Como Trilhar As Ciencias Sociais?

Como Trilhar As Ciencias Sociais?

Equipe Ciências Sociais Brasil

Como trilhar as Ciências Sociais? Veja umas dicas interessantes neste texto abaixo.


Por Vinícius Vieira Dias dos Santos

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As Ciências Sociais (daqui pra frente citada como CS) é um curso muito impopular ainda, todos os que entram nele sentem muito bem isto. Mas isso é aparente. Porque, se observarmos, a presença dessa área é muito ampla hoje, e poucos percebem. Essa condição influencia muito o acadêmico na hora de seguir o curso, pois sente que quando se expressa sobre sua faculdade não lhe é dado credibilidade. Neste texto venho comentar algumas considerações que faço para quem deseja seguir essa carreira.

Não discuta com leigos: parecer que você está falando opinião pessoal quando você, acadêmico de CS, comenta algo numa roda de leigos em CS é dilema que todo estudante da área já sentiu. Quando for o caso, só ofereça o mínimo que a pessoa precisa saber e pare de falar. Posturas militantes e ativistas nessa hora complica as pessoas sentirem sua autoridade. Até porque, se o cientista social soubesse uma dica da Psicologia (esta: quando as pessoas discutem com você, fazer silêncio e olhar sério pra elas faz elas respeitarem você), eles poupariam posturas militantes ou ativistas nestas horas (que ao invés de fazerem silêncio costumam abrir mais ainda a boca e tacar mais lenha na fogueira ainda). Se começarem com o papo que "você está é oferecendo ideologia X ou Y", pelo amor de Bourdieu, saia do lugar ou se for na net pare de seguir a pessoa na hora mesmo, ou block mesmo.

Gente que "c@ga e anda pra ciência" tem em toda área: isto é para você se sentir consolado como cientista social aspirante ou formado. Você consegue lembrar na escola as vezes que seu amigo seu falava pros seus professores "dane-se se é assim vou pensar do meu jeito / vou crer no que creio / vou fazer do meu jeito e pronto". Era só com o professor de Sociologia isto? Não. Os terraplanistas que o digam, queimaram tudo que aprenderam de Física e Geografia e não estão nem aí. Consegue ver então exemplos de gente que vira as costas pra ciência, mas em outras áreas? Então não leve para o pessoal, não ache que isso é só nas CS. Eu sei, CS tem fama de ser curso ideologizado, por ser até o curso (junto com a Filosofia) que estuda as ideologias. Eu mesmo dentro da Política já vi militante c@gando pra comentários de Ciência Política que dei pra ele. Mas fique firme. Quando ver uma pessoa que c@ga pras CS, primeiro, ela c@ga pra muitas outras áreas também, e, segundo, não gaste sua autoridade com ele.

Ofereça-se como autoridade em CS a partir do 7º período adiante apenas: eu sei que isto é jogar areia no seu fogo e em cima de tudo que escrevi acima, mas isto é pra poupar até sua imagem como estudante e a imagem das CS. Acho que em qualquer curso, sempre tem um que fica pedindo conselhos pra estudante sendo que a pessoa nem é formada ainda. Um erro crasso dos brasileiros. Tendo essa consciência, uma sugestão é esperar você chegar ao 7º período – ou 4º ano – no mínimo para poder impor autoridade em CS em qualquer ocasião que seja. Florestan dizia que para formar um cientista social decente no Brasil o estudante precisaria de no mínimo 12 horas de leitura por dia. Ninguém tem condição de fazer isso, não é? Eu sei, mas já fizemos. Florestan é um exemplo disso. E Levi-Strauss também, que em um livro dele foram usadas mais de 3.000 referências. Ou seja, temos exemplos de acadêmicos ultra dedicados e primazias em todas as universidades do mundo. Sim, eles saíram das CS. Sim, somos nós quem somos referência em leitura e estudos de excelência no mundo. Este curso, que é como se fosse resto de comida de geladeira que oferecem pra quem acabou de se formar no Ensino Médio, tem acadêmicos notabilíssimos. A FGV, com sua escola de CS em primeiro lugar no Brasil neste ano, que o diga. Por isso, espere para tentar impor autoridade em algo.

Cuidado com militantes / ativistas / e pessoas com "expertise" (ou autodidata, notório saber, "sabichão" etc) em qualquer coisa de CS: essas pessoas dão dor de cabeça, pois enfrentam o conhecimento do cientista social. Os militantes e ativistas não tem muito o que se fazer pois prestam um serviço bom pra sociedade que é levar um saber adiante de forma prática (ainda que muitos não tenham humildade sobre o tamanho do conhecimento que possuem na área que militam ou são ativistas, mas temos que ter paciência pois praticam e dão suas vidas em prol de uma causa). Mas, neste tópico, pesa-se principalmente o terceiro caso, o dos "experts". Aqui serve o mesmo consolo do tópico 2, assim como tem gente que c@ga e anda pra ciência em várias ciências, tem também os sabichões em cada ciência. Pessoas que nunca cursaram formalmente um curso superior mas tentam se impor quando se debate tal ou qual curso ou assunto. Mas por que em outras áreas, como Exatas e Biológicas, ainda é possível combater os sabichões e nas outras não? Porque nelas ainda há uma autoridade do saber. Já nas Humanas e principalmente nas CS há muita discussão sobre "o monopólio do diploma", a "opressão social que pessoas letradas ou credenciadas em algo fazem em cima de leigos ou gente sem estudo ou sem credenciais". O problema desse discurso é que ele abre as portas para discursos que não possuem uma base em um conhecimento técnico.

