Censo2022: Rio Grande do Sul tinha 3,8% do total da população vivendo em Favelas e Comunidades Urbanas

Censo2022: Rio Grande do Sul tinha 3,8% do total da população vivendo em Favelas e Comunidades Urbanas

IBGE/RS

Em continuidade às divulgações do Censo Demográfico 2022, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE apresenta os resultados referentes às Favelas e Comunidades Urbanas extraídos do Questionário Básico, que engloba o universo da pesquisa, trazendo a público algumas características da população residente e dos domicílios situados nesses territórios.

No Rio Grande do Sul foram mapeadas 481 áreas de Favelas e Comunidades Urbanas, presentes em 53 municípios. Nessas áreas, o Censo Demográfico 2022 mapeou 163.587 domicílios e 416.428 pessoas residentes. Em termos populacionais, os moradores nessas áreas representavam 3,8% do total da população residente no estado. Na comparação com os outros estados brasileiros, o RS ocupa a 10. posição em número de Favelas e Comunidades Urbanas.

As Favelas e Comunidades Urbanas são territórios populares originados das diversas estratégias utilizadas pela população para atender, geralmente de forma autônoma e coletiva, às suas necessidades de moradia e usos associados (comércio, serviços, lazer, cultura, entre outros), diante da insuficiência e inadequação das políticas públicas e investimentos privados dirigidos à garantia do direito à cidade.

O quadro abaixo apresenta de forma resumida os critérios para a classificação dessas áreas:

A nomenclatura Favelas e Comunidades Urbanas foi adotada, a partir de janeiro de 2024, em substituição à denominação anterior, Aglomerados Subnormais, utilizada desde o Censo Demográfico 1991. Para informações mais detalhadas sobre o tema, consultar o endereço: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102062.pdf

As Favelas e Comunidades Urbanas têm características diversas em termos de área territorial, densidade populacional, sítios ocupados, morfologia, tipos de construção, identidade, entre outros fatores. Em alguns Municípios, o Censo identificou, em 2022, o predomínio de pequenas Favelas e Comunidades Urbanas, que se apresentavam de maneira fragmentada no tecido urbano. Em outros, predominavam Favelas e Comunidades Urbanas com milhares de domicílios, que costumam exigir maiores esforços em termos de políticas públicas e intervenções urbanas para garantir a melhoria das condições de vida das suas populações. E o mapeamento das Favelas e Comunidades Urbanas procedente do Censo Demográfico 2022 resultou na identificação de 12.348 áreas presentes em 656 Municípios brasileiros.

No Rio Grande do Sul foram mapeadas 481 áreas de Favelas e Comunidades Urbanas, presentes em 53 municípios. Nessas áreas, o Censo Demográfico 2022 mapeou 163.587 domicílios e 416.428 pessoas residentes. Na distribuição dos 163.587 domicílios, 143.495 eram Domicílios Particulares Permanentes Ocupados – DPPO. A maioria desses domicílios (82,7%) ficavam em áreas com até 500 domicílios, distribuídas em 26 municípios. Enquanto 11,0% das áreas ficavam em 8 municípios e tinham entre 500 até 1.000 domicílios. Já as áreas com mais domicílios, acima de 1.000, 6,2% delas ficavam em 19 municípios.

Quando observamos a distribuição das áreas de Favelas e Comunidades Urbanas gaúchas, constatamos que 61,3% delas se localizavam em áreas de Concentração Urbana (CU) com núcleo na capital, e, em números absolutos, eram 295 áreas que reuniam 289.584 moradores ao todo. Enquanto as demais 186 áreas, (38,7%) se encontravam em municípios fora da Concentração Urbana da capital.

Quando olhamos para a população, as 416.428 pessoas residentes nas Favelas e Comunidades Urbanas do Rio Grande do Sul, segundo as áreas de Concentrações Urbanas (CU) no estado, a CU Porto Alegre (RS) é a maior delas, possui 289.584 moradores e representa 69,5% do total.

A Concentração Urbana (CU) com núcleo na capital é formada por 17 municípios. Nesse recorte territorial, os municípios com mais moradores em Favelas ou Comunidades Urbanas, era em primeiro lugar o município de Porto Alegre (RS) (175.519 pessoas, em 125 áreas), seguido do município de Novo Hamburgo (RS) (23.632 pessoas em 54 áreas), de São Leopoldo (RS) (15.590 pessoas em 23 áreas) e de Guaíba (RS) (13.818 pessoas em 17 áreas).

