Desanimo

Desanimo

Izaac Foster



Reflexões sobre uma experiência profissional que me ensinou mais do que muitos cursos.

Entrei em uma empresa do ramo de tecnologia com uma bagagem de 4 a 5 anos de experiência em desenvolvimento e freelas. A proposta parecia boa no início, mas logo percebi que era só aparência.

Desde o início, fui jogado em tarefas muito acima do esperado para um estagiário. Era prometido crescimento e aprendizado, mas o que acontecia de fato era a exploração da minha experiência — sem qualquer reconhecimento. Não tive nenhuma evolução técnica porque já dominava tudo que me pediam. O que aprendi ali, infelizmente, foi como funciona uma má gestão e os impactos disso nos colaboradores.

O dono da empresa dizia apoiar o crescimento da equipe, mas demonstrava insegurança quando alguém buscava isso por conta própria. Quando eu e um colega criamos um projeto paralelo, que não afetava o trabalho principal, ele tentou nos impedir de continuar — com base em argumentos sem embasamento legal e pressão emocional.

Durante meu tempo lá, assumi funções que seriam de um pleno ou sênior: deploy, DevOps, infraestrutura, segurança, migração de banco de dados, automações com RPA e mais. Tudo isso com salário de estagiário, sem reconhecimento e ainda com atrasos salariais em dois meses diferentes. A gestão era tão desorganizada que eu mesmo fazia levantamento de requisitos com cliente, documentação, arquitetura de sistema e testes — coisas que nem eram feitas pela equipe original.

A empresa contratava majoritariamente estagiários como forma de reduzir custos, exigindo entregas de alto nível sem retorno ou plano de carreira real. Quem era promovido, muitas vezes, era quem puxava o saco, e não quem entregava resultado técnico ou organizacional.

O pior é que essa gestão não era apenas ineficaz — era nociva. Projetos mal planejados, contratos com escopo aberto, analistas despreparados e um ambiente onde o mérito não era valorizado. Vi colegas desmotivados saírem pelo mesmo motivo: falta de reconhecimento, excesso de cobrança e nenhuma perspectiva de crescimento real.

No final, saí sem aprender nada tecnicamente, mas com uma bagagem enorme sobre o que não fazer como líder ou gestor. Aprendi que:

Prometer crescimento sem estrutura é manipulação.

Dar responsabilidades sem reconhecimento é exploração.

Ignorar a voz dos colaboradores é construir um ambiente tóxico.

Ter um time técnico e não ouvir quem está na linha de frente é desperdiçar talento.

Essa experiência me ensinou o que realmente importa: estar em lugares que respeitam e valorizam o profissional, que reconhecem o esforço e que incentivam o crescimento de forma honesta.

Se você está passando por algo parecido, saiba que você não está errado por exigir respeito, clareza e reconhecimento. E, se você é gestor, fica aqui um lembrete: ninguém cresce pisando em quem carrega a empresa nas costas.

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