BDAY’S RUIN.
Matthew havia acordado estranhamente animado. Era dia 16 de agosto, seu aniversário. E ele odiava aniversários, de verdade. Porém, esse ano, já tendo pensando há algum tempo, ele quis tentar fazer algo diferente: iria dar a maior festa possível. Sentia-se merecedor afinal, havia pelo menos uns seis anos que em dias como este, ele simplesmente não fazia questão de existir.
Sabia que estava tudo muito em cima da hora, mas ele era o invencível “faz-tudo” MadDuck, portanto, começou telefonemas e trocas de mensagens assim que saiu da cama. Passou o dia negociando o necessário para que uma festa no mínimo decente ocorresse, mas ainda faltava o lugar — foi então que se lembrou de um “parceiro”.
Pela tarde, saiu discretamente da Naecheon para encontrar “Sr.” Woo-nim, um de seus contatos de confiança que o auxiliava nos negócios dentro do colégio. O objetivo era simples: fechar o local onde daria sua festa de aniversário — um galpão afastado cujo Woo não só tinha acesso, como gerenciava, perfeito para o tipo de comemoração que ele imaginava.
E foi justamente ao chegar ali que a situação saiu dos trilhos. Na entrada do prédio discreto, antes mesmo de subir as longas escadas da porta de entrada, Mad cruzou com um grupo de alunos do Colégio Haneul, rival antigo e constante da Naecheon, principalmente nas ruas. À frente deles estava Kang Daejin, conhecido pela língua afiada e pelo lastimável gosto em provocar.
O encontro foi rápido, mas inevitável. As provocações surgiram no ar como faíscas: Daejin, com aquele sorriso debochado, soltou insinuações baratas; MadDuck, fiel ao seu jeito, respondeu com sarcasmo seco, uma ironia cortante que não deixava margem para réplica. Sem um único sorriso no rosto. Não havia espaço para briga — não ali, obviamente, e não naquele momento. Ambos sabiam disso, e talvez só por isso, tudo se resumiu a olhares duros e palavras cuspidas no ar no final.
Para qualquer um de fora, pareceria só um atrito de rua. Mas quem conhece o Mad sabe: dentro da Naecheon ele reina com sua postura intimista, brincalhona, receptivo, sarcástico e teatral; fora dela, no entanto, é outra persona. Outra pessoa quase. Mais frio. Mais direto. Sem vacilos. E um tom de voz que não carrega leveza, apenas encerra a conversa.
Os garotos do Haneul se afastaram como se a coisa tivesse acabado ali. Só que não. Enquanto Mad subia para tratar do galpão, a “ganguezinha” decidiu brincar com aquilo que jamais deveria ser tocado: sua moto. Uma provocação covarde, suja, baixa até mesmo para ratos como eles. Foram “gestos”, ações pequenas e rápidas para evitarem serem vistos, mas que teria consequências maiores do que eles poderiam imaginar — Mas que com certeza, se deleitariam caso soubessem.
Quando finalmente terminou a reunião e desceu, a rua parecia tranquila e o céu até mais brilhante. Estava tudo planejado, tudo havia dado certo. Com um sorriso de orelha a orelha, montou na moto, deu partida no motor e seguiu de volta à Naecheon, sem notar o que havia sido feito. E então em uma curva, quase chegando ao perímetro conhecido, que o golpe veio: o desequilíbrio súbito pela velocidade que nem sequer estava tão alta, o controle perdido dos comandos e enfim, o asfalto que se aproximou rápido demais.
O acidente não foi mortal, mas o deixou longe de comemorar. O corpo de Mad pagou o preço da sabotagem: costelas trincadas, hematomas espalhados pelo ombro e pelo braço, alguns pontos no supercílio e no lábio, além de uma concussão leve que exigiu internação para observação. O tipo de ferimento que não o quebra, mas o obrigou a desaparecer por alguns dias, justo quando havia acabado de voltar — hospitalizado, ainda que não em estado grave.
A notícia atingiu sua avó como um raio, quase a levando a ter uma sincope ou um novo derrame, porém, ao ver o neto consciente, aparentemente bem apesar das lesões, no leito hospitalar, tranquilizou-se, agradeceu aos céus e aos deuses, e já se aproximou dando sermão e brigando com ele — era sua forma de mostrar carinho e preocupação, e ele sabia disso.
O aniversário passou em silêncio, e Mad permaneceu em silêncio. Primeiro, porque realmente nunca foi de contar para ninguém suas brigas particulares fora dos muros de Naecheon, e segundo e mais importante, como punição sua avó “apreendeu” seu celular com a justificativa de que ele deveria descansar e fazer o tratamento corretamente, comer corretamente e todas as “encheções de saco” possíveis de imaginar. E bom, ele estava literalmente à mercê dos cuidados e exigências da idosa, não havia para onde correr.
Só nesta quarta-feira, em sua visita noturna que ela finalmente entregou-lhe de volta o aparelho, reclamando do barulho irritante das “mil notificações” que ele recebia todos os dias — palavras dela. Inclusive exigindo saber do que se tratava, já que a Sra. Hwang nunca foi boba, pelo contrário, conhecia bem até demais o neto que tinha.
Quanto ao quadro de saúde de Matthew, não houve nenhuma consequência grave apesar da concussão e das costelas trincadas — estavam o mantendo por observação e para tratar os ferimentos. (E algo lhe dizia que sua avó tinha alguma parte nessa demora toda, afinal, essa era uma das raras vezes que já foi ao médico). Mas, ao que tudo indica, ele provavelmente terá alta na sexta-feira, ou seja, até lá, terá que permanecer ali.