Justiça Cega

Justiça Cega

Zé Ramalho


Tirem a venda dos olhos da justiça

Pra que ela possa enxergar

Mais claramente

O que se passa bem ali

Na sua frente

Bem no silêncio

Da cobiça, dos palácios

Dos espelhos e espaços

Que não brilham mais

Nunca mais


Use a espada

Pra cortar de vez as falas

As mentiras são as espirais

Do que te entregou

Lembre as escadas

E os porões das ditaduras

Lembre as estórias

De paixões e de loucuras

De canções e aventuras

Que não voltam mais

Nunca mais



E, enfim, estamos sós

No meio de oceanos

De hermanos e transações

De corações

Lembre dos olhos

Das meninas e machões

Dos compromissos

Que viraram os canhões

Das estrelas, dos clarões

Que não brilham mais

Nunca mais


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