NoticiAudio, 16.10.2020

NoticiAudio, 16.10.2020


Estimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!

Os destaques desta semana.

  • Manuel Chang mandou averiguar as condições de cadeia nos Estados unidos de América
  • Terroristas deixam um rastro de destruição em Mucojo após invasão e vandalização
  • 20 garimpeiros morrem soterrados em Nampula
  • Elias Dhlakama diz que a Renamo já foi um elefante, mas agora nao passa de uma formiga 
  • Filipe Nyusi admite negociar com a Junta Militar e Mariano Nhongo pede fim de ataques
  • Vendaval denuncia fraca qualidade da obra da delegação do Banco de Moçambique em Chimoio

Os advogados do antigo ministro das finanças Manuel Chang, que se encontra preso na África do Sul, à espera de extradição para os EUA ou Moçambique, escreveram aos advogados de Jean Boustani no início deste ano para perguntar que provas foram apresentadas no julgamento de Boustani em Nova Iorque para que não fosse condenado.

Numa resposta enviada em Fevereiro, o advogado de Jean Boustani explicou que o seu cliente não foi condenado porque os procuradores dos Estados Unidos não conseguiram provar que lá era um local adequado para a acusação. Ele acrescentou que desconhecia qualquer prova adicional que pudesse ser apresentada sobre este ponto pelos procuradores dos EUA num julgamento contra o Ministro Chang. 

Outra pergunta de Manuel Chang tinha a ver com as condições de prisão preventiva em Nova Iorque. O advogado respondeu que as condições na prisão onde Boustani foi preso foram horríveis, uma vez que carecia de calor e electricidade durante alguns dos dias mais frios de 2019, incluindo nos dias em que as temperaturas caíram abaixo de zero graus. Além disso, continuou o advogado, Boustani foi detido ao lado de criminosos violentos, pelo que a sua segurança era uma preocupação constante. Ademais, os agentes prisionais negaram a Boustani o acesso a comunicações com o mundo exterior em numerosas ocasiões, e ao seu filho de 5 anos foi negado um visto para os EUA para visitar o seu pai na prisão. 

O Canal de Moçambique perguntou ao advogado de Manuel Chang se ele tinha a intenção de se entregar aos Estados Unidos e o advogado respondeu que não.


Os terroristas que actuam em Cabo Delgado entraram na sede do posto administrativo de Mucojo, distrito de Macomia, no dia 30 de Setembro onde atacaram, mataram, vandalizaram, pilharam, passearam e, no dia 6 de Outubro, saíram de livre e espontânea vontade.

Segundo o MediaFax, as duas posições das Forças de  Defesa e Segurança, uma estacionada na sede de Mucojo, outra na localidade de Pangane, não resistiram ao ataque. Tiveram de ceder e abrir espaço para a ocupação dos terroristas, cujo número foi descrito como significativamente superior ao  número de elementos das Forças Armadas.

Os relatos locais dizem que os terroristas não querem ninguém por lá. Até fizeram questão de dar dinheiro a algumas vítimas para que apanhassem transporte. “Vão a Maputo ficar com vosso presidente Nyusi” – terão estas sido as palavras de terroristas quando exigiam que as populações saíssem de todas as aldeias do posto administrativo de Mucojo.


Pelo menos 20 garimpeiros ilegais morreram soterrados, na terça-feira, numa mina localizada nas margens do rio Meluli, no posto Administrativo de Namaita, no distrito de Rapale, província de Nampula.

De acordo com a DW, o incidente ocorreu na sequência de um deslizamento de terras causado pelas fortes chuvas que se abateram sobre a região. As autoridades locais, através do líder comunitário de Nacuahu, confirmaram o resgate de 20 corpos, mas admitem a possibilidade de haver mais vítimas, sendo que as buscas continuam.

O inspetor da direção provincial dos Recursos Minerais e Energia de Nampula, Abel Cumbana, disse que a instituição tomou conhecimento da extração de ouro naquela região no dia 25 de Setembro, ordenando o encerramento da mina ilegal, o que não veio a acontecer. Ele garante que a mina será encerrada em definitivo por não reunir condições para a sua legalização.


Elias Dhlakama, irmão mais novo do falecido líder da Renamo, Afonso Dhlakama, diz que a situação actual do partido vai de mal a pior e acusa o actual presidente, Ossufo Momade, de ter afastado todos aqueles que apoiaram a sua candidatura no último congresso, assim como os delegados mais próximos de Afonso Dhlakama. 

Ele reafirmou em entrevista à DW África que vai candidatar-se à liderança da Renamo, por entender que o partido deve voltar a tornar-se forte, visto que na altura, falar-se da Renamo era como falar de um elefante, mas hoje compara-se a uma formiga. Ele acrescentou que caso seja eleito trará inovações e conta com o apoio de muitos membros no seio do partido.

Por outro lado, Henriques Dhlakama, filho do líder histórico Afonso Dhlakama, recusou o convite para uma reunião com o Presidente da Renamo, Ossufo Momade, alegadamente por este não ter legitimidade para representar o partido, face à alegada contestação interna de que é alvo.

Henriques disse estar aberto ao diálogo, mas isso só vai acontecer depois da realização de um congresso extraordinário na Renamo no qual deva haver eleições que legitimem a liderança do Ossufo Momade, ou de um novo líder. 


O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, reiterou na última sexta-feira a disponibilidade de dialogar com a auto-proclamada Junta Militar da Renamo e colocar fim à insegurança em estradas e aldeias do centro do país.

Por sua vez, num comunicado emitido também na sexta-feira, o chefe do grupo de contacto entre o Governo e a Renamo, garantiu que continua firme no compromisso de assegurar uma paz definitiva e convidou as partes a encontrarem as melhores formas de calar as armas. Ele também reiterou o seu convite para um diálogo com a Junta Militar.

Entretanto, Mariano Nhongo disse à VoA que o diálogo só vai acontecer após a divulgação da lista de exigências enviada há um ano ao Governo e o fim dos ataques às bases onde reagrupou os seus homens, bem como raptos e assassinatos de membros da Renamo. “Não é possível negociar a ser caçado com armas”, sublinhou Nhongo ao denunciar novos incidentes com os membros.


O Presidente da República, Filipe Nyusi, inaugurou, na passada sexta-feira, o edifício da filial do Banco de Moçambique, no Chimoio, um empreendimento orçado em 571 milhões de meticais. 24 horas depois, ou seja, sábado, o edifício recebeu cargas de água da chuva e o tecto, segundo imagens amadoras que circulam nas redes sociais, mostrou não ter resistir, visto que as águas da chuva foram penetrando no interior.

O Jornal O País reporta que a situação gerou um atirar de culpas da construtora Soares da Costa Moçambique ao fiscal da obra.

Não sendo este um caso único de falhas em obras públicas, a Ordem dos Engenheiros de Moçambique entende que se devem tomar medidas que permitam apurar responsabilidades, desde o dono da obra ao empreiteiro, passando pelo projectista e pelo fiscal da empreitada, através duma auditoria técnica cujos resultados devem ser divulgados publicamente.


Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media.

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