um revolucionário importante da primeira e segunda Internacional, colega de Rosa Luxemburgo e do próprio Marx. Em sua biografia de 1882, ele escreveu o seguinte:
E em 1882 ele repetiu praticamente a mesma coisa: "Se a luta dos eslavos balcânicos pela independência for contra os interesses do proletariado da Europa Ocidental, então esses lacaios do czarismo podem ir para o inferno. As simpatias poéticas não têm lugar na luta política".
-Franz Mehring. Karl Marx. Story of his life. The University of Michigan Press, 1962. p. 165.
Parece que até mesmo o velho Frederick Engels manteve apenas uma opinião, mandando às favas qualquer tipo de nacionalidade ou raça que julgasse ser de um estágio civilizacional inferior e que fosse contra os interesses do avanço industrial do proletariado na Europa Ocidental para alcançar o comunismo. Para concluir o conteúdo deste artigo, vou citar o historiador de Cambridge, George Watson, que disse que as opiniões de Marx em 1840 e 1850 são uma infusão original de uma nova justificativa para o genocídio étnico. Eis o que ele diz:
O programa de Engels de genocídio de 1849, que Marx endossou, é totalmente distinto e baseado em uma teoria socialista da história, na qual o feudalismo seria substituído pelo capitalismo e o capitalismo, por sua vez, pelo socialismo. Algumas raças ainda se encontravam tão atrasadas nesse desenvolvimento histórico que os socialistas não teriam outra alternativa senão o extermínio. Não há fundamento para a visão de que o genocídio socialista começou com o darwinismo ou a eugenia, que ambos escreveram em 1849. E o que Marx publicou, mais de uma dúzia de anos antes da promulgação da eugenia, representava uma visão única do socialismo, totalmente original. Ou seja, nenhum outro grupo ou partido político naquele século jamais se declarou a favor do extermínio racial em nenhum lugar da Europa moderna antes de 1849.
-George Watson. The lost literature of socialism. The Lutterwoth Press, 2010. p. 97.
Se você acha que essas ideias de Marx realmente constituem uma justificativa para o genocídio étnico, deixo a critério de vocês julgar. Eu só trouxe esses fatos aqui para vocês refletirem. No meu próximo artigo, então, entrarei em uma série muito mais séria e teoricamente profunda sobre se a questão da raça e da racialidade, as diferenças entre raças, têm alguma relevância no cálculo do materialismo histórico-dialético promulgado por Marx e Engels. Esse será o conteúdo do meu próximo artigo.
CRÉDITO:
EIGEN, João. O racismo de Marx e Engels. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=fIK2TnPB8cQ. Acesso em: 15 mar. 2023.
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