Dog Therapy - Story #002

Dog Therapy - Story #002

Ryu Miso - 26 de Janeiro de 2026 - 15hrsJanuary 26, 2026

Calma, Tofu! Não precisa correr! — Pedia Miso enquanto tentava conter o cãozinho na coleira. Ele estava eufórico, querendo olhar e cheirar tudo pela rua, então a garota supôs que ele não devia fazer passeios fora do condomínio com muita frequência, o que só deu ainda mais determinação a ela para transformar isso em uma espécie de rotina para o animal.

Mandu não quis ir com eles, mas a Ryu não o culpava, afinal, ele estava todo aconchegado em sua caminha repleta de cobertores. No lugar dele, ela também não sairia. A decisão foi respeitada e Tofu fez questão de mostrar que ele poderia ter energia pelos dois durante todo o passeio.

Com o Shiba já deixando sua língua para fora de cansaço, a garota decidiu que era hora deles fazerem uma pausa, bem em frente a uma cafeteria que ela acabou indo com mais frequência do que esperava desde sua chegada ao condomínio. Um chá mate para ela e uma água fresquinha para o cachorrinho. Após se sentarem em um banco de praça próximo, Miso despejou a água em um potinho improvisado que tinha retirado do armário de sua cozinha antes de sair, observando a pequena fera atacar a vasilha com toda sua sede. Isso arrancou um riso leve dela.

A água não vai fugir, sabia? — Falou para o cachorro, fazendo carinho em suas costas com uma mão, enquanto a outra levava o canudo do chá mate à boca. — Queria que todo mundo fosse fácil de agradar que nem você, Tofu... — Suspirou após um gole da bebida.

Ela tinha saído para passear com Tofu não só para ele respirar um pouco de ar fresco, mas para ela mesma tentar clarear suas ideias. Cada dia que passava, sua tarefa se tornava mais difícil de ser feita.

Tofu, me fala... Como que eu vou ficar espionando todo mundo? Eu pensei que ia ser fácil, que eu não ia me importar, mas... Aish, eu estou me importando! Isso não era pra acontecer. — O cãozinho já tinha terminado de beber sua água e agora, sentadinho e virado para a garota, a escutava atentamente. Ele inclinou a cabeça para o lado, como se não entendesse o que ela dizia. Óbvio. Ele era um cachorro. — As pessoas foram tão legais comigo, por que elas foram tão legais comigo?! Seria muito melhor se elas tivessem me ignorado ou me xingado, assim eu teria motivos para fazer o que meu irmão pediu... Mas elas foram legais! Como vou fazer esse tipo de coisa com quem me tratou tão bem?! ARGH!

Miso jogou sua cabeça para trás no banco, abrindo brecha para Tofu subir em seu colo e se apoiar em seu peito, tentando alcançar seu rosto com a língua em lambidas. A garota tentou avidamente desviar em mais um riso frouxo.

Ei, ei, tá bom, não precisa me convencer, não vou contar nenhum segredo seu. A não ser que você quase fez xixi no Pet Shop, isso é imperdoável. — Um chorinho veio do Shiba, a fazendo franzir o cenho. — Estou quase acreditando que você está mesmo me entendendo, será que sou tipo o Dr. Dolittle? — Um latido. Ou uma confirmação? — Okay, você é mesmo um cachorro diferente...

A Ryu deixou o copo de chá gelado de lado, apoiado no banco enquanto tomava Tofu nos braços, aconchegado, iniciando uma sessão de carinho particular. Não era fácil dizer quem estava gostando mais daquilo: o cachorro, que abanava seu rabo freneticamente com as carícias, ou Miso, que se sentia em uma terapia canina.

Meu irmão me deu uma bronca no baile, sabia? Falou que se eu não fizesse o que ele me mandou fazer, ia aos poucos bloqueando meus cartões... Não é à toa que me ouviram xingar ele, xinguei mesmo! Ele mereceu! Não é mentira que ele é um babaca de primeira, deve ter feito curso... — Ela desabafava, esperando que em alguma realidade paralela dos Estúdios Ghibli, Tofu a compreendesse e até lhe desse conselhos. — Será que eu vou ter que começar a trabalhar? Quer dizer, se ele barrar o dinheiro. Eu não sei fazer nada! Estou começando a me arrepender por ter escolhido fazer intercâmbio em Barcelona ao invés de ter feito vestibular... Talvez eu prestasse moda... Ou jornalismo. Eu daria uma boa jornalista, não é? — Nenhuma resposta, só um olhar para si que ela não soube decifrar. — Eu não leio mentes, muito menos caninas, mas acho que você está me julgando... Aish, por que isso tem que ser tão difícil?! Vou ter que começar a vender biscoitos que nem uma escoteira.

Tofu pulou impaciente do seu colo, latindo em sua direção. Pelo jeito, o Shiba havia decidido que a pausa tinha acabado e que era hora de continuar o passeio.

Tá bom, você que manda! Já estou indo. — Falou Miso na defensiva, guardando a vasilha de água, agora vazia, na bolsa, junto da garrafa de água que ainda tinha um resto para si.

Após um último suspiro, se levantou do banco. Guia em sua destra, chá em sua canhota.


“Acho que meus problemas não são pra um cachorro resolver...”, pensou consigo mesma antes de retomar a caminhada pelo bairro, acompanhada de um alegre Tofu.



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