@ryota-kyv

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KYŌYOU VILLAGE
Ryōta Hasegawa é o segundo filho e único herdeiro homem de uma família poderosa do ramo imobiliário. Após anos de submissão ao pai autoritário, ignorando os métodos antiéticos da empresa – despejos forçados, fraudes imobiliárias – a culpa e a infelicidade se acumularam na última gota que faltava para abandonar tudo o que tinha. Agora, busca um recomeço em uma sharehouse, longe do controle e das expectativas que o sufocavam, e onde ele tenta, pela primeira vez, decidir seu próprio destino.

Biografia.

tw: abuso físico e emocional, pais controladores.

Ryōta merecia uma segunda chance, uma vida comum, longe da família que controlava todos os seus passos desde a infância. Era o segundo filho, mas o único homem entre os três herdeiros dos Hasegawa – e, por isso, o que mais sofria com as expectativas familiares. Enquanto suas irmãs eram moldadas para casamentos estratégicos, Ryōta tinha um destino preso à sombra do pai, condenado a assumir o lugar do patriarca nos negócios da família.

Mesmo tendo sido criado naquele ambiente opressor, sempre foi alguém sensível, quieto e gentil com as irmãs. Mas, submisso à vontade do pai, transformara-se em um fantoche obediente, forçado a manter uma imagem perfeita para se encaixar nos métodos questionáveis da elite japonesa. Por mais que discordasse, ignorava transações de imóveis que nem existiam, a compra de áreas urbanas que expulsavam moradores antigos de suas casas – tudo sob o pretexto de "revitalização urbana", que não passava de fachada para os planos gananciosos de magnatas com poder excessivo nas mãos.

Vestir um colarinho branco e seguir no ramo da empresa não foi algo que conseguiu sustentar por muito tempo. Ryōta não tinha um sonho, um objetivo que o movesse, e talvez esse fosse o motivo para permitir que o pai o controlasse por tantos anos: usava aquilo como uma forma de fuga, mesmo pressionado de todos os lados. Sentia-se constantemente ansioso, infeliz; não conseguia nem olhar nos olhos do pai sem tremer de medo. Mas não era mais uma criança. Tornara-se um homem adulto, e os abusos da infância, disfarçados de 'lições disciplinares', não se repetiriam – dessa vez, ele não deixaria. Já estava esgotado delas.

O primeiro passo foi ouvir suas próprias questões: afinal, por quanto mais tempo conseguiria viver daquele jeito? Quanto mais tinha que aguentar até que se tornasse o suficiente para eles? Ele não tinha escolhido nascer naquela família, há muito tempo não escolhia nada, então o que mais faltava para ser amado pelos próprios pais? A espiral de pensamentos sombrios levou-o ao segundo passo: entregar a carta de demissão. O frio que percorreu seu corpo ao estender o documento na sala do pai foi um dos momentos mais angustiantes que já vivera. A voz irritada do homem ecoou pelas paredes, e Ryōta fez o possível para não deixar que as palavras o afetassem, para não mostrar o quanto suas mãos tremiam e seu coração batia na garganta pela decisão mais difícil de sua vida.

Ao pedir desculpas, curvando-se diversas vezes, sentiu os olhos arderem e o peso de se tornar uma decepção para aquele que, por tanto tempo, ele tentara agradar cair sobre seus ombros. Quando o homem girou pela sala e bateu em seu rosto com o punho, chamando-o de ingrato aos gritos, a dor e o choque não se compararam à raiva contida de todas as memórias que vieram à superfície. Com um ressentimento amargo dominando sua garganta e dissipando qualquer arrependimento, no dia seguinte, deixou a casa da família para trás. Embora sentisse incerteza pelas irmãs e pela mãe – mesmo que a omissão dela fosse parte do problema –, sabia que precisava dar aquele passo sozinho.

Um recomeço. Era o que aquela vila prometia. Lembrava-se de ter visto o anúncio durante uma pesquisa para um cliente, quando ainda trabalhava na imobiliária, e a sharehouse grudara em sua memória por causa da proposta que oferecia: pessoas reais, vivendo juntas, não apenas colegas de trabalho ou amizades falsas que queriam se aproveitar de seu sobrenome. Ou, pelo menos, um respiro que o ajudasse a colocar a cabeça no lugar, até que os pensamentos se encaixassem, e pudesse decidir, pela primeira vez, o rumo da própria vida.



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