Windows+L - Story #001

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Ryu Miso - 19 de Janeiro de 2026 - 23h00

Miso se jogou na cama em um suspiro cansado quando o seu celular começou a tocar "Baby Shark", o toque especial que a garota dera para o contato de seu irmão. Uma música irritante para alguém mais irritante ainda. Encarando o novo teto que ela veria todas as noites a partir de agora, ela atendeu a ligação, colocando o celular no viva-voz, jogando sobre o colchão logo em seguida.

O que foi agora? Duvido que queira saber do meu bem-estar logo depois de me expulsar de casa. — Esbravejou com rancor, imaginando a face debochada do mais velho após ouvir seu riso tosco pelo celular. — Fala logo o que você quer.

Calma, monstrinho. — Aquele maldito apelido o qual seu irmão a chama desde criança. Mesmo adultos, ele continua usando só por saber o quanto a irrita. — Eu te dei uma tarefa, vim saber como você está se saindo. Quais são as novas? Andei sabendo que houve uma briga entre síndicos, é isso?

Miso revirou os olhos com tanta força que ela quase sentiu que poderia ver seu próprio cérebro. De forma brusca, se sentou sobre a cama, agarrando o aparelho telefônico e o fitando de cara amarrada, como se tivesse encarando o próprio irmão com seu bico emburrado costumeiro.

Eu acabei de chegar, ainda tem caixas para serem desempacotadas, sabia? Que tal você mandar um de seus funcionários vir me ajudar e quem sabe eu te conto alguma coisa, hein? — Despejou as palavras bem no microfone, esperançosa que aquilo lhe causasse, ao menos, uma surdez temporária.

Que drama, hein, Miso? Você não consegue nem desempacotar as coisas sozinha? Como se formou no ensino médio? — Os insultos entre os dois eram recorrentes, quase que a forma de se entenderem. Infelizmente, isso não afastava o sentimento da garota de minimamente querer ser útil em alguma coisa. — Desembucha. O que você ouviu? Dependendo do que você falar, mando alguém aí pra fazer o serviço.

Era sempre assim. Nunca era ela que ditava as regras, ela apenas as aceitava. Não tinha muito o que ela fazer, afinal. Miso deveria ter se preocupado com isso antes, quando sua dependência financeira era atrelada aos seus pais, que cediam aos seu caprichos. Agora, com seu irmão herdando o complexo, a renda era dele. Ou ela obedecia, ou teria que morar na rua. Literalmente.

ARGH! — Resmungou, socando um travesseiro para não tacar o celular pela janela aberta de seu quarto. Contragosto, ela começou. — Aparentemente o síndico dos Blocos 1 e 2 queria tirar os animais mascotes do condomínio daqui, levá-los para um canil ou algo do tipo, o que é um absurdo! Tanta coisa que achei errada nesse complexo e a preocupação dele são os animais? Bem, já acabou. Pelo jeito, a síndica dos outros blocos acabou com a farra dele. Satisfeito?

Um silêncio perdurou por alguns segundos do outro lado da linha, como se o irmão da garota estivesse de fato ponderando sobre o assunto.

Concordo com ele. — Falou Ryu Jihoon, por fim. — Seria muito mais fácil fazer propaganda desse condomínio se não tivesses animais com pulgas perambulando por aí. É nojento.

A garota fechou os olhos, respirando fundo para não xingá-lo no telefone. Além de ser tarde, não ia mudar nada, provavelmente ele apenas desligaria na sua cara e, para melhorar, não mandaria o tal funcionário para lhe ajudar com a mudança. Após contar até 10 mentalmente, falou:

Mais alguma coisa, "maninho"? — O vocativo foi pronunciado da forma mais sarcástica que Miso conseguiu no momento. — Quero dormir, se não se importa.

Por enquanto, é só isso. Terei uma reunião sobre o Yongsan Park amanhã e queria saber das boas-novas. Obrigado pela ajuda, dongsaeng. Continue fazendo um bom trabalho.

E ele desligou. Na cara de Miso. Como ela havia previsto.

Não foi inesperado ela pegar o travesseiro o qual havia socado anteriormente só para enfiar no próprio rosto, abafando seu grito de raiva.


Aquilo era, sem dúvidas, o inferno.

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