Mother - Pt.1 - Story #002
Lee Joon-Woo - 19 de Janeiro de 2026 - 16:30
AVISO DE GATILHOS: Menção à violência doméstica e transtornos psiquiátricos. Nada explicitamente descritivo.
“Boa tarde, sou Park Jeonghyo, do setor de relações familiares do Centro Clínico de Saúde Mental de Seul. Falo com o senhor Lee Joon-Woo?”
Por mais que estivesse esperando tal ligação, o rapaz não conseguiu evitar de suspirar no telefone. Era a época da visitação mensal, as quais os pacientes da área de internação compulsória tinham direito até certo ponto. Todo mês era a mesma coisa: Uma atendente da clínica ligava para o responsável, confirmava os dados pessoais e repetia categoricamente todo o procedimento padrão o qual o visitante deveria seguir a risca para um boa visita (palavras dela, não de Joon).
A paciente era ninguém menos que sua mãe, internada pelo próprio filho após episódios violentos em decorrência do desenvolvimento de um Transtorno de Estresse Pós-Traumático. O trauma? O falecimento do marido, o qual Joon teve a infelicidade de herdar o fenótipo, agradando nem um pouco a senhora Lee.
Joon-Woo não teria tomado medidas tão drásticas se não fosse estritamente necessário. Na última ocorrência antes da internação de sua mãe, a própria tentou ferí-lo, e teria conseguido se o filho não tivesse, infelizmente, já previsto o ato. Ele não teve escolha, ainda mais por desta vez a polícia ter sido envolvida, chamada por vizinhos preocupados com o bem-estar daquela pobre família.
Desde então, Joon faz visitas mensais à mãe e tenta de tudo para conversar com ela, mas, desde sua entrada na clínica, ela aparenta não o reconhecer. Os médicos lhe contaram que o confinamento pode ter gerado um mecanismo de defesa psicológico, onde o cérebro bloqueou a informação que desencadeava boa parte dos episódios, ou seja, Joon-Woo, seu filho. Para a própria mãe, o rapaz não passava de um estranho que, por algum motivo, a visitava todo mês e não despertava em si nenhuma intenção sequer de iniciar uma conversa.
Era, para dizer o mínimo, triste. Doloroso. Até mórbido. Joon havia morrido para a própria mãe junto ao pai, ou melhor, ele nem tinha nascido para ela, jogado ao esquecimento. Ele apenas presenciava uma casca vazia que não o reconhecia, mas ele não poderia abandoná-la, jamais faria isso.
Ele poderia não ser mais seu filho, mas ela sempre será a sua mãe. Sua mãe que preparava toda dia seu kimbap para ele levar para escola. Sua mãe que não o expulsou de casa quando ele disse que não faria faculdade. Sua mãe que o defendeu inúmeras vezes do bullying que sofria durante o ensino médio por querer seguir carreira com a internet. Ela ainda era essa mãe, ela só não lembrava, e Joon lembraria pelos dois, nem que isso custasse sua saúde mental.
Além disso, a conta da clínica era um absurdo e Joon arcava com tudo sozinho. Corridas que ninguém queria pegar, trabalhar em feriados, pular almoços, tudo para, além de conseguir se sustentar, também prover o melhor para sua mãe, que seria a manter na clínica. Apesar da perda de lembranças dele como consequência, não havia ocorrido mais nenhum incidente. Ela havia estabilizado com auxílio dos médicos e enfermeiros. Então, para que tirá-la de lá? Por que trazer novamente a dor ao seu coração só para o próprio ego se sentir menos ferido?
Não era o certo. Ele não conseguiria, a amava demais para se colocar na frente das prioridades da sua mãe. O prognóstico dos especialistas é que ela vá gradualmente aceitando a presença de Joon e recordando dele, mas uma tentativa brusca de retomar as memórias só agravaria seu estado atual. Então, ele esperaria. Continuaria a visitá-la mensalmente com a esperança de ser chamado de "filho" novamente.
Ele seria paciente.
Ele precisava ser paciente.
“Sim, sou eu.”