O Funcionário do mês, a comédia do ano

O Funcionário do mês, a comédia do ano

Beto Canales

O nome original do filme é Quo Vado. Uma comédia italiana sensacional, que sem dúvida será a comédia do ano. Não convém confundir com o filme homônimo americano, lançado em 2006, até porque apesar dos dois serem comédias, são incomparáveis.

O Funcionário do Mês, o italiano, foi feito, e muito bem feito, com um único e nobre propósito: fazer rir. É um filme despretensioso, alegre, rápido e muito bem estruturado.

Contado pelo próprio protagonista, um funcionário público que nasceu com essa, digamos, predestinação ao cargo, a uma tribo africana para defender a própria pele. Essa simples estratégia deu uma dinâmica muito interessante, permitindo ao diretor explorar as pitorescas encrencas do simpático Checco Zalone, que interpreta o próprio Checco e faz quase tudo no filme, desde a história, roteirização e até a música; que, sem dúvida, foi vital para a composição da comédia.

Checco conta com a companhia da Eleonora Giovanardi, até então desconhecida pra mim, bela e excelente atriz italiana que no papel de Valéria, uma Norueguesa liberal e correta, com três filhos – um muçulmano, um budista e outro ateu – todos de pais diferentes e esteriótipos também distintos, empresta ao filme um toque de ternura e civilidade, deixando o cenário perfeito para as cenas hilárias do politicamente incorreto.

E esse quesito, confrontado com o excesso de zelo que vivemos hoje em dia, onde não se pode chamar as pessoas exceto pelo seu próprio nome, torna a comédia política, misturando a latinidade vadia e corrupta do italiano, com a segurança e civilidade do povo nórdico.

As cenas foram filmadas no ártico, em algum país da África, além da Itália e, claro, Noruega.

Comédia do ano

Cinema, como qualquer outra arte, não deve ter um objetivo final senão a própria arte. Não deve ser, ou acontecer para dar uma lição, ensinar algo, angariar votos ou simpatias. Cinema deve ser feito para contar uma história. Se isso acontecer e tiver alguma outra consequência, melhor. Porém, se simplesmente a história for contada e entendida, o sucesso será consequência.

No caso de uma comédia, a história deve fazer rir. O Funcionário do Mês cumpre isso com folga. Desde as primeiras cenas até o emocionante e inesperado final, o riso é solto, sadio e leve. As inúmeras cenas machistas, racistas e que batem de frente com a religiosidade, só transformam os risos em gargalhadas.

Tenho que admitir: italiano não sabe fazer somente pizza e macarrão. Sabem também fazer cinema.

Vejam!