🎧 NoticiAudio, 25 Setembro 2020 🎧
NoticiAudioEstimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!
Os destaques desta semana.
- Governo “rende-se” e pede ajuda à União Europeia para combater terroristas de Cabo Delgado
- António Muchanga diz que Guebuza está colher o que plantou
- Pio Matos diz que começa a saturar-se com esta “descentralização sem poderes'
- Edil de Nampula reconhece má governação
- Líder da Junta Militar denuncia tentativa de assassinato dos filhos
Num quadro de comprovada incapacidade de dar resposta aos ataques na província de Cabo Delgado, o Governo moçambicano decidiu, semana passada, pedir apoio à União Europeia na área de treinamento militar especializado para combater o terrorismo e a insurgência.
Segundo a Carta de Moçambique, o Governo solicita apoio nos domínios da formação, logística para as forças de combate ao terrorismo, equipamento de assistência médica em zona de combate e capacitação técnica de pessoal.
Os apoios nestes domínios visam, de acordo com o Executivo moçambicano, reforçar as medidas de resposta militar e de segurança e ainda evitar o avanço dos terroristas e restabelecer a lei e ordem naquela estratégica província do país.
A par do apoio no domínio militar, o Executivo moçambicano diz esperar contar com o apoio dos deputados do Parlamento Europeu na mobilização de ajuda humanitária para a população vítima dos ataques armados em Cabo Delgado.
O deputado da Renamo António Muchanga considera que Armando Guebuza está colher o que semeou, na sequência do antigo presidente ter reclamado que a Procuradoria Geral da República está sendo guiada por princípios políticos e não materiais no caso das chamadas dívidas ocultas.
Citado pelo MediaFax, Muchanga diz não compreender a zanga e desconfiança de Guebuza sobre uma instituição que ele mesmo foi maestro na sua constituição, a partir da indicação e empossamento de Beatriz Buchili, que continua como Procuradora Geral da República.
Muchanga disse que a nomeação de Buchili em 2014 visava unicamente encontrar uma figura adequada para fazer andar expedientes políticos, incluindo o episódio da convocação do Conselho de Estado de 19 de Julho deste ano, unicamente para retirar imunidade de António Muchanga, prendê-lo e humilhá-lo.
“É motivo para dizer que ele está a colher o que semeou” – disse António Muchanga, acrescentando que Guebuza até teve sorte porque, à semelhança do caso de 2014 em que Muchanga foi algemado e preso logo no fim da sessão do Conselho do Estado, Guebuza também deveria ter passado pela mesma situação.
O Governador da província da Zambézia pelo partido Frelimo, Pio Matos, diz que o actual modelo de descentralização não concede poder aos governadores provinciais e exige que a situação seja mudada.
Citado pelo Diário da Zambézia, Matos disse que o poder descentralizado significa entregar o poder a quem foi eleito e que “não se pode falar de descentralização quando se depende de Maputo”.
Falando na semana passada no fim da Sessão Ordinária da Assembleia Provincial da Zambézia, ele disse haver esperança para a mudança, revelando que o governo central está a preparar uma lei que será submetida à Assembleia da República, a qual poderá redefinir quais as competências do governador provincial.
O edil da cidade de Nampula, Paulo Vanhale, aponta “inexperiência” e “sabotagem” como causas da sua má governação, mas diz que "aprendeu a lição" e promete melhores dias, sendo que a futura gestão da cidade vai centrar-se no desenvolvimento e na limpeza urbana.
Para alguns cidadãos de Nampula ouvidos pela DW, as promessas do autarca não passam de discurso político para amainar a revolta dos munícipes.
O colunista da Carta de Moçambique e activista social, Juma Aiuba, residente na cidade de Nampula, diz que o problema do Vanhale foi de ter constituído uma equipa nomeada na base de confiança política ao invés de competência.
No ano passado Vanhale foi criticado por nomear parentes de dirigentes da Renamo para a estrutura do município e uma das nomeações mais sonantes é a de Osvaldo Ossufo Momade, filho do líder do partido, Ossufo Momade.
O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, diz que a sua família está a sofrer perseguição, denunciando que na quarta-feira dia 19 de Setembro, um dos seus filhos foi alvo de cinco tiros, sendo que a sua motorizada lhe foi logo depois retirada por supostos membros das Forças de Defesa e Segurança (FDS) na aldeia de Chiadeira, no distrito de Nhamatanda, província de Sofala.
Em entrevista à DW, Mariano Nhongo disse que no mesmo dia, também dois dos seus filhos mais novos foram capturados, torturados e obrigados a mostrar o esconderijo do pai.
Outro integrante da auto-proclamada Junta Militar, André Matsangaíssa Júnior, perdeu contacto com quatro membros da sua família, incluindo a esposa grávida, que acredita terem sido raptados pelas FDS na cidade de Chimoio, província de Manica.
Como forma de retaliação, Nhongo ameaça atacar todo distrito de Nhamatanda, incluindo a açucareira de Mafambisse.
Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media.
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