Eclipsween
Ryu TaerimEu comecei a noite no Eclipse com aquela falsa sensação de controle que só um dono de boate em pleno Halloween consegue ter. Resolvi umas pendências, testei o som, conferi o estoque… e pronto, virei o cara que está livre para beber e fingir que não tem mais preocupação no mundo. Porque a Minju chegou e ela estava tão linda que o resto virou cenário.
Fiquei ao lado dela até o relógio marcar 00:11, quando o playground abriu oficialmente. O ar lá embaixo era quente, suado, cheirando a desejo e perigo. Tudo permitido, tudo dobrado, tudo tentador. Sungho venceu duas lutas que arrancaram gritos do público e um lucro absurdo do caixa. Eu gargalhei quando ele me xingou por apostar contra ele na primeira, e ele disse que ia fazer eu engolir a aposta dobrada. Fiz. Com gosto.
Eu vi gente apostando a fantasia…
Gente apostando a sobriedade…
Gente apostando a alma…
E perdendo as três.
Enquanto isso, eu bebia. Bebia porque a noite pedia, porque eu era o anfitrião, porque as pessoas brindavam comigo a cada cinco minutos.
O resto virou uma sequência meio turva de acontecimentos: gente se agarrando pelas paredes escuras, apostas absurdas gritando na minha orelha, cheiro de tabaco e bebida se misturando à sensação de poder. Minju desceu até o playground por alguns minutos, me puxou pelo colarinho como se fosse me beijar e, em vez disso, perguntou se eu estava bem. Claro que eu não estava, mas respondi que sim — e ela acreditou. Ou só deixou passar.
Quando a noite começou a perder força e o sol se insinuava lá longe, mandei mensagem para ela perguntando se queria dormir lá em casa. Ela disse que já estava na própria cama. Respondi com um “ok” bem frio, mas por dentro xinguei o silêncio que ficou entre nós. Eu queria ela comigo.
Mas, sinceramente? Eu estava tão bêbado que nem lembro como cheguei em casa. Abri a porta com a sensação de que, se eu piscasse forte demais, acordaria morto.
Não teve banho.
Não teve cigarro.
Não teve Minju me chamando de idiota por me destruir assim.
Teve só eu, afundando no sofá com glitter grudado no rosto e na roupa. Eu queria ter a dignidade de ir até minha cama. Mas a gravidade tinha outros planos. Apaguei ali mesmo, de tenis. A minha alma provavelmente ficou perdida no subsolo do Eclipse.
Quando acordei às três da tarde, cabeça estourando e o celular piscando com mensagens do Sungho tipo “HYUNG KD VC DESDE AS 8???”, a única coisa que consegui pensar foi:
Festa do caralho.
Ressaca maldita.