#01 - 23/04 ás 13h
TW: Abuso psicológico, negligência parental, manipulação emocional e crise de ansiedade.Parado frente à tela de projeção, trajando seu melhor terno importado sob os olhares curiosos dos investidores, Alexander sustentava sua linha de raciocínio ao descrever o comportamento do mercado financeiro na Coreia do Sul, as oportunidades e a projeção para o próximo quadrimestre. No entanto, a abertura da porta, seguida pelo som de uma bengala batendo contra o chão de madeira, desviou completamente sua atenção para a figura que agora se acomodava na cadeira da ponta esquerda da mesa de reunião.
"Continue." Era seu pai.
Alexander retomou a apresentação exatamente onde havia parado, mantendo o timbre claro da sua voz, ajustando cada palavra com cuidado, se esforçando para não cometer nenhum deslize na frente do pai. Ao final, os investidores pareceram satisfeitos com o que havia sido apresentado e, por um breve instante, ele acreditou que poderia respirar aliviado, mas a voz do seu pai se fez presente. "A abordagem é interessante. Embora um tanto otimista."
"Os dados sustentam a projeção." Alexander respondeu.
"Sustentam uma possibilidade e não um resultado, Alexander." O pai o corrigiu, antes de voltar-se aos investidores. "Perdoem-me. Meu filho ainda está aprendendo. Considerem essa reunião encerrada, vou analisar os dados e agendar outro encontro."
Os engravatados se despediram rapidamente e deixaram a sala, restando apenas os dois em um clima evidente de tensão. O Seo mais velho se aproximou do filho, apoiando a bengala contra o chão enquanto falava em tom neutro. "Eu esperava que com o tempo, você demonstrasse mais consistência, Alexander." Seu olhar percorreu o filho por um instante. "Parece que estar aqui tem influenciado certas decisões... Lembre-se, somos coreanos de sangue mas britânicos primeiro. Não espero abordagens guiadas por emoções."
"Foi apenas uma decisão estratégica." Alexander respondeu.
O pai se aproximou mais um pouco, a ponta da bengala ergueu levemente o queixo de Alexander, sendo obrigado a encará-lo. "Uma decisão estratégica não exige correção pública." O contato cessou tão rápido quanto começou.
Alexander permaneceu em silêncio.
"Esses investidores são minha responsabilidade agora. Envie tudo para mim." O pai disse, já se virando em direção à porta. Antes de sair, acrescentou: "E, Alexander… Você tem três meses para me convencer de que essa posição não é um erro. Caso contrário, voltará para a Inglaterra. Sempre há outras formas de ser útil."
"Yes, father." Alexander concordou em baixo tom.
O som da bengala voltou a ecoar pelo chão de madeira até que a porta se fechou novamente. A ausência de seu pai diminuiu o peso no ar, mas não o suficiente. Alexander encarou o próprio reflexo no espelho da sala, sentindo a respiração falhar, curta e irregular, como se o ar não fosse suficiente ou como se o próprio corpo estivesse se voltando contra ele. Era patético se ver tão descontrolado. Um homem daquela idade, sem poder sobre a própria vida e sem saber como processar os próprios sentimentos.
Sozinho.
E, talvez, destinado a permanecer assim.