🎧 NoticiAudio, 18 Setembro 2020 🎧

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NoticiAudio

Estimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!

Os destaques desta semana.

  • Supostos militares atiram mortalmente contra uma mulher indefesa em Cabo Delgado
  • Mariano Nhongo diz que não negoceia com quem não valoriza a vida dos que morreram pela democracia
  • Terroristas e Junta Militar da Renamo causam 368 mil deslocados
  • Memorando do governo com a Total poderá piorar os problemas dentro das Forças de Defesa e Segurança, diz CDD

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Um vídeo que começou a circular nas redes sociais na segunda-feira mostra um grupo de homens armados e fardados com uniformes militares a perseguir uma mulher nua junto a uma estrada. Um dos supostos militares começa por espancar a mulher com um pau, antes de outros dispararem, deixando a mulher morta à beira da estrada. 

Segundo a Amnistia Internacional, as imagens foram gravadas em Awasse, distrito de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, onde as forças armadas têm sido acusadas de vários abusos de direitos humanos no combate aos terroristas.

Várias personalidades e organizações da sociedade civil condenam o caso e exigiram que o governo moçambicano investigasse e responsabilizasse os militares em causa.

Entretanto, o Ministro de Interior, Amade Miquidade, disse que o acto foi protagonizado por terroristas que vestiam uniformes dos militares moçambicanos com o intuito de manchar a imagem das Forças de Defesa e Segurança, enquanto o ministro da defesa nacional, Jaime Neto, disse que o vídeo não passa de uma montagem e que as autoridades já sabiam quem são as pessoas que produziram e que em breve seriam pegos e responsabilizados.

Coincidência ou não, o vídeo começou a circular alguns dias depois de a Amnistia Internacional ter pedido às autoridades moçambicanas que investiguem alegados abusos por parte das forças armadas em Cabo Delgado, com base em outras imagens e relatos que mostram torturas e vítimas de execuções sumárias.

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O líder da autoproclamada Junta Militar da Renamo, Mariano Nhongo, afasta qualquer hipótese de negociar com o presidente do partido, Ossufo Momade, para normalizar o relacionamento. 

Nhongo disse à VOA que se Ossufo Momade soubesse qual é o objectivo da Renamo respeitaria os que morreram na guerra porque as pessoas não morreram para Ossufo andar de avião, de carro, ou para ele ser rico, mas sim para que Moçambique fosse um país democrático. 

Nhongo também critica a ostentação do presidente da Renamo por viver em apartamentos de luxo, quando o partido tem a maioria das sedes encerradas. 

Quanto ao convite para participar do processo de desarmamento, Nhongo descartou a possibilidade por considerar o processo novamente “falhado” e revelou que não atende as chamadas telefônicas do mediador de paz, Mirko Manzoni, por considerá-lo traidor, uma vez que aceitou assinar o acordo de paz definitiva apesar dos avisos de que na Renamo ainda havia problemas por resolver.

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Os ataques terroristas na província de Cabo Delgado e os da autoproclamada Junta Militar da Renamo na zona centro já causaram mais de 368,000 deslocados, o equivalente a 73,000 famílias.

De acordo com a directora-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Luisa Meque, citada pelo Jornal O País, desse número, cerca de 19,000 pessoas, ou seja, 3000 famílias estão nos 13 centros distribuídos pelas zonas centro e norte. 

As províncias de Niassa, Cabo-Delgado e Nampula são as que têm o maior número de deslocados, sendo que só Nampula tem mais de 15,000.

O Jornal O País reporta que os deslocados necessitam de um pouco de tudo, desde água, comida, abrigos condignos, dentre outras.

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Três semanas depois da Total anunciar que assinou um novo memorando de entendimento com o Governo de Moçambique relativo à segurança das operações petrolíferas em Cabo Delgado, continuam escassas as informações sobre os detalhes do que foi acordado pelas partes. 

Entretanto, o jornal Carta de Moçambique avançou na edição de terça-feira que a Total irá financiar, igualmente, a alimentação dos efectivos que operam nas bases militares da península de Afungi. Numa segunda fase, o fornecimento de comida irá abranger as bases das Forças de Defesa e Segurança instaladas nos distritos de Mocímboa da Praia, Mueda e Macomia.

O CDD considera que este modelo não irá resolver ao problema dos ataques em Cabo Delgado, pois privilegia os interesses das empresas com poder financeiro para pagar pelos serviços de segurança e marginaliza as comunidades locais. 

Além disso, diz o CDD, o modelo adoptado tem ainda o risco de criar problemas dentro das próprias Forças de Defesa e Segurança uma vez que os efectivos que prestam serviços de protecção às operações petrolíferas terão, além de salários normais pagos pelo Estado, subsídios transferidos pela Total e alimentação de qualidade.

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Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media.

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