Little Friend - Story #005
Lee Joon Woo - 07 de Fevereiro de 2026
O ambiente era caloroso por si só. Adultos e crianças para lá e cá, apontando para animais de todas as cores, tipos e tamanhos. A visão mais comum era alguma família se afastando das barracas com algum novo pet no colo, sorrisos estampando seus rostos. Joon Woo estava se sentindo encantado por si só.
Além de morrer de amores pelos pequenos seres, ele também tinha um compromisso importante a ser feito: Minjun tinha conseguido arranjar um encontro entre ele e seus superiores da Molly's Pet Shop, uma possível entrevista informal para um possível novo emprego. O rapaz estava nervoso como nunca antes esteve. Precisava muito daquele emprego e o insight daquela alternativa veio como um raio em sua cabeça.
Durante a infância, a casa era cheia de animais, sendo a culpa toda de seu pai, que era apaixonado por qualquer ser que respirasse e que pudesse oferecer-lhe carinho. As coisas começaram a mudar durante sua adolescência. Os bichinhos, já de idade, começaram a deixar a família um por um por causas naturais, assim como seus pais ficavam mais idosos e com a saúde mais debilitada, não dando brecha nem razão para a adoção de outros bichanos. Joon-Woo sempre amou animais e já sentia falta de poder dar um lar a um deles, principalmente com a solidão que o abateu após a morte de seu pai e internação de sua mãe.
Contudo, as situações não eram das melhores, mesmo a tentação ser tremenda. Fez uma promessa para si mesmo: Se tudo der certo com o pessoal da Molly's, ele iria pensar no caso.
E o universo parecia ter escutado esse pensamento.
• • •
O gato apareceu pela primeira vez enquanto Joon conversava com Minjun, à espera do chefe deste. Ele sentou, miou e encarou-o com a maior das ternuras, como se o analisasse.
— Oi, carinha... Se perdeu? — Perguntou Joon ao gatinho laranja, aproveitando de alguém ter chamado o amigo para dar atenção ao felino. Estendeu a mão a ele, que imediatamente se aproximou dela para receber carinho. — Você é uma graça... E muito meigo.
Os olhinhos do laranja se fechavam conforme recebia as carícias em suas orelhas, cedendo ao afago, o que tirou de Joon um sorriso vencido.
— Não... Não começa com seus mecanismos felinos, eu não vim adotar... Não me tente... — Um miado baixo acompanhou o ronronado enquanto o viu se esfregando em sua perna.
O rapaz ouviu alguém o chamar e viu aquilo como uma fuga das garras fofas daquele gatinho. Um último miado, esse mais triste, pôde ser escutado antes de deixar o recinto.
• • •
— Sério, mesmo?! Muito obrigado! Estarei lá, sim! Muito obrigado de verdade, não irei decepcioná-los!
Uma vaga para tosador. Um período de teste e aprendizado começando a partir de segunda-feira. Joon-Woo não conseguia conter a alegria com a oportunidade. E aparentemente o gato laranja também parecia estar da mesma forma, já que se aproximou novamente do rapaz, esfregando-se em sua perna.
— Você de novo? Vem cá... — Não se contendo como da última vez, Joon se agachou e direcionou ambas as mãos ao felino, que pareceu entender de imediato suas intenções, lhe esticando suas patas dianteiras em sinal de aceitação ao ato de colo. — Nossa, como você é dado... — Resmungou o rapaz em um riso fraco, pegando o laranja no colo e ficando em pé, oferecendo carícias em sua barriga, as quais o gato não negou, mas sim miou em concordância.
Era como se fossem amigos de longa data, parceiros de anos pela intimidade imediata que pareciam ter.
— Ele não é assim com todo mundo, sabia? Já arranhou praticamente todos os voluntários. É até estranho ver ele desse jeito. — Disse uma garota mais velha que se aproximou de Joon. Ela parecia ser uma das responsáveis do evento. — A gente chama ele de Zangado, pra você ter uma noção.
Aquilo arrancou outro riso de Joon. Como poderia aquele gato todo oferecido ter aquele apelido? Estavam falando do mesmo gato?
— Vai adotar? Porque ele já te adotou. — Terminou a garota, antes de sair para resolver suas próprias questões.
Os olhos do rapaz encontraram os olhos do felino que, por algum motivo, continuava vidrado em si. Esperando. Esperando alguma coisa.
— Não me olha assim...
O gato continuava não desviava sua atenção nem um segundo sequer.
— Droga...
Joon-Woo teria que se esforçar tremendamente naquela semana. Naquele momento, ele havia se tornado pai de pet. Ou melhor, o gato tinha se tornado filho de um humano.