A verdade é que os sabichões ("experts") se gabam por saber mais ainda que gente com diploma. Aí começa o problema que talvez ninguém tenha comentado ainda. Eu sei que dói, mas nós temos que colocar esses "experts" no lugar deles. Quando eles cooperam é uma maravilha. Mas quando aparecem para peitarem quem está num curso superior, querendo ter a razão sobre algo que você domina ou pelo menos tem uma boa noção, é uma dor de cabeça terrível. (PS: deixei para citar a Filosofia por último. O caso da Filosofia é caso perdido quando o assunto é notório saber / sabichões / "experts" / autodidatas etc. Pois a Filosofia, desde o começo, já permitia que qualquer um praticasse seu saber sem estudo. Sócrates que o diga, começou a filosofar depois dos 60 anos, e nem 1 palavra escrita deixou). Resumindo: deixem os militantes e ativistas quietos, a gente sabe que você tem conhecimento científico das CS e eles mais prático / pragmático / empírico, evite causar polêmica com eles. Mas os sabichões, só dê as costas mesmo e pronto, porque a maioria adora peitar outras pessoas... Às vezes por sadismo até...

Alerte as pessoas que o assunto que elas estão comentando provavelmente é matéria de estudo das CS: aqui é o pulo do gato neste texto. Muita gente não se toca que o assunto que está comentando faz parte da nossa área. As CS estuda muita coisa. Muita gente não se toca que assuntos que comentam o dia todo podem ser assuntos que elas estudam cooperadamente com outras ciências, e outros assuntos as CS são "representantes oficiais". Então quando uma pessoa estiver comentando um "assunto cooperado" ou um "assunto exclusivo" de CS, tome a dianteira e faça a pessoa entender que você estuda sobre aquilo. Daí você se torna autoridade na roda no momento e evita que as pessoas passem a "falar abobrinha" (disparar senso comum) sobre aquilo. Além de enfatizar sua autoridade como cientista social, e assim levar nossa profissão adiante. Se você quer "militar" nossa profissão, fazer isso é fundamental. "Militar" nossa área passa pelas vias de pedir autoridade sobre ela e sobre os assunto que ela estuda. E toda vez que você fizer isso, fará com que a luz das CS brilhe no Brasil. E, quem sabe, no mundo. Eu sei que nossa área estuda assuntos que ela não tem o direito de "patentear" a coisa, tomar propriedade de muitos deles. Nossa área trabalha com assuntos que são "assuntos que tão na boca do povo", principalmente a Ciência Política. E as CS, principalmente na Ciência Política, não curte tecnocracia. Se não, pra estar numa roda de conversa, pra "falar groselha", todo mundo vai ter que agora ler algo da nossa área produzido por um acadêmico, e ninguém quer isso. Principalmente no Brasil, que falar groselha em roda de bar é quase um "mando cultural", um fato social – coercitivo, generalizável e exterior ao indivíduo – no nosso país. Mas se quisermos que nossa profissão avance no país, temos que deixar as "vagabundagens" (hehe) de lado e sermos sérios. Os químicos, físicos, são todos sérios, por que não podemos ser? Descer aquele clima pesado mesmo quando a groselha tiver se formando... (Fica aqui então em tom tipo do Manifesto Antropofágico: irmãos cientistas socialis brasiliensis, para avançarmos na nossa profissão urge trairmos a groselha brasiliensis já!) (Haha). Brincadeiras à parte, imponha autoridade sim quando alguém tiver falando algum assunto que as CS estuda.

Isto implica desde a furada de fila do banco (que é um caso de pequena corrupção) até sistemas político-econômicos, como socialismo / capitalismo / anarquismo (que são as coisas mais amplas que as CS estuda, cooperadamente com outras ciências como Economia, Direito etc). Sim, papos amplos, como de socialistas em grupo de Telegram por exemplo, precisam ser moderados por você. Interrompa e fale: "opa, parado sabichão, eu estudo cientificamente este assunto". Este tópico parece ser chato ou utópico, mas é essencial e tem respaldo até nos planos que cientistas sociais fizeram pra área. Theodor Adorno, no livro "Introdução à Sociologia", discute muito a questão da Sociologia deixar de ser uma ciência mole e se tornar uma ciência dura no futuro. O alerta de Adorno serve para todas as CS. Para que elas se "endureçam" mais, é urgente que os cientistas sociais invadam espaços onde são debatidos os assuntos que eles estudam e deem pelo menos um pitaco usando nossos conhecimentos, impondo autoridade, "apropriando-se" do assunto. Assim ajudamos nossa área a ter mais solidez científica, mais exatidão, e assim veremos nossa área ter mais respaldo no futuro. É trabalho nosso de formiguinha aqui para vermos a ciência vingar mais ainda na Terra.

Enfim, é isso que você como acadêmico precisa considerar na hora de entrar pro curso e o que você precisa meditar no seu avanço como estudante.

PS1: Lembrando, este texto pode ter bastante respaldo para pessoas formadas já na área.

PS2: este texto foi escrito por alguém que está no momento no 5º período em CS ainda, pra fazer jus a um dos tópicos citados. Mas foi revisto e curado por alguém que é formado na área.


© 2023, por Vinícius Dias, para o Ciências Sociais Brasil

"Neutro é quem se decidiu pelo mais forte"


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