Mother - Pt.2 - Story #003
Lee Joon-Woo - 20 de Janeiro de 2026 - 16hrs
A clínica sempre foi clara demais para os olhos de Joon-Woo, mesmo que o pátio externo, com seu grande jardim, fosse um pouco mais convidativo. Era onde disseram que sua mãe estava, em sua caminhada diária para respirar um pouco de ar fresco.
O rapaz chegou naquela área comum com uma mochila nas costas e um buquê de rosas brancas na mão, as favoritas de sua mãe. A mulher andava a passos vagorosos pelos ladrilhos do pátio com um olhar perdido em direção ao céu. Atrás de si, um jovem mulher da sua idade a acompanhava. Era Minhee, sua enfermeira pessoal e provavelmente a pessoa ali dentro que tanto Joon quanto sua mãe tinham mais contato.
Quando a jovem avistou Joon-Woo, sorriu gentilmente para ele, acenando para que ele se aproximasse. O rapaz retribuiu o sorriso, se colocando ao lado da enfermeira, agora ambos acompanhando silenciosamente a mulher mais velha à frente. Ele já teria parado a tempos de puxar conversa com a mãe, passando apenas a observá-la dessa forma.
— Ela está progredindo bastante, sabia? — Sussurou a enfermeira, evitando de incomodar sua paciente, mas demonstrando uma expressão alegre em sua face. — Ontem, ela até descreveu a casa que vocês moravam, inclusive mencionando seu quarto...
— Deixa eu adivinhar, ela não soube responder de quem era, né? — O desmanche do sorriso de Minhee confirmou sua suspeita. Joon-Woo balançou a cabeça em negação, dando tapinhas no ombro da garota. — Está tudo bem. Já é ótimo ela conseguir falar de casa sem ter uma recaída, uma hora ela consegue.
Ele dizia aquilo mais para consolar a si mesmo do que acalmar a enfermeira. Uma fagulha de esperança que ele tentava manter acesa todos os dias com mantras recorrentes: "É uma fase", "Logo ela melhora", "Já é um começo"... Era a forma que o rapaz encontrava para lidar com a imagem atual de sua mãe, uma vez vívida e alegre, agora sendo apenas um corpo ambulante com alguns momentos de lucidez.
— Quer me dar as flores? Colocarei em um vaso ao lado da cama da senhora Lee. — Sugeriu Minhee, oferecendo as mãos para carregar o buquê. O filho esquecido aceitou a oferta, afinal, era melhor para todos que a enfermeira entregasse as flores em seu lugar.
— Obrigado... Ela ama rosas brancas, ou pelo menos amava.
Julho de 2010 - Casa dos Lee
— Eu acho as rosas vermelhas mais bonitas... — Resmungou Joon-Woo, de dez anos, enquanto jogava seu Playstation 2, tentando pela vigésima vez matar um chefão em Prince of Persia. — As brancas são sem graça!
Senhora Lee se mantinha sentada atrás dele, costurando parte do uniforme do filho que havia rasgado durante o intervalo no dia anterior. Ela soltou um riso fraco com a indignação da criança.
— A culpa é do seu pai, ele que me fez gostar das brancas. — Sua voz era calma e soava gentil, como um afago necessitado em momentos de euforia. — Foi o primeiro presente que ele me deu quando namorávamos.
— Eca... — A criança forçou uma careta, antes de nojinho, mas logo de raiva, porque novamente havia morrido em seu videogame. — Que chato!
O sorriso daquela mãe se mantinha em seu rosto, não apenas em proveito das conversas mundanas com seu único filho, seu bem mais precioso, mas também pelas lembranças de sua juventude. O pai de Joon havia sido seu primeiro e único namorado, então toda e qualquer memória era especial. Hoje em dia não tinham mais tanto tempo juntos em comparação a quando eram jovens. Seu marido passava o dia fora trabalhando, enquanto ela tinha sua agenda diária ocupada na criação de seu filho.
Apesar disso, ela era feliz, não poderia desejar outra vida para si. Ela era satisfeita no simples, no amor de sua família. A única coisa que ela poderia desejar era uma saúde melhor para seu marido. Ele não sabia, mas ela escutava suas tosses persistentes durante a madrugada. Não iria forçá-lo a nada, mas pretendia de forma despretensiosa deixar um cartão de um médico familiar que conhecia em seu escritório.
Ela só esperava que as coisas não fossem ficar piores. Ela adoraria receber mais rosas brancas de seu amado.