Faladoiro
A Galheira
#Crise #covid #passaporte sanitário #controlo social
Quase dous anos depois do início da pandemia observamos que a capacidade crítica e propositiva
das pessoas que nos movemos no âmbito dos movimentos sociais diminuiu enormemente. Por isto é
que achamos necessário falar. Falar de vagar, cara a cara, longe das dinâmicas corrosivas que criam
as redes sociais e as estratégias divisórias do poder.
Estamos diante da maior crise sistémica que conheceu o capitalismo: para além das próprias
contradiçons inerentes a este modelo de produçom e reproduçom da vida, agora somam-se limites
naturais ao crescimento económico: A crise climática e a escassez de recursos aparecem como
variáveis determinantes na evoluiçom da situaçom.
O passado 31 de Dezembro o BOE publicava um real decreto titulado “Estrategias de seguridad
nacional” que vem marcar as linhas mestras na gestom de supostos cenários de crise. Este texto
parece-nos de obrigada leitura para compreender o alcance da situaçom atual e os perigos aos que
nos enfrentamos cara o futuro. Se quadra o mais surpreendente nele é a aceitaçom por parte do
governo espanhol de um cenário de colapso motivado polas tensões na política internacional, a
escasseza de recursos, o cambio climático, a dependência e vulnerabilidade de internet e as crises
sanitárias (epidemias e pandemias). Ainda que nom avalia as causas que nos trouxeram até aqui (um
sistema capitalista depredador), nom deixa de resultar chamativo o reconhecimento da crise
sistémica por parte do governo do reino da Espanha, acostumadas como nos tinham à ladainha do
terrorismo internacional para justificar a invasom de territórios estratégicos do ponto de vista
extrativo ou militar, em consonância com os seus interesses defendidos pola NATO.
Seja a analise da situaçom mais ou menos acertada, o decreto aprovado no dia dos santos inocentes
nom resulta nada engraçado enquanto às medidas que prepara para paliar os possíveis efeitos sociais
desta crise. O texto prevê umha situaçom de convulsom social derivada do empobrecimento, das
vagas migratórias, da escassez de recursos etc que o estado conta repremer, aplicando a lógica da
antecipaçom. A preocupaçom polo mantemento da ordem dentro das próprias fronteiras pretende
atalhar-se por meio do controlo social e da censura. O texto fala repetidas vezes da perseguiçom de
posturas “que pretenden erosionar as instituiçons” e da necessidade da censura; da digitalizaçom
orientada ao controlo social e da antecipaçom nos conflitos, apoiando-se na informaçom que
forneçam empresas privadas, como as que sostenhem as redes sociais.
Neste contexto é que cobra todo o sentido o passaporte covid, como umha primeira experiência cara
ao controlo digital. De facto, ao longo do texto, a covid aparece, mais umha vez, como escusa para
a militarizaçom da intervençom do estado em problemas de ordem sanitária ou sociais.
Nós também achamos que o capitalismo está em crise porque os limites naturais venhem de pôr o
freio ao sistema de acumulaçom. O monstro tem fame, e parece que de onde pretendem ranhar mais
um bocado para ele é das trabalhadoras. Mas nom por isto nos queremos deixar contagiar polo
pessimismo que o próprio sistema promove, porque sabe que a sua maior inimiga é a nossa ilussom
revolucionária.
Urge resgatar a nossa capacidade crítica sobre a gestiom da covid, aceitando a complexidade do
cenário atual e o direito a errar. Nom podemos consentir dividir-mo-nos entre vacinadas e nom
vacinadas, nem desativar a nossa capacidade de analise por medo a sermos catalogadas de
negacionistas. Isto som armadilhas do sistema, que devemos rejeitar com firmeza. Nom somos
tertulianos de televisom, somos companheiras e companheiros e imos encontrar-nos para debater e
propor acionares coletivos.
Eles preparam-se para a crise, nós também.
Vemo-nos o dia 14 de Janeiro, às 19h30 no CS A Galheira