Manifestos Esquerdas Unidas
Esquerdas UnidasI) Manifesto para construir uma civilização sustentável e empática
União dos anticapitalistas, anarquistas (anarcocomunistas, anarcossindicalistas, ecoanarquistas, veganarquistas, etc.), autonomistas, comunistas (marxistas libertários, etc.), socialistas (ecossocialistas, socialistas libertários, etc.), cooperativistas, defensores da Economia Baseada Em Recursos e outras vertentes da esquerda. Portanto, somos uma rede de pessoas e grupos engajados na superação do capitalismo através de uma pauta comum que abriga uma ampla gama de linhas políticas.

Nos organizamos para construir uma alternativa aos capitalismos de mercado e Estado, agindo com Pacifismo Proativo. Objetivamos uma civilização sustentável e empática, por isso rejeitamos a violência, tentando ser coerentes. Tentamos "ser a mudança que queremos ver no mundo".
Repudiamos todo discurso de ódio (inclusive da esquerda) e só empreenderemos uma revolução agindo rigorosamente nos termos do Pacifismo Proativo, pois quando algo se fundamenta em princípios nobres, em valores elevados, perdura como uma semente que poderá brotar quando o meio estiver propício.
Pacifismo Proativo: "Defender a si próprio e a todos os seres e espécies sencientes, empregando força apenas quando indispensável, mas sempre sem exceder o estritamente necessário à defesa, isto é, sem vingança ou punição, tanto física quanto psíquica, durante ou posteriormente a tentativa de defesa. A força física deverá ser sempre o último recurso, gradualmente aplicado conforme a progressão da violência empreendida pelo agressor." Tomar como referência o Aikido original.
Estamos convictos quanto à imperiosa necessidade de substituir hierarquia por autogestão, verticalidade por horizontalidade, competição por cooperação, personalismo por coletivismo, egoísmo por solidariedade. Por isso agimos juntos, unificados, para a superação do capitalismo e de todas as outras formas de exploração entre seres humanos e destes aos demais seres sencientes.
Cada um pode trabalhar paralelamente nos projetos de sua própria linha política ou, assim que julgar conveniente, renunciar sua participação em nosso trabalho coletivo.
Nossa proposta é baseada nos princípios anarquistas, mais especificamente nos apoiamos no anarco-comunismo e nas lições do anarquismo especifista. Entendemos que uma transformação profunda da sociedade para uma sociedade de compartilhamento e voluntarismo, uma sociedade comunista, pós-escassez, só pode acontecer se os valores individuais das pessoas se alinharem com esse modelo novo, ou seja, se eles melhorarem de qualidade primeiro. O meio de se promover essa mudança é estabelecendo um movimento social onde nossos princípios sejam exercitados desde o dia zero no dia-a-dia, educando as pessoas e resolvendo os problemas mais impeditivos que elas tem desde já, como por exemplo dando oportunidades de trabalho e de profissionalização, facilitando o acesso à cultura, e outras coisas igualmente sensíveis às necessidades dos indivíduos, pra que eles tenham boas condições de vida.
Por isso nosso modus operandi é promover reformas progressistas no sistema presente enquanto fazemos um trabalho de base forte olhando pro futuro. Acreditamos na democracia direta, na responsabilidade pessoal e autogestão comunitária, na economia colaborativa, na redução do desperdício e na ecologia, na dignidade humana e nas ciência e tecnologia como nossas aliadas.

II) Manifesto para lutar pela emancipação do Terceiro-Mundo
União dos bolivarianos, anti-imperialistas, anti-colonialistas, anti-puristas, decoloniais e outras vertentes referentes ao combate ao capitalismo, à defesa da soberania do Terceiro-Mundo, principalmente da América Latina e à emancipação dos mesmos. Portanto, somos uma rede de pessoas e grupos engajados no empoderamento dos povos injustiçados através de pautas decoloniais onde se combate o eurocentrismo e as consequências da imposição capitalista do Primeiro-Mundo.

