A Rainha das Fadas e o Portal dos Mundos.

A Rainha das Fadas e o Portal dos Mundos.

Akira.

Há muito tempo, nas profundezas da Floresta da Rainha das Fadas, onde a magia é sussurrada pelo vento e a luz dança entre as folhas eternas da Árvore Sagrada, nasceu Akira — a segunda rainha das fadas, escolhida pela própria seiva da Árvore para proteger o equilíbrio entre seu mundo e os demais: humanos, gigantes, demônios, e outras criaturas que habitam as terras além da floresta. Seu Tesouro Sagrado, Chastiefol, nasceu do coração da Árvore, tão viva quanto sua alma, símbolo de poder e dever.

Kiara reinou com sabedoria e coragem, zelando pela harmonia entre as fadas e as outras criaturas, embora nutrisse uma certa desconfiança em relação aos humanos, alertando seus aliados para os perigos do mundo dos mortais. Entre seus amigos e protegidos, estava Helbram, cujo coração se perderia na escuridão, e Elaine, sua irmã, cujo destino seria marcado pela tragédia.

Quando Helbram e seus seguidores partiram para o mundo humano, seduzidos por promessas falsas, a fúria dos humanos, ávidos por suas asas e poder, trouxe destruição e morte. Akira, movida pelo amor e dever, rompeu os limites do seu reino para salvar seus amigos, desafiando as ordens para ficar e proteger a floresta. Mas a traição estava à espreita. O homem de armadura e tapa-olho, Aldrich, surgiu das sombras e quase ceifou sua vida, ferindo-a profundamente. Foi a intervenção inesperada de Diane que lhe salvou, e naquele momento sua memória se esvaiu, levando-a a uma existência perdida entre a inocência e a guerra.

Ao despertar de sua amnésia, Akira viu a devastação causada por Helbram, agora inimigo de ambos os mundos. Em uma batalha implacável, ela pôs fim à rebelião, mas seu nome foi manchado por acusações de preguiça e omissão, uma injustiça que pesaria sobre ela como uma sombra eterna. Ela foi presa pelos Cavaleiros Sagrados, um tempo distante dos seus, enquanto sua floresta ardia em chamas e sua irmã caía para sempre.

Após o longo exílio e a amarga injustiça que a aprisionou, encontrou um novo propósito. Convocada pelos Sete Pecados Capitais — um grupo de guerreiros marcados por seus próprios fardos e pecados — ela foi acolhida não como uma rainha caída, mas como uma força indispensável para restaurar o equilíbrio dos reinos. Cada pecado carregava um peso, mas Akira, embora tida como o “pecado da preguiça”, ocultava uma alma incansável e um espírito indomável. Junto a eles, enfrentou tempestades e sombras, e seu nome passou a ecoar não como um fardo, mas como esperança.

Na grande Guerra Santa, quando as forças demoníacas ameaçaram romper as barreiras entre os mundos, a Rainha das fadas foi uma das primeiras a empunhar Chastiefol, sua lança viva, canalizando a energia da Árvore Sagrada para proteger seus companheiros. Em campos devastados, ela ergueu o estandarte da resistência, enfrentando hordas sombrias com uma determinação feroz, sua presença um farol para os que duvidavam.

Ela lutou não só com força, mas com a sabedoria de quem sabe o preço da paz, guardando cada movimento, cada vida, cada esperança. As asas de Akira desabrocharam em dois momentos de profunda intensidade — primeiro como símbolo de seu despertar verdadeiro poder, e depois como sinal de sua ligação indissolúvel com o reino das fadas. Ainda assim, suas asas permaneceram livres, um testemunho de sua força e identidade.

Quando a guerra finalmente cessou, e o silêncio repousou sobre as terras dilaceradas, a paz reinou — frágil, mas verdadeira. Foi então que uma nova missão lhe foi confiada. Uma missão que transcenderia o campo de batalha: proteger o Portal de Lythriel, a passagem sagrada entre o mundo das fadas e o dos humanos.

Para cumprir essa tarefa, suas asas foram dolorosamente seladas em suas costas. Um sacrifício necessário para que pudesse andar despercebida entre os mortais, ocultando sua verdadeira essência enquanto zelava pelo equilíbrio entre os mundos.

Assim, ela partiu para uma dimensão humana paralela, onde a magia se oculta e a história não a conhece. Lá, ela vigia silenciosamente, guardiã eterna do portal, pronta para erguer sua lança e voar livre quando os mundos precisarem dela novamente.

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