MTST: o povo sem medo de bater em anarquistas

MTST: o povo sem medo de bater em anarquistas

por GabBem

MTST, o "Povo Sem Medo" de bater em anarquista (e de ameaçar mulher de estupro, e de espancar adolescente até desmaiar)

Os relatos que chegam são inúmeros. Eu tou bem detonado, como podem ver nas fotos, mas fui um dos que menos apanhou. Um compa teve a cabeça aberta com uma barra de ferro, outro, secundarista, menor de idade, levou porrada nas costas e chegou ao hospital desmaiado. Mulheres foram agredidas e ameaçadas de estupro.

Mas comecemos do começo: o bloco autonomista se concentrava na mesma praça que o restante do ato, e pelas duas horas da concentração estávamos lá, ninguém chegou para conversar conosco, saber se tínhamos algo planejado, ação direta, etc.

Como sempre, nós autonomistas não nos damos com carro de som, palanque ou carnavalização dos atos, então fomos avançando à massa de gente até chegar no lugar que melhor nos cabe: a linha de frente. Lá podemos barrar o avanço policial, lá podemos realizar ação direta sem interferir no andamento da manifestação, lá não incomodamos ninguém e todo o mundo segue o roteiro que lhe convém. É uma situação de ganho mútuo. Nossas armas para ontem? Tinta para pintar o asfalto, lambes e cola para pregar nos muros. No máximo um jet aqui e outro aculá - inclusive outros movimentos também estavam com materiais do tipo.

Até que, assim que chegamos à frente, direções do MTST vêm reclamar que nós deveríamos estar na traseira do ato por algum motivo que não se dignaram a tentar explicar, e começam as agressões verbais.

E então a mensagem no carro de som: "aqui é fora temer, quem não quiser fora temer que saia daqui!" "comissão de segurança, venha pra frente do ato!"

E começa o circo de horrores. Como uma turba ensandecida, militantes do MTST começam a avançar em cima do bloco autonomista, nos batendo com socos, chutes e mastros de bandeira. Não satisfeitos em nos expulsar do ato, começaram a nos caçar na rua lateral para a qual escapamos. Me jogaram ao chão e continuaram a me agredir, mesmo caído. Como resultado, me roubaram um par de óculos escuros, minha perna esquerda está contundida a ponto de quase não conseguir caminhar e tenho marcas da agressão por todo o corpo. Eu desafio, com a maior tranquilidade na consciência, alguém provar que antes desse momento o famigerado pé de cabra tenha aparecido. Não vai acontecer porque até me derrubarem e me agredirem ele não estava à vista, tampouco à mão de alguém do bloc, ou do MTST. Repito: desafio qualquer pessoa a provar que ele apareceu antes desse momento.

Não é a primeira vez que sou agredido pelo MTST por cobrir meu rosto em um ato, e não é de longe a primeira vez que esse grupo político agride militantes autonomistas/anarquistas/de rosto tampado por qualquer motivo que seja. Há relatos de diversos locais do país: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, e provavelmente outros. Portanto, estou revoltado, estou extremamente indignado, mas não estou nem um pouco surpreso.

É inadmissível que este grupo tenha ações IRRESPONSÁVEIS, COVARDES E FASCISTAS perante compas que somam na luta à sua própria maneira. É inaceitável que um grupo queira dizer precisamente como todo o ato, milhares de pessoas, devem se portar. É absurdo a ideia que, em uma época que se faz tão necessário o protagonismo do povo, tomem atitudes dirigistas, determinando quem pode ficar em que lugar da rua.

Não venham mais me falar em unidade de ação. Vocês são tão inimigos do povo quanto a mais fascista polícia militar do país. Apenas estão travestidos de movimento popular, se fingindo de esquerda.

Não nos calaremos, não nos curvaremos ao autoritarismo, seja de que lado do espectro político ele vier. A gente sobrevive a calúnia desde a I Internacional, a gente sobrevive a assassinato perpretado por socialista desde que Trotsky e Lênin mandaram dizimar o exército negro de Makhno. Não vai ser um bando de jagunços de um movimento que acha mais razoável gastar tempo orientando a galera a bater em anarquista que formando politicamente essas pessoas que vai nos calar. Resistimos e sobrevivemos.

P.S.: Não vou citar nomes aqui, porque, ao contrário de mim, as organizações pelegas adoram apelar pra justiça burguesa e eu já tenho processo o suficiente nas costas. Mas deixo meu agradecimento especial à UNE/Kizomba por ter incitado a agressão contra os autonomistas através do carro de som. Vocês não serão esquecidos. Deixo menções honrosas também às organizações que compõem a Frente Povo Sem Medo por verem toda a merda acontecendo e criarem um cordão de isolamento para que não pudéssemos nos refugiar dentro do ato, nos obrigando a apanhar sem defesa, enquanto dezenas de milhares de pessoas assistiam. Novamente, isso já aconteceu antes.

P.S. 2: vou aproveitar a atenção que esse post invariavelmente vai gerar pra recomendar a leitura desse ótimo texto: https://partidopirata.org/um-guia-pirata-para-manifestacoes/ - a parte "grupos" é especialmente interessante de se ler nesse contexto.