🎧 NoticiAudio, 10 Septembro 2020 🎧
NoticiAudioEstimados ouvintes, sejam bem-vindos a mais uma edição do NoticiÁudio!
Os destaques desta semana.
- Amnistia Internacional exige investigação de tortura por forças de segurança em vídeos arrepiantes
- Deslocados de ataques armados passam fome em Gondola
- Reabilitação de sanitários nas escolas da zona sul vai custar 900 milhões de meticais e em ajustes directos
- Ex-deputado da Renamo condenado por recrutamento clandestino
- Incêndio causa morte de oito garimpeiros em Tete
O governo de Moçambique deve lançar uma investigação independente e imparcial à tortura e outras graves violações cometidas por forças de segurança em Cabo Delgado, apelou na quarta-feira a Amnistia Internacional, após verificação de imagens provenientes da região, que mostram crimes contra detidos.
Segundo a Amnistia, os vídeos e as imagens mostram tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos infligidos a prisioneiros;
O diretor Regional da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, Deprose Muchena, alertou que os abusos dos insurgentes não podem de forma alguma justificar mais violações de direitos pelas forças de segurança em Moçambique e que o governo deve desde já ordenar uma investigação rápida, transparente e imparcial, que permita responsabilizar todos os autores de tais crimes em tribunal, através de julgamentos justos.
A Amnistia denuncia que os soldados que cometeram as atrocidades patentes nos vídeos analisados usam as fardas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e da Unidade de Intervenção Rápida da Polícia de Moçambique.
Num dos vídeos, depois dos espancamentos, um soldado baixa-se e, com uma faca, corta uma orelha de uma vítima. A seguir coloca a orelha no chão, em frente ao rosto da vítima, enquanto os soldados em volta celebram.
Deslocados internos vítimas dos ataques armados no interior da província de Manica estão a passar por situações difíceis na vila de Gondola, onde se encontram refugiados à procura de lugares mais seguros.
De acordo com o Jornal O País, nos centros de acolhimento falta quase tudo, desde alimentos, cobertores até a água.
Devido à falta de assistência condigna do governo, as vítimas dos ataques vão as matas para tirar lenha e vender para que possam ter dinheiro de comprar alguns produtos alimentares, enquanto que a água que bebem buscam no rio. Uma das vítimas disse à STV que a água é suja e geralmente causa diarreias e outras doenças.
As autoridades estão a par desses problemas, mas dizem não conseguir assistir todas as vítimas. Na quarta-feira da semana passada entregaram comida para os próximos 30 dias a uma parte das famílias afectadas. O assunto de água também poderá ser ultrapassado com a abertura de um furo de água, numa iniciativa do município local.
O governo vai investir cerca de 900 milhões de meticais na reabilitação de escolas para que possam ter condições para a retoma das aulas presenciais face à covid-19, isso só nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane.
Com a desculpa de que há urgência na reabilitação das escolas, o Governo vai usar o modelo de ajuste directo na escolha de empresas que vão reabilitar as escolas, isto é, não haverá concurso público mas sim as empresas serão apontadas a dedo.
O CanalMoz escreve que a decisão é criticada pela sociedade por entender que a mesma propicia clientelismo e corrupção entre os funcionários públicos e os donos das empresas que vão executar as obras.
Sandura Ambrósio, ex-deputado da Renamo, foi condenado na terça-feira pelo Tribunal Judicial Distrital de Dondo, a cinco anos de prisão com pena suspensa. Ele e outros cinco réus eram acusados de alegado envolvimento no recrutamento de homens para as fileiras da autoproclamada Junta Militar da Renamo, de Mariano Nhongo.
O tribunal concluiu que o recrutamento feito pelo ex-deputado não tinha ligação directa ao grupo de Nhongo. Outros quatro suspeitos tiveram as mesmas penas, e o sexto elemento foi absolvido por insuficiência de provas no alegado recrutamento clandestino.
O juiz da causa, Carlitos Teófilo, além do imposto máximo de justiça, ordenou a cada um dos condenados a pagar uma multa de 175 mil meticais a favor do Estado.
Entretanto, Sandura Ambrósio reitera a sua inocência insistindo que foi alvo de uma perseguição política. Por sua vez, António Bauase, tido como o recrutador para a Junta Militar, defendeu que o processo a que foi alvo foi movido por “um poder” no seio da Renamo, sugerindo uma perseguição interna para calar os seguidores do líder histórico Afonso Dhlakama.
Oito garimpeiros de ouro morreram carbonizadas e outros cinco ficaram gravemente feridos na sequência de um incêndio numa aldeia comunal na região de Vila Mualadzi que dista a 130 km da sede do distrito de Chifunde, na província de Tete.
Em contacto telefónico com o Zitamar News, o chefe distrital das operações da Polícia da República de Moçambique, José Castigo explicou que os garimpeiros esqueceram fogo aceso depois de aquecer, face ao frio que se faz sentir na região. Eles dormiram e uma das cabanas foi atingida pelo fogo que se alastrou com facilidade devido à construção precária das mesmas.
Castigo disse que os cinco feridos foram levados para uma unidade hospitalar no vizinho Malawi, perto da zona do incidente, pois a unidade de saúde de referência no território nacional, dista a mais 120 km da zona do incidente.
A fonte revelou que a actividade de exploração ilegal de ouro naquela área é praticada por indivíduos estrangeiros e alguns nacionais. Só este ano, as autoridades na província de Tete já reportaram mais de 10 mortos por desabamento de minas artesanais de ouro.
Esta foi mais uma edição do NoticiÁudio, produzido pela Plural Media.
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