🎧 NoticiAudio, 8 Janeiro 2021 🎧
NoticiAudioEstimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!
Os destaques desta semana:
- Terroristas atacam Palma e obrigam a Total a retirar funcionários (RFI)
- Comandante policial alerta para perigo dos ataques de insurgentes se alastrarem a Niassa (VOA)
- Declarado surto de cólera em Montepuez (Lusa)
- Sentença do ex-edil de Massinga gera indignação em Inhambane (DW)
- Mariano Nhongo anuncia cessar-fogo e quer dialogar com o Governo (O País)
Terroristas que actuam em Cabo Delgado atacaram na noite do dia 1 de janeiro a aldeia de Quitupo que fica dentro da área do DUAT e a poucos quilómetros da vedação onde estão a ser implantados os mega projectos de gás de Palma.
De acordo com a VOA, a zona era até agora tida como das mais seguras e onde muitos previam recorrer em casos de intensificação de ataques.
Entretanto, entre os dias 30 de dezembro e 1 de janeiro, as Forças de Defesa e Segurança realizaram vários confrontos com os insurgentes nas aldeias Olumbe e Monjane, onde muitas casas da população foram destruídas. As referidas aldeias também estão próximas da central de exploração de gás.
Face aos ataques, a empresa Total está a retirar os seus funcionários do acampamento do projecto em Afungi. De acordo com a RFI, apesar de as instalações não terem sido ainda afectadas pelos ataques, teme-se ainda assim pelo pior face à crescente onda de ameaças e o avanço no terreno dos grupos extremistas. São pouco mais de três mil trabalhadores que deverão ser evacuados.
Durante a retirada dos insurgentes, após os ataques, o grupo deixou folhetos nos quais avisava que Palma seria atacada a 5 de janeiro de 2021 e aconselhava a população a deixar a área. Até dia 7 não havia novos relatos de ataques na vila.
O comandante provincial da Polícia da República de Moçambique na província do Niassa, Arnaldo Chefo, alertou para a possibilidade de os ataques dos insurgentes em Cabo Delgado se alastrarem para a vizinha província do Niassa.
Ele acrescentou que as frequentes incursões dos insurgentes em Cabo Delgado constituem uma grave ameaça para aquela província, o que, para analistas ouvidos pela VOA, é uma possibilidade real.
O economista e director do Observatório do Meio Rural João Mosca considera que o facto de os insurgentes estarem a ser combatidos em Cabo Delgado pode fazer com que eles procurem novas posições noutras províncias do norte de Moçambique.
Contudo, para João Mosca, é preciso entender o fenómeno no seu conjunto porque toda a zona norte de Moçambique tem elevados níveis de pobreza e é preciso resolver esses problemas ou muito possivelmente o conflito vai continuar porque, segundo ele, alguns terroristas parecem ter apoio da população.
Na segunda-feira, a polícia em Cabo Delgado confirmou que um grupo de insurgentes tinha sido acolhido em três residências no bairro de reassentamento de Quitunda, em Palma.
O Governo da província de Cabo Delgado declarou a existência de um surto de cólera no distrito de Montepuez, após registar uma morte e 11 pessoas contaminadas, anunciou o secretário provincial de Estado, Armindo Ngunga.
De acordo com a Lusa, Montepuez, com cerca de 200 casos de diarreias, é o sexto distrito de Cabo Delgado, depois de Metuge, Mocímboa da Praia, Macomia, Ibo e cidade de Pemba, onde se registam casos de cólera, desde janeiro de 2020.
Desde que eclodiu a epidemia naquela província foram registados 2.125 casos de cólera e 37 óbitos, avançou Ngunga, considerando que houve “um aumento de casos em mais de 100%” comparado a 2019, em que se registaram 282 casos e nenhum óbito.
Segundo as autoridades,o problema é frequente em toda a época chuvosa naquela província, o que se deve a problemas de saneamento, consumo de água imprópria e falta de casas de banho.
Clemente Boca, antigo presidente do Conselho Municipal de Massinga, e outros dois réus - um vereador e um chefe da contabilidade da instituição - foram condenados no passado dia 28 de dezembro a dois anos de prisão por desviarem mais de dois milhões de meticais.
Contudo, o juiz da causa, Carlos Pedro, converteu a pena em multas.
Segundo a DW, a decisão não foi pacífica e não caiu no agrado de muitos na província. Enquanto que para alguns cidadãos o importante é recuperar o dinheiro, para outros a justiça foi demasiado branda e o tribunal provincial de Inhambane poderia ter ido mais longe na decisão.
O advogado dos réus condenados, Henrique Massunda, mostrou-se satisfeito com a sentença e disse que por enquanto não vai remeter qualquer recurso, a não ser que os condenados peçam.
Depois de várias ofensivas de grande escala das Forças de Defesa e Segurança, que já levaram à captura de três colaboradores próximos, Mariano Nhongo diz ter ordenado os seus homens a cessarem os ataques e já criou uma equipa para negociar a paz.
O cessar-fogo unilateral foi anunciado uma semana depois de conversações que o líder da Junta Militar manteve com o enviado pessoal do Secretário-geral das Nações Unidas, Mirko Manzoni. A trégua foi anunciada em finais de Dezembro e continua em curso.
Nhongo disse, citado pelo jornal O País, que está preocupado com as movimentações aéreas que as Forças de Defesa continuam a fazer nas suas áreas, o que segundo ele contraria o espírito de esforços para o alcance da paz.
Para Mirko Manzoni, a abertura das duas partes para um diálogo é um bom sinal e acredita que 2021 será um ano da paz.
Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media e distribuída com Xipalapala.
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