NoticiAudio, 30.10.2020

NoticiAudio, 30.10.2020


Estimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!

Os destaques desta semana.

  • CIP denuncia casos de abusos sexuais em troca de assistência humanitária em Cabo Delgado
  • Médicos moçambicanos dizem que vão processar Governo por não pagar subsídios prometidos para enfrentarem a pandemia de Covid-19
  • Pemba sem espaço para mais deslocados vítimas de ataques
  • CDD pede transparência nas negociações entre Governo e Junta Militar

O Centro de Integridade Pública denunciou esta segunda-feira alegados abusos sexuais de mulheres deslocadas em Cabo Delgado, em troca de ajuda humanitária, considerando haver silêncio do Governo e Nações Unidas sobre o assunto.

Segundo um relatório do CIP, citado pela DW, os alegados abusos são perpetrados pelas autoridades locais, que têm o poder de elaborar as listas de deslocados que devem receber os socorros e em troca da inclusão nas listas, as lideranças locais exigem favores sexuais de mulheres e meninas desesperadas.

A situação foi detectada sobretudo nos bairros de Pemba, capital da província. A par de denúncias de abusos sexuais, o CIP relata ainda queixas de desvio de ajuda humanitária pelos chefes locais.


A Associação Médica de Moçambique abriu um processo contra os Ministérios da Economia e Finanças e da Saúde por não cumprirem com as promessas de pagamentos de subsídios de horas-extra e de risco prometidos antes mesmo de Moçambique diagnosticar os primeiros casos do novo coronavírus.

Os médicos denunciam também velhos problemas, como a falta de condições de trabalho e a redução do orçamento para o setor da saúde em quase 6% nos anos de 2018 e 2019.

O secretário-geral da Associação Médica, Napoleão Viola, disse à STV que, por exemplo, nos hospitais devia haver muitos aparelhos para atender os doentes e outros para proteger os médicos, mas muitas vezes não estão disponíveis no país e, quando estão, estão avariados.

O jornalista e analista político Fernando Lima acrescenta que os médicos não podem aceitar trabalhar nas condições actuais, sabendo que o país recebeu 300 milhões de dólares dos doadores para conter o avanço do novo coronavírus.


O município de Pemba já não tem espaço para acolher mais deslocados de guerra, após uma nova vaga de cerca de 10.000 pessoas, desencadeada em 16 de outubro, após novos ataques terroristas em Cabo Delgado. As pessoas fugiram desde então até terça-feira, chegando em cerca de 150 barcos precários à praia de Paquite e outras, em Pemba.

De acordo com Florete Simba Motarua, presidente do conselho municipal de Pemba, por falta de espaço outros deslocados serão encaminhados para os distritos de Montepuez, Ancuabe e Mecufi, assim como a vizinha província de Nampula.

A maioria são mulheres e crianças que chegam com fome e desidratados, havendo várias organizações a improvisar ajuda humanitária de urgência.

Algumas das pessoas em fuga estão doentes e pelo menos duas não resistiram à viagem, acabando por morrer nas embarcações, contou à Lusa Manuel Nota, director da organização humanitária católica Caritas em Pemba.


O Centro para a Democracia e Desenvolvimento apela à abertura e transparência do processo negocial entre o Governo e a Junta Militar da Renamo, para o fim dos ataques no centro do país. 

De acordo com o CDD, ao contrário do processo negocial que culminou com a assinatura do acordo de paz de 2019, desta vez as negociações devem envolver mais actores relevantes da sociedade, incluindo a Assembleia da República, uma vez que a discussão de assuntos de Estado dizem respeito a todos os cidadãos moçambicanos.

O pronunciamento do CDD vêm na sequência do anúncio no sábado pelo presidente Nyusi da suspensão da perseguição à Junta Militar para que as partes possam tentar negociar. A trégua é válida por uma semana, terminando neste sábado. 

Mariano Nhongo garantiu que vai criar uma espécie de um corredor de diálogo com o Governo, se a intenção do executivo for realmente honesta de pacificar o país. 


Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media.

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