Fora da Concentração Urbana da capital, os municípios com mais moradores em Favelas ou Comunidades Urbanas era o município de Pelotas (RS), que tinha 36 áreas identificadas com 36.677 moradores, seguido do município de Caxias do Sul (RS) com 28 áreas e 22.938 moradores.

Figura 1: Concentrações Urbanas do RS segundo o número de Favelas e Comunidades Urbanas - 2022

Fonte: IBGE. Censo Demográfico 2022

Pessoas residentes

Das 481 áreas de Favelas e Comunidades Urbanas no Rio Grande do Sul, as mais populosas estão apresentadas na figura abaixo:

Fonte: IBGE. Censo Demográfico 2022.

Desagregação da população por sexo e idade

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população residente em Favelas e Comunidades Urbanas no estado do Rio Grande do Sul, a distribuição percentual da população por sexo apresentou que 48,6% (202.570) eram do sexo masculino e 51,4% (213.858) eram do sexo feminino, contabilizando 11.288 pessoas do sexo feminino a mais que do masculino.

Em relação à distribuição percentual da população residente por grupos etários, nota-se a mesma ralação como o todo no país, ou seja, enquanto as pessoas de 0 a 14 anos representavam, em 2022, 17,5% da população gaúcha total, e as pessoas de 65 anos ou mais, 14,0% do total, ao desagregar essa informação para as pessoas residentes em Favelas e Comunidades Urbanas, tem-se que 24,9% que possuíam de 0 a 14 anos e 7,24%, com 65 anos ou mais, indicando que, nessas áreas, a população era mais jovem que a população gaúcha como um todo.

 O índice de envelhecimento mostra a relação entre idosos de 60 anos ou mais de idade e um grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos. Quanto maior o valor do índice, mais envelhecida é a população. No Rio Grande do Sul, o índice de envelhecimento identificado no Censo Demográfico 2022 para a população total foi 115,05, indicando que, naquele ano, havia 115,05 idosos (60 anos ou mais) para cada 100 crianças (0 a 14 anos). Desagregando essa informação para as Favelas e Comunidades Urbanas, o índice de envelhecimento cai para 46,7. Nesses territórios, portanto, havia 46,7 idosos para cada 100 crianças, indicando uma população proporcionalmente muito mais jovem do que o total dos gaúchos.

Essa constatação da população mais jovem também se reflete na distribuição da idade mediana, onde ao todo, no Rio Grande do Sul a idade mediana era de 38 anos, nas Favelas e Comunidades Urbanas era de 29 anos.


Desagregação da população por cor ou raça

A distribuição da população por cor ou raça, aponta que 59,7% (248.509) das pessoas residentes em Favelas e Comunidades Urbanas no estado se auto identificaram como sendo da cor branca, 24,0% (99.973) da parda e 16,1% (66.936) da preta. Como indígenas apenas 0,2% (861) dos moradores se declararam pelo quesito de cor ou raça, mas considerando também o levantamento da pergunta de cobertura, foi levantado o total de 1.025 pessoas indígenas residentes nas Favelas e Comunidades Urbanas no estado. Quando confrontado esses dados com o total da população gaúcha, é possível identificar que a proporção de pessoas que se declararam pretas residentes em Favelas e Comunidades Urbanas é mais que o dobro do percentual observado para a população preta total, que era de 6,5%. Também se observa que a proporção de pardos é superior em relação ao percentual da população declarada parda para o total do estado, que era de 14,7%. Assim como, a proporção de pessoas que se declararam brancas (59,7%) é menos do que no total da população gaúcha (78,4%).


Domicílios em Favelas e Comunidades Urbanas

O Censo Demográfico 2022 identificou 163.587domicílios em Favelas e Comunidades Urbanas, em todo o estado, dentre os quais 143.495 eram domicílios particulares permanentes ocupados (DPPO), representando 87,7% do total. Nesse recorte territorial, os domicílios particulares permanentes de uso ocasional representavam 3,3% e os domicílios particulares permanentes vagos, 8,9. Os domicílios improvisados ocupados representavam, por sua vez, somente 0,1% do total de domicílios recenseados nas Favelas e Comunidades Urbanas, enquanto os domicílios coletivos não chegavam a 0,04% do total.

Em relação ao número médio de moradores em domicílios particulares permanentes ocupados nas Favelas e Comunidades Urbanas gaúchas, em 2022, era de 2,9 moradores por domicílios, superior aos 2,5 moradores para a média total dos domicílios gaúchos.

