Biografia de Allan Kardec

Biografia de Allan Kardec

@arosadecoimbra
Allan Kardec, codificador do espiritismo
«O Espiritismo é simultaneamente, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como doutrina filosófica, compreende todas as consequências morais que decorrem de tais relações”. ("O que é o Espiritismo?" Allan Kardec)

Allan Kardec foi o codificador do Espiritismo. Organizador escrupuloso de um material que fundou a corrente espírita do século XIX, mas em nada foi um escritor imaginativo e tampouco de estilo místico.

Antes de tudo, devemos saber que a França, em 3 de outubro de 1804, dia do nascimento de Hippollite Leon Denizard Rivail (mais adiante veremos como ele seria rebatizado de Allan Kardec), já havia passado pela era da Enciclopédia e, esta linha de pensamento, deixada nas bases de sua sociedade, a grandes pedagogos muito rigorosos, formadores da consciência intelectual de Kardec.

Allan Kardec nasceu em um lar onde a alta cultura já estava profundamente enraizada. Fez seus primeiros estudos em Lyon e os concluiu em Yverdum (Suíça), no Instituto do famoso Professor Pestalozzi, conhecido por ser um dos centros educacionais mais respeitados de toda a Europa, e por onde passaram famosos intelectuais da época. O nosso homem revelou-se aqui um brilhante discípulo nas Ciências e nas Letras.

Dedicou-se intensamente à linguística e era fluente em alemão, inglês, espanhol e holandês. Voltando a Paris, fundou ali um Instituto de Educação semelhante ao de Yverdum. E como educador, publica inúmeros livros, graças aos quais, apesar de arruinado por problemas familiares, consegue sobreviver financeiramente. Ele também deu aulas de química, física, astronomia e anatomia comparada.

Continuando a carreira docente, teria podido desenvolver a sua vida, mas em 1854, aos 50 anos, ouviu pela primeira vez falar do fenómeno das mesas rotativas (estava na moda). Foi seu velho amigo Fortier (magnetizador) quem lhe disse..."Aqui está uma coisa extraordinária, não só você faz a mesa girar, magnetizando-a, mas você a faz falar: você faz perguntas e ela responde." O nosso codificador respondeu… «Acreditarei quando vir e comprovou-me que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir, e que pode tornar-se sonâmbula. Até lá, permita-me ver nele nada mais do que um conto infantil.»

No início de 1855, conheceu Carlotti (outro velho amigo) que lhe contou fenômenos, e sugeriu o fato de que poderiam ser causados ​​por espíritos, o que despertou sua irresistível curiosidade de estudioso e pesquisador. Em maio de 1855, acompanhado de Fortier, visitou a casa de uma conhecida sensível, Madame Roger.

Lá ele teve uma conversa com várias pessoas que o levaram à ideia anteriormente sugerida por Carlotti. Este encontro deixa-lhe uma marca profunda e logo aí já é convidado para uma sessão de vivências. Quando sai diz..."foi ali, onde pela primeira vez pude testemunhar o fenómeno das mesas rotativas, que saltavam e corriam, em tais condições que não era possível duvidar. Ali também vi algumas redações mediúnicas imperfeitas».

Ainda cético, mas impressionado, ele faz amizade com a família Baudin, para cujas reuniões é convidado. Ele nos diz...» Foi lá que fiz meus primeiros estudos sobre o Espiritismo, mais baseados em observações do que em revelações. Apliquei a essa nova ciência, como sempre fiz, o método experimental. Nunca estabeleci uma teoria preconcebida. Ele observou cuidadosamente, comparou, deduziu e tirou conclusões; Dos efeitos voltei às causas por meio da dedução e do encadeamento lógico dos fatos e admitindo a viabilidade de uma explicação somente quando pudesse resolver todas as dificuldades inerentes ao assunto... Este é o procedimento que usei toda a minha vida, desde os vinte e cinco ou vinte e seis anos. Desde o início compreendi a seriedade das pesquisas que realizava e vislumbrei nesses fenômenos a chave do obscuro e polêmico problema do passado e do futuro da humanidade, a solução e a resposta para todas as minhas buscas. Foi uma revolução completa em ideias e crenças; portanto, ele deve agir com cautela e não levianamente; seja positivista e deixe os ideais de lado para evitar reivindicações ilusórias.”

Em 1855 recebeu de Carlotti e de um grupo de estudiosos 50 cadernos contendo relatos de experiências e diversas comunicações, pedindo-lhe que analisasse e ordenasse o conteúdo. Uma noite, em uma das sessões na casa de Baudin, nosso homem (ainda Rivail) recebe uma comunicação de seu espírito protetor. Este, chamado Espírito da Verdade, revela-lhe uma encarnação anterior com os druidas na Gália e cujo nome, naqueles tempos, era Allan Kardec.

Ele também comunica sua ajuda na importante tarefa para a qual foi destinado. A partir deste momento, Allan Kardec põe-se a trabalhar, recebendo instruções por diversos médiuns (Japhet, Croset, Dufaux, Aline, irmãs Baudin, etc.), diversificando assim os intermediários de sua comunicação com os espíritos, para melhor contrastar a VERDADE.

Em 18 de abril de 1857, publicou um livro que marcará o início do espiritismo, “O Livro dos Espíritos”. Este livro já aparece assinado com o nome de Allan Kardec, deixando assim de lado o tempo de prestigioso escritor e educador que assinava com o de seu nascimento. Nos poucos anos que lhe restam de vida (nesta reencarnação) escreveu todos os livros que completam a codificação espírita e completou o primeiro.

Em 1858 editou a Revue Spirite (Revista do Espírito). Em 1861 publicou O Livro dos Médiuns. Seu texto comprova o caráter científico da Doutrina Espírita, causa grande alvoroço e o catolicismo se levanta contra Allan Kardec. Nesse mesmo ano 300 livros espíritas são queimados em Barcelona pela inquisição espanhola. Algum tempo depois, a respeito desse fato, Kardec recebeu, por meio de um médium, a seguinte mensagem do Bispo de Barcelona, ​​autor do ato de fé que decretou a incineração dos livros, e que já havia desencarnado: «Está escrito. Você queimou as ideias e as ideias queimaram você. Reze por mim; rezai, porque a oração do perseguido para com o seu perseguidor é agradável a Deus. Aquele que foi bispo fala e agora não passa de penitente».

Em 1864 publicou O Evangelho segundo o Espiritismo. Em 1865 ele publicou o céu e o inferno. Em 1868 publicou A Gênesis. Allan Kardec desencarnou em 1869, tinha quase 65 anos. A obra de Allan Kardec é conhecimento obrigatório para decifrar o Espiritismo. Muitos livros espíritas foram publicados posteriormente, mas os do codificador resumem o caráter original dessa transmissão espiritual, e a orientação para a aproximação das mensagens. Além disso, esses livros, devido ao seu extenso tratamento do assunto, contêm inúmeras descobertas, muitas delas posteriormente verificadas pela ciência.

Devemos lembrar que no mesmo ano do desencarne de Kardec, a Sociedade Dialética de Londres nomeou uma comissão para estudar os fenômenos do Espiritismo, cujos conhecimentos se espalharam pela Europa. Após meses de investigações, seus 22 membros concluíram que os fenômenos eram autênticos. A isso se seguiram muitas outras investigações sobre os fenômenos espíritas e teses que também concluíram aceitando a proposta do Espiritismo.

Fonte: Federação Espírita Espanhola


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