NoticiAudio 13.09.2019
Estimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiAudio!
Os destaques desta semana são:
▪️Reestruturação da dívida da EMATUM "adia ganhos do gás"
▪️Ocupado em campanha eleitoral, Nyusi finalmente pronuncia-se sobre ataques xenófobos que afectam moçambicanos na África do Sul
▪️Mariano Nhongo acusa Ossufo Momade de ordenar ataques na região centro do país
O novo plano de pagamento da dívida da EMATUM aprovado na semana passada pelo Governo de Moçambique, vai adiar os ganhos dos benefícios da exploração do gás para o povo moçambicano, segundo Inocência Mapisse, investigadora no Centro de Integridade Pública, em entrevista à DW.
A dívida contraída em 2013 é de 850 milhões de dólares, mas segundo o Jornal A Verdade os moçambicanos terão que pagar 1,8 bilião de dólares norte-americanos nos próximos 13 anos, numa altura em que se espera que Moçambique estará a produzir gás natural a partir da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.
O economista Elcidio Bachita disse à DW que o dinheiro destinado ao pagamento da dívida poderia ser investido noutras áreas, como por exemplo, na construção de escolas, de hospitais ou na criação de pequenos investimentos que poderiam garantir algumas oportunidades de emprego para a maior parte da população jovem moçambicana.
O Jornal Canal de Moçambique revelou na quarta-feira que as novas formas de pagamento da dívida da EMATUM foram inicialmente desenhadas em 2015 num encontro secreto entre os promotores do esquema e o ministro moçambicano de Economia e Finanças, Adriano Maleiane.
O Presidente Filipe Nyusi esteve ocupado demais com a sua campanha de reeleição e com a visita do Papa Francisco que somente nesta terça-feira, dez dias após o recomeço de ataques xenófobos na África do Sul, fez um pronunciamento acerca desta onda de violência onde estima-se que até então pelo menos 12 moçambicanos tenham perdido a vida.
Citado pelo Jornal A Verdade, Nyusi disse condenar veementemente os actos xenófobos, afirmando que estes “não representam a maneira de estar do povo e do governo da África do Sul”.
Nyusi informou que já foi operacionalizado um Centro no distrito de Moamba na província de Maputo, para temporariamente acolher repatriados voluntários que estejam a ser directamente afectados com a violência que posteriormente serão encaminhados às suas zonas de origem.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Geraldo Saranga, explicou ao Jornal A Verdade que cerca de 400 moçambicanos pediram para ser repatriados e tinha-se esperança da chegada de parte deles nesta segunda-feira. No entanto, apesar da urgência do assunto, Saranga afirma que primeiro devem passar pelo moroso processo de cadastro.
O presidente da auto-proclamada Junta Militar da Renamo, o Major General Mariano Nhongo, considera que os três ataques a civis até então registados na região centro do país foram orquestrados e ordenados pelo presidente da Renamo, Ossufo Momade.
Em conversa telefónica com a Carta de Moçambique, Nhongo afirmou não haver possibilidade destes ataques estarem a ser orquestrados pela Junta Militar pois desde o princípio o grupo está comprometido em, junto com ao governo, encontrar uma solução para aqueles que considera verdadeiros guerrilheiros do partido e almejam viver em paz.
Na segunda-feira Nhongo denunciou ter havido ataques a uma das bases do seu grupo supostamente perpetrados pelas Forças de Defesa e Segurança e ameaçou retaliar caso as acções continuem. Para já, Nhongo diz que no dia 16 de Setembro vai enviar uma carta, usando canais apropriados, para o Governo de Filipe Nyusi, na qual serão apresentadas as principais preocupações do grupo.
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