Nos organizamos para construir um mundo justo no pós-colonial garantindo que os povos subalternizados pela modernidade capitalista tenham soberania sobre a própria terra e possam se unir. Objetivamos soberania, justiça e os citados no manifesto I.
Não dá para simplesmente desarmar, desfazer ou reverter o colonialismo, isto é, ir de um momento colonial para um não-colonial, como se fosse possível que seus padrões e marcas deixassem de existir. Tomemos como exemplo o fim da colonização da América Latina, nas primeiras décadas do século XIX, não foi acompanhado do fim da colonialidade, isso significa que, em um momento histórico no qual a Revolução Francesa dava forma á ideia de discussões políticas da cidadania, as elites políticas latino-americanas consideravam cidadãos apenas homens brancos, de origem europeia e portadores de determinada quantidade de dinheiro. Não havia espaço, nas novas nações, para que o índio, o negro ou o mestiço fossem considerados cidadãos. E ainda não há.
O Primeiro-Mundo era o industrializado capitalista, o Segundo-Mundo era o industrializado comunista e o Terceiro-Mundo era o subdesenvolvido recém-descolonizado ou colonizado. Entretanto, junto com essa divisão veio as intervenções capitalistas (sobretudo dos Estados Unidos) no Terceiro-Mundo, com as promessas de civilização e desenvolvimento, promovendo educação e industrialização aos moldes dos países de Primeiro-Mundo, um processo onde ocorreu e ainda ocorre diversas atrocidades em prol da concentração do Capital.
A decolonidade aponta que a modernidade eurocêntrica não começa na Revolução Francesa, mas na colonização das Américas, para a modernidade eurocêntrica impor-se como projeto totalitário, ela necessitou negar os saberes de outros povos, nos quais se incluem o negro africano, o ameríndio e outras populações. Para superá-la é preciso, portanto, revolucionar, fazer com que esses saberes reemerjam, dando voz a quem foi calado há 500 anos e continua sendo calado, perseguido, explorado, agredido e alvo de genocídio.
Decolonialidade: "Processo que busca transcender historicamente a colonialidade, supõe um projeto mais profundo e uma tarefa urgente para o nosso presente de subversão do padrão de poder colonial, isto é, a intenção é provocar um posicionamento contínuo de transgredir, intervir, insurgir e influenciar. O decolonial implica, portanto, uma luta contínua."
Cada um pode trabalhar paralelamente nos projetos de sua própria linha política ou, assim que julgar conveniente, renunciar sua participação em nosso trabalho coletivo.
Esclarecemos aqui que exigir revolução decolonial aos moldes do Primeiro-Mundo é inegavelmente uma atitude contrarrevolucionária e purista porque impõe um comportamento civilizatório irregular ignorando as consequências do projeto totalitário do eurocentrismo e o histórico de exploração do Primeiro-Mundo, além de negar os padrões e marcas que a colonização deixou, nega também a Luta de Classes.

III) Regimento dos nossos grupos públicos
1) Para todos os membros:
1.1) Aceitamos o humor educativo ou politicamente provocativo, que estimule reflexões ou instigue à ação pacificamente proativa.
1.2) Evitamos desvios de foco.
1.3) Não damos espaço àqueles que defendem comércio de seres humanos, escravidão sexual e outras propostas afins. Não aceitamos machistas, racistas, escravagistas, fascistas, imperialistas, LGBTfóbicos, outros intolerantes e toda a gama de pessoas nas quais o egoísmo se cristalizou como valor de conduta e ideal político.
1.4) Não é permitido:
1.4.1) Divulgar, sem antes pedir a permissão dos administradores;
1.4.2) Flood, spam ou troll;
1.4.3) Ofensas, atitudes invasivas ou intimidadoras;
1.4.4) Postar imagens violentas e/ou perturbadoras;
1.4.5) Desinformação intencional;
1.4.6) Pornografia explícita.
2) Para todos de direita (sobretudo ancapetas, olavetes e bolsominions):
2.1) Somos tolerantes, mas não coniventes. Por isso, sua presença será permitida enquanto você se limitar a observar ou a realizar raros, breves e educados comentários para esclarecimento caso flagrem evidente notícia falsa, caluniosa ou baixo calão.
2.2) Não é permitido:
2.2.1) Proselitismo de direita, em outras palavras: não tentem nos converter, seja postando material que defenda ideias, práticas ou pessoas da direita, seja atacando as esquerdas;
2.2.2) Qualquer prática que resulte em manutenção de uma pauta de direita.
3) Quanto a moderação:
3.1) A cada banimento, haverá uma notificação pública de sua causa;
3.2) O banimento geralmente será temporário, a depender da gravidade da violação cometida, mas não há prazos pré-fixados. Quem for desbanido não será avisado.