Do total dos domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas identificados na operação censitária, as casas representavam 96,0% (137.890 domicílios). As casas de vila ou em condomínios compreendiam, 2,4% do total, enquanto os apartamentos 1,1% dos domicílios nas Favelas e Comunidades Urbanas de todo o estado. As habitações em casa de cômodos ou cortiço retrataram 0,2%, enquanto as estruturas residenciais permanentes degradadas ou inacabadas eram 0,1%.

 

Características dos domicílios em Favelas e Comunidades Urbanas

Abastecimento de água

No Rio Grande do Sul, os domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas com ligação à rede geral de distribuição de água, representavam, em 2022, 91,7% (131.596) do total de domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas.  

Entre os domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas que possuíam ligação à rede geral de distribuição, mas não tinham a rede geral como a principal forma de abastecimento, 6.791 utilizavam poço profundo ou artesiano (4,7%); 307 utilizavam poço raso, freático ou cacimba (0,2% do total); e 4.442 utilizavam outras formas não listadas e representavam 3,1%. Em percentuais menos expressivos, se encontravam os domicílios particulares permanentes ocupados abastecidos principalmente por fonte, nascente ou mina; carro-pipa; açudes, córregos, lagos e igarapés; e por água da chuva armazenada, que somados correspondiam a 359 unidades (0,2% do total).


Canalização de água

Em relação às Favelas e Comunidades Urbanas gaúchas, a grande maioria dos domicílios particulares permanentes ocupados (97,9% do total) possuía água canalizada até dentro da casa, apartamento ou habitação, enquanto 0,9% possuíam água canalizada, mas apenas no terreno, e 1.732 não possuíam água canalizada, representando 1,2% do total.

 

Banheiros ou sanitários e esgotamento sanitário

Dos 143.495 domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas identificados em 2022 no estado, 143.250 ou seja, 99,3% do total, possuíam banheiro ou sanitário, não havendo banheiro ou sanitário em 245 domicílios.

Quase a totalidade dos domicílios em Favelas e Comunidades Urbanas gaúchas, possuíam banheiro de uso exclusivo, em 141.624 domicílios, ou 98,7%; 1.317 (0,9%) domicílios possuíam apenas banheiro de uso comum a mais de um domicílio; 309 (0,2%) domicílios possuíam apenas sanitário ou buraco para dejeções, inclusive os localizados no terreno.

Segundo a distribuição percentual dos domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas com banheiro ou sanitário, por tipo de esgotamento sanitário, no estado, o tipo mais frequente é por rede geral ou rede pluvial, em 82.840 domicílios com essa característica, representando 57,7% do total de domicílios. O esgotamento sanitário do tipo fossa séptica ou fossa filtro ligada à rede que atingia 15.980 domicílios representava 11,1%, e, em conjunto, esses dois tipos (Rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede) representam 68,7% dos domicílios.

Já os domicílios com esgotamento por fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede estavam presentes em 19.575 domicílios e representavam 13,6% do total desses domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas com banheiro ou sanitário.

Quanto ao tipo de esgotamento sanitário por vala, em 2022, no Rio Grande do Sul, 13.187 domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas com banheiro ou sanitário, representando 9,2% do total de domicílios. Já os 6.395 domicílios com esgotamento ligado à fossa rudimentar ou buraco representam 4,5%, enquanto os 4.190 domicílios que utilizam o esgotamento em rio, lago, córrego ou mar, representam 2,9% em relação ao total dos domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas no estado.


Destino do lixo

Em relação à distribuição percentual dos domicílios particulares permanentes ocupados segundo o destino do lixo domiciliar, a maior parte dos domicílios possuía, em 2022, o lixo coletado por serviço de limpeza, seja por serviço de coleta no domicílio ou por depósito em caçambas de serviço de limpeza. Ao todo eram 140.512 domicílios e representam 97,9% dos domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas no estado.

Por outro lado, 2,0% (2.983) dos domicílios particulares permanentes ocupados em Favelas e Comunidades Urbanas gaúchas tinham outros destinos para o lixo, como o lixo jogado em terreno baldio, encosta ou área pública, queimado ou enterrado na propriedade.

 

Saiba mais 

Agência IBGE Notícias (divulgação nacional) 

Notícia: Censo 2022: Brasil tinha 16,4 milhões de pessoas morando em Favelas e Comunidades Urbanas

Vídeo: Audio - Leticia Giannella | Pesquisadora da Gerência de Pesquisas e Classificações Territoriais

Áudio - Jaison Luis Cervi | Gerente de Pesquisas e Classificações Territoriais

SIDRA 

Tabelas completas

Portal IBGE

Acervo do Censo Demográfico

Panorama do Censo 2022

Plataforma Geográfica Interativa











Report Page